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Inteligência Artificial

PM prende 8 em golpe com IA que roubava dados em Mongaguá

Polícia Militar deteve oito pessoas em imóvel usado como central de golpes com inteligência artificial em Mongaguá (SP). Grupo simulava apresentador de TV em falso sorteio do Cartão de Todos para roubar dados de vítimas.

PM prende 8 em golpe com IA que roubava dados em Mongaguá

Segurança Digital

Grupo usava inteligência artificial para aplicar golpes e roubar dados pessoais em Mongaguá, com prisão de oito suspeitos.

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A Polícia Militar prendeu oito pessoas em Mongaguá, no litoral de São Paulo, que operavam uma central de golpes com uso de inteligência artificial para simular a voz e a imagem de um apresentador de TV em falso sorteio do Cartão de Todos e, assim, roubar dados pessoais de vítimas por telefone.

Oito presos em ação da Força Tática

As prisões ocorreram na sexta-feira (16), por volta das 11h20, em um imóvel na Rua Eunice de Oliveira Bessa, no Jardim Praia Grande. Equipes da Força Tática foram ao local após uma denúncia que apontava a casa como possível base de estelionatários e também como esconderijo de dois homens procurados pela Justiça.

Ao chegar ao endereço, os policiais encontraram parte do grupo dentro do imóvel. Alguns suspeitos tentaram fugir, pulando o muro e acessando telhados de casas vizinhas, mas todos acabaram localizados e detidos na própria região. No fim da operação, oito pessoas foram presas.

Segundo relato da Polícia Militar, os detidos admitiram que deixaram Suzano, na Grande São Paulo, para praticar crimes no litoral. “Eles disseram que vieram de Suzano (SP) com a intenção de praticar estelionatos em Mongaguá”, informou a corporação.

Como funcionava o golpe com inteligência artificial

No interior do imóvel, policiais encontraram notebooks com telas abertas em plataformas usadas para golpes, além de celulares e diversos chips de telefonia, o que reforçou a suspeita de que o local funcionava como uma central de estelionatos.

De acordo com a PM, o esquema se baseava no uso de inteligência artificial para replicar a identidade de um apresentador de televisão. “A fraude envolve o uso de inteligência artificial para simular a identidade de um apresentador de televisão, em um suposto sorteio vinculado ao Cartão de Todos”, explicou a corporação.

Os criminosos ligavam para as vítimas se passando por representantes de um programa de TV. Diziam que a pessoa havia sido sorteada e, na sequência, pediam que ela compartilhasse a tela do celular. Ao seguir as orientações, a vítima passava a interagir com uma interface que reproduzia o apresentador, criada com IA para parecer real.

Enquanto a atenção da vítima estava voltada ao “sorteio”, o grupo coletava dados sensíveis exibidos na tela ou inseridos pela própria pessoa, como informações pessoais, bancárias e códigos de segurança, que podem ser usados em fraudes financeiras e outros crimes digitais.

Entenda o contexto

O caso expõe uma nova etapa dos golpes digitais, em que tecnologias de inteligência artificial, antes restritas a grandes empresas, passam a ser usadas por quadrilhas para sofisticar esquemas de estelionato e aumentar a capacidade de convencimento sobre as vítimas.

Ao imitar a voz, a imagem ou a presença de figuras conhecidas, como apresentadores de TV, os criminosos exploram a confiança do público e conseguem induzir especialmente pessoas mais vulneráveis a fornecer dados ou permitir acessos remotos a celulares e computadores.

O uso de chips de telefonia em grande quantidade também facilita a pulverização das tentativas de contato, reduz o risco de rastreamento imediato e amplia o alcance do golpe para diferentes regiões do país.

Suspeitos foragidos e investigação em andamento

A denúncia que levou a PM à casa citava ainda a presença de dois homens procurados pela Justiça e armas no imóvel. Após consulta aos sistemas policiais, os agentes confirmaram que existem mandados de prisão em aberto contra esses dois suspeitos, mas eles não foram encontrados no local.

Nenhuma arma foi apreendida durante a vistoria. A perícia foi acionada para analisar os equipamentos recolhidos, como notebooks, celulares e chips, que podem revelar o alcance do golpe, a quantidade de vítimas e a participação de outros envolvidos.

O caso foi registrado no Distrito Policial Sede de Mongaguá, que deve aprofundar a investigação sobre a central de golpes e rastrear possíveis comparsas, inclusive os dois procurados citados na denúncia inicial.

Alerta às vítimas e próximos passos

Com a descoberta do esquema, autoridades de segurança reforçam o alerta para ligações com ofertas de prêmios, sorteios e supostos benefícios, especialmente quando há pedidos para compartilhar tela do celular, instalar aplicativos ou informar dados pessoais e bancários.

Especialistas em segurança digital recomendam que o consumidor encerre qualquer contato suspeito e busque canais oficiais da empresa ou instituição citada antes de fornecer qualquer informação. Em caso de suspeita de golpe, a orientação é registrar boletim de ocorrência e avisar bancos e operadoras.

A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo foi acionada para prestar mais informações sobre a operação e as medidas em curso contra golpes que utilizam inteligência artificial, mas ainda não havia retornado até o momento da publicação.

Fonte: matéria original