HoliCHIC levanta US$ 1,5 mi e fecha com Nordstrom para crescer
Fundadora da holiCHIC, Megha Rao transforma saris em moda contemporânea, fecha parceria com a Nordstrom e levanta US$ 1,5 milhão em rodada seed para acelerar expansão global.

Tech Desk
Startup de moda contemporânea conquista investimento e parceria para expansão internacional acelerada.
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A estilista e ex-profissional de vendas financeiras Megha Rao acaba de levar a holiCHIC a um novo patamar: depois de quase 10 anos construindo a marca de forma autônoma, ela fechou parceria com a Nordstrom e levantou US$ 1,5 milhão em uma rodada seed para impulsionar a expansão da grife de moda que mistura saris tradicionais com elementos contemporâneos.
De Queens ao pop-up que abriu a porta da Nordstrom
Filha de imigrantes sul-asiáticos e criada em Queens, em Nova York, Rao começou a holiCHIC a partir de uma necessidade pessoal de se ver nas roupas que vestia. “Growing up in Queens, I could never quite find clothes that felt like me. So I started making them. First for myself, mixing my mother’s saris with denim and leather. Then for friends and family. Then somehow, a whole community”, conta a fundadora.
O trabalho autoral, que une bordados e tecidos típicos a blazers, jeans e couro, ganhou força em eventos e redes sociais até virar negócio. Por quase uma década, Rao tocou a marca em esquema de bootstrapping, reinvestindo o próprio caixa enquanto ainda trazia na bagagem a experiência no mercado financeiro.
Consumidora frequente da Nordstrom, ela passou a mirar uma parceria com a varejista. Foram meses de cold calls até conseguir, em 2023, um espaço de pop-up na loja flagship da rede em Nova York, pouco antes do Diwali. “The pop-up show was a massive success, and we exceeded our expectations over those three days”, diz. O desempenho abriu caminho para uma reunião com o time de compras e resultou em uma parceria online com a Nordstrom.
Rodada seed de US$ 1,5 milhão e salto nas vendas
Depois de anos financiando sozinha o crescimento e levando a holiCHIC a uma receita de sete dígitos, Rao decidiu que era hora de acelerar. Em maio, ela concluiu uma rodada seed de US$ 1,5 milhão, liderada por um investidor-anjo único, alinhado à visão da marca. “Our angel investor understands our vision. They respect and appreciate how we have grown our business steadily. It was really the right fit”, afirma.
Desde o aporte, as vendas da holiCHIC cresceram 47%, reforçando a leitura de que o negócio já tinha tração antes da entrada do capital externo. Rao diz que a principal preocupação era não perder o embalo conquistado após a parceria com a Nordstrom. “My biggest fear was that we wouldn’t be able to keep up with the momentum after the success we have seen with Nordstrom”, admite.
A análise dos dados mostrou um movimento importante: uma fatia crescente de clientes não se identifica como sul-asiática, mas passou a adotar as peças pela estética e pela qualidade, sinal de que a proposta de misturar tradição e modernidade começou a furar a bolha da comunidade de origem da marca.
Do bootstrapping ao crescimento acelerado
Rao não romantiza o período em que financiou tudo sozinha. “Being bootstrapped is a rollercoaster ride. You have one great month, and then next month there’s a lull, and your profit is eaten up. At the same time, it’s your business. You take inputs from others but you make the final call”, resume.
Segundo a empreendedora, a decisão de buscar investimento não veio para “testar” o modelo de negócio, mas para escalar o que já funcionava. O momento mostrou estar bem escolhido: pouco depois do acordo com a Nordstrom, a Amazon Fashion se aproximou para discutir parcerias, o que reforçou a necessidade de ter caixa para aproveitar oportunidades de maior exposição.
Rao diz que cogitou trazer mais de um investidor, mas optou por um único anjo que bancou todo o cheque da rodada. Isso reduziu a necessidade de conciliar visões diferentes e, ao mesmo tempo, manteve a governança mais simples numa fase em que a empresa ainda está estruturando time, processos e expansão geográfica.
Entenda o contexto
A holiCHIC faz parte de um movimento de marcas independentes que usam referências culturais específicas como base para produtos globais — neste caso, roupas inspiradas em trajes do sul da Ásia, adaptadas ao guarda-roupa ocidental. A proposta dialoga com consumidores que buscam identidade e autenticidade, mas sem abrir mão de versatilidade e uso no dia a dia.
No varejo de moda, o sucesso do pop-up na Nordstrom e o posterior acordo online mostram que grifes de nicho conseguem chegar a grandes redes quando apresentam comunidade engajada, produto consistente e narrativa forte. Para o mercado de investimentos, o aporte na holiCHIC reforça o interesse em marcas D2C (direto ao consumidor) com potencial de escalar a partir de raízes culturais.
Para onde vai a holiCHIC depois da rodada?
O plano de uso do capital é direto: investir mais pesado em marketing, em parcerias com influenciadores e em canais digitais estratégicos como Amazon Fashion e TikTok Shop. A empresa também está ampliando a linha masculina, holiCHIC Men, com foco em caimento e estilo, de olho em quem acompanha as clientes em casamentos, festas e eventos culturais.
Geograficamente, a prioridade imediata são Estados Unidos e Canadá, onde a marca já é mais conhecida. Em paralelo, Rao prepara a entrada estruturada em Reino Unido, Índia e Oriente Médio, mercados com forte presença de diásporas sul-asiáticas e público interessado em moda que reflita essa herança.
Pensando em novas rodadas, a fundadora diz que não tem pressa e que qualquer captação futura será condicionada a metas claras de receita e consolidação da operação. O conselho que ela deixa para outros empreendedores é direto: “Don’t raise money to find momentum. Raise money to fuel it”.

