Mercados
S&P 5007.394▲ 0,55%Nasdaq24.596▲ 1,16%Dow Jones51.456▼ 0,13%Ibovespa168.493▲ 1,38%FTSE 10010.674▼ 1,01%DAX25.820▼ 1,92%Nikkei57.435▼ 5,96%DólarR$ 5,49▼ 0,24%EuroR$ 6,12▼ 0,92%BitcoinR$ 416.529▼ 0,39%Powered by WIREDESK OSS&P 5007.394▲ 0,55%Nasdaq24.596▲ 1,16%Dow Jones51.456▼ 0,13%Ibovespa168.493▲ 1,38%FTSE 10010.674▼ 1,01%DAX25.820▼ 1,92%Nikkei57.435▼ 5,96%DólarR$ 5,49▼ 0,24%EuroR$ 6,12▼ 0,92%BitcoinR$ 416.529▼ 0,39%Powered by WIREDESK OS
Powered by WIREDESK OS
Lançamentos de IA

Google bloqueia IA em contas escolares e muda busca em 2027

Google vai desativar por padrão recursos de IA em contas escolares K-12 a partir do início de 2027 e aprofunda integração da tecnologia no Search, pressionando escolas, anunciantes e editoras.

Google bloqueia IA em contas escolares e muda busca em 2027

Tecnologia

Google restringe uso de IA em contas escolares e prepara mudanças significativas no mecanismo de busca para 2027.

Leia também: Amazon libera chat por texto com Alexa para compras nos EUA

O Google decidiu desativar por padrão, a partir do início de 2027, os recursos de inteligência artificial no Search, no Gemini, no Gemini Notebook e no Gemini in Classroom para contas escolares K-12 gerenciadas nos Estados Unidos, ao mesmo tempo em que torna esses mesmos recursos inseparáveis do seu mecanismo de busca e testa um novo sistema de aprendizado guiado por IA em salas de aula.

IA vira condição para usar o Search nas escolas

Pelo novo desenho, administradores poderão ligar ou desligar cada um dos quatro serviços para alunos, mas não haverá como oferecer o Search em sua forma tradicional: ao ativar a busca, as escolas automaticamente expõem estudantes a recursos como AI Overviews, o modo conversacional de IA e o Guided Learning, ferramenta que resolve problemas passo a passo em vez de apenas dar a resposta pronta.

A mudança reverte a política adotada em agosto, quando o Gemini in Classroom passou a ser ativado por padrão e gerou reação de educadores e questionamentos de senadores americanos. Após a pressão, o Google voltou atrás na ativação automática, mas manteve a estratégia de acoplar a IA ao coração da busca.

Em entrevista a um veículo especializado em educação, o chefe de educação do Google, Chris Phillips, deixou claro o dilema imposto às redes de ensino: escolas que quiserem proibir o uso da IA terão de abrir mão do Search, que, segundo a empresa, está profundamente integrado à tecnologia.

O Guided Learning, novo recurso de aprendizado guiado, começa a ser testado ainda neste mês em algumas escolas americanas, integrado ao Search. A expectativa é expandir o uso para outros distritos escolares ao longo de 2027, à medida que administradores avaliem riscos pedagógicos e eventuais ganhos de aprendizagem.

Entenda o contexto

Ao condensar em respostas geradas por IA o que antes era uma lista de links, o Google muda a lógica da pesquisa para alunos e professores. Em vez de navegar por diferentes fontes, o estudante vê um resumo sintético logo no topo da página e pode seguir em uma conversa com o sistema, o que diminui a exposição a resultados variados e ao processo de comparação entre sites.

Para escolas que preferem restringir o contato de crianças e adolescentes com IA generativa, especialmente em pesquisas e tarefas escolares, a integração profunda cria uma escolha binária: ou se aceita a nova busca com IA, ou se abandona o ecossistema Google na pesquisa.

Ao tornar os recursos de IA opcionais apenas na camada administrativa — e não na interface do aluno — o Google mantém sua estratégia de longo prazo: colocar a IA no centro da experiência de busca, ainda que isso signifique perder parte do público educacional mais avesso à tecnologia.

Modelo de anúncios sob pressão com buscas em IA

Fora das escolas, a transformação mexe com a base do negócio do Google: a publicidade ligada à busca. Em teleconferência recente de resultados, o vice-presidente sênior e diretor comercial da empresa, Philipp Schindler, reconheceu que a menor monetização das consultas feitas no chamado AI Mode prejudicou o crescimento da receita do Search.

O impacto se refletiu na bolsa. As ações da Alphabet, controladora do Google, sofreram na semana passada a maior queda já registrada, despencando 13% em um único pregão, antes de uma leve recuperação nos dias seguintes. A leitura no mercado é que a empresa está entrando em uma fase de transição difícil, em que precisa defender sua liderança em IA mesmo sacrificando parte da rentabilidade atual.

