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Inteligência Artificial

Como IA acelera investigações e aperta cerco ao narcotráfico hoje

Denarc reúne em Porto Alegre policiais e integrantes do Judiciário para discutir como a inteligência artificial, com ferramentas como o Copilot, acelera investigações e aperta o cerco ao crime organizado.

Como IA acelera investigações e aperta cerco ao narcotráfico hoje

Inteligência Artificial

Evento em Porto Alegre destaca o uso do Copilot para agilizar investigações contra o crime organizado.

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A inteligência artificial entrou de vez na rotina das forças de segurança e virou protagonista do 1º Encontro Técnico Nacional de Repressão ao Narcotráfico, às Organizações Criminosas e à Lavagem de Dinheiro, que ocorre nesta semana no auditório da Federação Gaúcha de Futebol, em Porto Alegre, promovido pelo Denarc da Polícia Civil do Rio Grande do Sul. Entre hoje e sexta-feira, policiais civis, federais e militares, promotores de Justiça e juízes de várias regiões do país discutem como usar tecnologia para acelerar investigações e apertar o cerco ao crime organizado.

Como a inteligência artificial está sendo usada no combate ao narcotráfico no Brasil?

No caso apresentado em Porto Alegre, a inteligência artificial já é usada para automatizar a parte mais burocrática de inquéritos de narcotráfico, como análise financeira e cruzamento de dados, liberando policiais para o trabalho de rua. O exemplo vem de Bagé, na fronteira gaúcha, onde a Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco) trabalha há três anos com ferramentas de IA para rastrear faturamento de quadrilhas, mapear lavagem de dinheiro e comprovar vínculos entre suspeitos em diferentes investigações.

A palestra que abriu o encontro, intitulada “Inteligência Artificial Aplicada à Investigação de Narcotráfico: como agentes de IA podem automatizar triagem de dados, cruzamento de vínculos e produção de relatórios de investigação”, foi conduzida pelo delegado Cristiano Ribeiro Ritta, titular da Draco de Bagé, com mediação do delegado Antonio Carlos Ractz Junior, da Delegacia de Repressão à Lavagem de Dinheiro do Denarc.

Ritta detalhou que, na prática, a IA assume tarefas como peneirar planilhas, extrair informações de registros telefônicos, cruzar endereços e nomes e gerar relatórios, em uma velocidade inalcançável para equipes humanas. Com isso, a equipe consegue comprovar de forma mais rápida e robusta a existência de associações criminosas, o fluxo do dinheiro da droga e os disfarces usados para lavar os lucros ilegais.

“Por meio do Copilot (assistente de IA desenvolvido pela Microsoft), criamos ferramentas específicas para acelerar inquéritos policiais. Programamos o computador para analisar planilhas, buscar telefones, endereços e nomes, em velocidade muito maior que a humana. Isso torna possível estabelecer correlações entre investigações (e investigados) ao longo do tempo e comprovar que agem como associação criminosa”, explicou o delegado durante o encontro.

Ferramentas digitais a serviço das investigações

O Copilot, citado por Ritta, é o coração da estratégia tecnológica apresentada em Porto Alegre. A partir dele, a equipe da Draco de Bagé desenvolveu rotinas que leem automaticamente grandes volumes de dados — como extratos, notas fiscais, planilhas de movimentação de bens e registros telefônicos — e apontam padrões suspeitos. A IA também auxilia na organização cronológica de fatos, na visualização de redes de relacionamento e na elaboração de peças de investigação que subsidiam pedidos de prisão, buscas e bloqueios de bens.

O objetivo, segundo os delegados, é que a máquina faça o trabalho de garimpo de dados, enquanto os policiais se concentram em vigilâncias, interrogatórios, operações de campo e decisões estratégicas. Com menos tempo gasto em tarefas repetitivas, as equipes conseguem abrir mais frentes de investigação e aprofundar casos complexos de narcotráfico e lavagem de dinheiro.

Resultados em Bagé inspiram expansão da tecnologia

Na palestra, Ritta afirmou que o impacto da IA já aparece nos indicadores de segurança de Bagé. Ele atribui à tecnologia parte fundamental da redução da criminalidade na cidade ao longo dos últimos três anos, período em que a delegacia passou a usar sistematicamente o Copilot em suas apurações.

“Foi assim que nos últimos três anos conseguimos tornar Bagé uma das cidades mais seguras do Rio Grande do Sul, se comparada com as do mesmo porte”, destacou o delegado, defendendo que a experiência sirva de modelo para outras regiões do país.

Além do narcotráfico, as mesmas ferramentas vêm sendo empregadas para identificar padrões de comportamento de assediadores de mulheres, com foco na prevenção de feminicídios, e em investigações de roubos de carros e homicídios. A leitura automatizada de ocorrências, a detecção de reincidências e a identificação de conexões entre casos que pareciam isolados são alguns dos usos relatados.

Entenda o contexto

O encontro técnico, organizado pelo Denarc, começou na quarta-feira e segue até sexta, com acesso restrito a convidados. A plateia é formada por policiais de diferentes forças, promotores e juízes interessados em incorporar tecnologia às rotinas de investigação e julgamento. Entre os temas em debate estão o uso de IA em análise financeira, o rastreamento de organizações criminosas, a produção de provas digitais e a articulação entre polícia e Judiciário diante de sistemas cada vez mais informatizados.

A avaliação dominante entre os participantes é de que a IA tende a se tornar ferramenta padrão no combate ao crime organizado, exigindo investimentos em capacitação, infraestrutura tecnológica e protocolos de segurança de dados. Ao mesmo tempo, o avanço das tecnologias deve alimentar discussões sobre privacidade, limites de uso de informações pessoais e necessidade de regulamentação específica para o emprego de algoritmos em investigações criminais.

Quais resultados já foram alcançados com o uso da inteligência artificial no combate ao narcotráfico?

O principal resultado concreto apresentado no encontro é a mudança no cenário de segurança em Bagé, que passou a figurar entre as cidades mais seguras do Rio Grande do Sul na sua faixa de porte após três anos de uso de IA nas investigações. Segundo o delegado Cristiano Ritta, a automação da análise de dados financeiros e de vínculos entre suspeitos foi decisiva para desarticular quadrilhas de tráfico e diminuir a violência ligada ao crime organizado na região.

Outro efeito relatado é o ganho de velocidade e qualidade dos inquéritos. Com relatórios mais completos e cruzamentos de dados mais precisos, as autoridades afirmam que conseguem demonstrar com maior clareza o papel de cada suspeito na engrenagem criminosa, o que fortalece pedidos de medidas judiciais e ações penais. A expansão do uso da IA para áreas como a prevenção de feminicídios, investigação de roubos de veículos e homicídios também é apontada como avanço direto dessa nova forma de trabalhar com tecnologia na segurança pública.