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Inteligência Artificial

FMI quer ampliar apoio a países afetados por guerra e energia

Comunicado do comitê do FMI em Bangcoc defende mais recursos para nações vulneráveis a choques de guerra e alta da energia e alerta para riscos da inteligência avançada.

FMI quer ampliar apoio a países afetados por guerra e energia

Economia Global

FMI propõe aumento de recursos para países vulneráveis a crises causadas por conflitos e alta nos preços de energia.

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Os 191 países membros do Fundo Monetário Internacional (FMI) defenderam a ampliação do apoio financeiro a nações com dificuldades de financiamento de curto prazo por causa de guerras e da alta dos preços da energia, em comunicado divulgado após reunião do Comitê Monetário e Financeiro Internacional (IMFC) em Bangcoc, na Tailândia. O texto, aprovado por consenso, também alerta para riscos econômicos ligados a tecnologias de inteligência avançada, mudanças climáticas e fragmentação geoeconômica.

O que o FMI pediu em relação aos impactos das guerras e riscos da inteligência avançada?

O FMI pediu mais apoio financeiro imediato a países com dívida considerada sustentável e agenda sólida de reformas, mas que sofrem choques de curto prazo causados por conflitos armados, energia cara e incertezas tecnológicas. Na prática, a sinalização abre espaço para aumentar empréstimos e assistência técnica, com foco em países de baixa e média renda vulneráveis e Estados afetados por guerras.

“Incentivamos o aumento do apoio a países com dívida sustentável e uma agenda sólida de reformas e promoção do crescimento, mas que enfrentam desafios de financiamento de curto prazo”, diz o comunicado do IMFC, principal órgão político do FMI.

O presidente do comitê, Mohammed Al-Jadaan, ministro das Finanças da Arábia Saudita, afirmou que o texto foi fechado por todos os membros. Segundo ele, a escalada de conflitos e tensões comerciais já pressiona cadeias globais e pode ampliar choques de preços. “A escalada de conflitos e tensões comerciais pode perturbar ainda mais rotas comerciais essenciais, agravar as pressões sobre os preços das commodities, inclusive dos produtos energéticos refinados, e piorar a segurança energética e alimentar”, afirmou Al-Jadaan, ao divulgar a nota.

O comunicado destaca ainda que as chamadas “tecnologias de inteligência avançada” impulsionam investimentos e comércio, mas carregam riscos macrofinanceiros, especialmente quando combinadas com a alta dos rendimentos de títulos nas principais economias, que encarece o custo da dívida para países mais endividados.

Entenda o contexto

O encontro em Bangcoc ocorre em meio à combinação de guerras prolongadas, tensões comerciais entre grandes potências, inflação ainda pressionada em itens de energia e alimentos e juros elevados nas principais economias. Esse cenário encarece o crédito, reduz o espaço fiscal de países endividados e aumenta o risco de crises de liquidez em nações mais frágeis.

No comunicado, o IMFC afirma que os riscos para a economia global continuam “inclinados para o lado negativo”. Além das tensões geopolíticas, o texto cita rápidas mudanças tecnológicas, transformações demográficas, eventos climáticos extremos e a fragmentação geoeconômica como fatores que “agravam os dilemas de política pública”.

Em resposta, os países membros concordaram em priorizar apoio a governos que estejam tocando reformas e lidando com vulnerabilidades de dívida, com atenção especial a países pobres, de renda média vulneráveis e Estados em situação de conflito. O Fundo de Redução da Pobreza e Crescimento, instrumento do FMI voltado a países pobres e em desenvolvimento, é citado como canal central para essa ampliação de suporte.

Quais são os principais riscos apontados pelo FMI relacionados à inteligência avançada?

Para o FMI, o principal risco imediato das tecnologias de inteligência avançada é ampliar vulnerabilidades macrofinanceiras em um ambiente de juros altos e endividamento elevado. O comunicado afirma que o impacto dessas tecnologias ainda é incerto: elas estimulam investimentos, aumentam produtividade e comércio, mas podem desorganizar mercados de trabalho, concentrar ganhos em poucos países e empresas e gerar bolhas financeiras em setores ligados à inovação.

O texto ressalta que os riscos se somam à alta dos rendimentos dos títulos nas grandes economias, que se transmite para países emergentes e pobres por meio de custos de financiamento mais altos. Governos que já gastam muito para pagar juros podem ficar mais expostos a saídas de capital e turbulência cambial, o que eleva a chance de crises.

Ao colocar a inteligência avançada na mesma lista de fatores de risco que eventos climáticos extremos e fragmentação geoeconômica, o IMFC sinaliza que a tecnologia passa a ser tratada como tema estrutural de política econômica, e não apenas de inovação.

Pressão dos EUA por termo ‘superinteligência’ fica fora do texto

Durante as negociações em Bangcoc, representantes do Tesouro dos Estados Unidos tentaram incluir no comunicado a expressão “superinteligência” para se referir à tecnologia, alinhando-se ao termo preferido pelo presidente norte-americano Donald Trump. A proposta, porém, não entrou na versão final.

O texto aprovado evita menções diretas a “inteligência artificial” e adota a formulação mais ampla “tecnologias de inteligência avançada”. A escolha reflete tanto a disputa narrativa em torno do tema quanto a tentativa de acomodar visões distintas sobre o grau de risco associado à tecnologia.

Apoio mais robusto e condições mais duras

O sinal verde político do IMFC deve orientar a atuação operacional do FMI nos próximos meses, especialmente em programas voltados a países de baixa e média renda. A tendência é reforçar linhas de crédito e flexibilizar, na margem, limites de acesso para nações com choques temporários de liquidez, desde que mantenham planos de ajuste e reformas considerados críveis.

A prioridade para países com dívida considerada sustentável, porém, indica que governos com endividamento já visto como insustentável podem enfrentar exigências mais rígidas ou renegociações antes de acessar novos recursos. Essa seletividade busca conter o risco de calotes ao FMI e incentivar reformas estruturais nos países atendidos.

Para economias vulneráveis, o reforço do apoio pode ajudar a evitar colapsos de balanço de pagamentos, cortes abruptos em gastos sociais e crises bancárias. Setores como o financeiro e o de energia sentem diretamente o efeito: a queda de confiança encarece a rolagem da dívida pública e privada, enquanto a volatilidade dos preços de combustíveis e eletricidade alimenta a inflação e pressiona empresas intensivas em energia.

Do lado do Fundo, a ampliação do suporte exige calibrar melhor o risco de crédito e a coordenação com credores privados e outros organismos internacionais, principalmente em países que já acumulam múltiplos programas de ajuda.

Fonte: matéria original