Consultores de busca e de negócios digitais apontam que o problema é estrutural. No modelo tradicional, o Google apresenta diversas páginas de resultado, com vários pontos de inserção de anúncios ao longo da jornada do usuário, da pesquisa inicial à comparação de produtos e à compra.

Com a IA, essa jornada é comprimida em um único painel de resposta e em poucos turnos de conversa, reduzindo o espaço para anúncios e o volume de cliques em links patrocinados e orgânicos.

“O Google está basicamente sendo forçado a canibalizar o próprio negócio antes que outra empresa faça isso”, disse Carolyn Shelby, consultora de SEO e IA, e fundadora da CSHEL Search Strategies. Para ela, competidores como a OpenAI, que expandem capacidades de busca dentro de chatbots, pressionam o Google a avançar, mesmo que isso desorganize o modelo que sustenta a maior parte da receita publicitária da companhia.

IA já abocanha parte das buscas comerciais

Os sinais dessa mudança aparecem no comportamento dos usuários. Dados monitorados pela plataforma de visibilidade de IA Searchable, que acompanha uso de chatbots em Estados Unidos e Reino Unido, mostram que 14% das buscas relacionadas a compras no Google já ocorrem em AI Mode, contra cerca de 2% há um ano. São pesquisas com termos como “melhor”, “mais barato” e “preço”.

“A busca com IA está comendo o negócio tradicional do Google — e boa parte disso é o próprio Google se devorando”, disse JP Garbaccio, chefe de AEO e SEO na Searchable. “Os usuários continuam com o Google, o que é muito melhor do que perdê-los para o ChatGPT, mas o manual de monetização precisa mudar.”

Segundo os resultados mais recentes da companhia, a linha “Search e outras receitas” alcançou US$ 63,35 bilhões no terceiro trimestre deste ano, mas o ritmo de crescimento anual vem desacelerando ao longo de 2026, sinal de que a transição para a IA pesa na conta.

Para compensar, o Google amplia espaços de anúncios nos painéis de AI Overviews e testa formatos conversacionais dentro do AI Mode. Um dos desafios é descobrir em que momento da conversa — que hoje tem, em média, quase três perguntas por sessão — o usuário está mais receptivo a uma oferta comercial sem prejudicar a experiência.

Editoras e comércio digital perdem cliques

A mudança no desenho da página de resultados também ameaça o ecossistema de sites que, por anos, alimentou a busca com conteúdo original em troca de tráfego. Experimentos recentes com usuários do Google mostram que a presença da IA reduz os cliques para páginas externas, enquanto a remoção desses recursos aumenta as taxas de acesso às publicações.

Menos cliques significam menos audiência e menos receita para veículos de mídia, varejistas e produtores de conteúdo que dependem do tráfego orgânico para justificar investimentos em textos, vídeos e ferramentas gratuitas. Ao mesmo tempo, esses materiais continuam sendo usados como base para as respostas da própria IA do Google.

“O Google basicamente passou 25 anos ensinando as empresas a pagarem por cliques — e agora precisa ensinar os usuários a não clicarem”, afirmou Shelby. A dúvida entre especialistas é se, diante da queda de retorno, companhias e veículos continuarão produzindo informações na mesma escala e qualidade.

Se essa produção se retrair, o impacto tende a aparecer na própria qualidade das respostas geradas pela IA do Google nos próximos anos, em um ciclo de retroalimentação negativo.

Pressão regulatória e disputas à frente

A guinada do Google para um modelo “IA primeiro” na busca acontece sob o olhar de reguladores, políticos e entidades de educação. No caso das escolas K-12, a simples necessidade de tornar a IA opcional para administradores já decorre de críticas de professores e de cobranças de parlamentares sobre privacidade, impacto pedagógico e exposição precoce de crianças a sistemas generativos.

No mercado, anunciantes e editoras cobram transparência sobre como seus conteúdos são usados para treinar modelos de IA e como serão compensados em um cenário de menos cliques e mais respostas diretas. Ao mesmo tempo, marcas começam a testar estratégias para aparecer dentro dos novos formatos de resposta e de anúncios conversacionais, em busca de relevância em um ambiente em rápida mutação.

Para o Google, o recado é claro: a empresa considera irreversível a integração da IA ao Search, mesmo à custa de conflitos com escolas, perda de cliques para parceiros comerciais e pressão de investidores. A disputa, agora, é encontrar um ponto de equilíbrio entre liderança tecnológica, sustentabilidade econômica e um ecossistema de informação que continue valendo a pena para quem cria conteúdo.