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Inteligência Artificial

IA argentina detecta fraudes em imóveis e corrige preços em 2026

Plataformas argentinas como Inmocheck e Roomix usam inteligência artificial para limpar dados, corrigir preços e endereços, detectar golpes e oferecer buscas avançadas por imóveis.

IA argentina detecta fraudes em imóveis e corrige preços em 2026

Inteligência Artificial

Soluções argentinas inovam no mercado imobiliário ao identificar fraudes e ajustar valores com tecnologia avançada.

Leia também: Golpes com IA crescem 70% e burlam bancos: saiba se proteger

Duas plataformas argentinas de inteligência artificial, a Inmocheck e a Roomix, começam a redesenhar o mercado imobiliário do país ao corrigir anúncios com preços enganosos, localizar imóveis com precisão, detectar fraudes e oferecer buscas mais inteligentes para quem quer comprar ou alugar.

IA entra em cena para limpar dados e dar “segunda opinião”

O ponto de partida é um problema conhecido por qualquer interessado em imóvel na Argentina: anúncios com valores que escondem 36 parcelas depois da entrada, apartamentos anunciados em Palermo que ficam em Colegiales e o mesmo imóvel aparecendo duas vezes com preços diferentes. Para Cristian Rajani, cofundador da Inmocheck, a raiz está na baixa qualidade das informações. “Entre 60% e 70% das informações são inseridas incorretamente”, afirma.

Criada para enfrentar esse cenário, a Inmocheck centraliza dados de portais imobiliários, redes sociais e outros sites, depura e corrige essas informações e cruza tudo com bases oficiais do Ministério de Estatísticas e Censos da Cidade de Buenos Aires. O sócio Esteban Vázquez Ortega, corretor com longa experiência no setor, resume o trabalho como um grande filtro que limpa e organiza o mercado em tempo real.

Com esse banco de dados saneado, a plataforma gera relatórios personalizados, faz avaliações de imóveis com apoio de IA e permite explorar, em um mapa interativo nacional — o Deepmarket — preços de venda e aluguel, atratividade de cada região, potencial de empreendimentos e indicadores como taxa de capitalização e retorno estimado para quem quer investir e depois alugar.

Rajani compara a ferramenta a consultar outro especialista antes de fechar negócio. “Se um corretor afirma que uma casa de US$ 200 mil em Caballito é uma oportunidade, o comprador pode verificar essa informação na Inmocheck”, diz. Segundo ele, o acesso é feito por uma interface simples: “Você tem uma caixinha no estilo do Google, na qual escreve o que quer saber, e nossa inteligência artificial responde consultando os dados depurados que temos para montar um relatório personalizado”.

Correção de preços e anúncios enganosos

Entre os alvos prioritários da Inmocheck estão anúncios de imóveis que destacam valores artificialmente baixos. Casos de propriedades oferecidas por “US$ 20 mil” em áreas valorizadas, em que o valor corresponde apenas à entrada, seguida de dezenas de parcelas, são identificados automaticamente pelos algoritmos.

Quando isso acontece, a plataforma calcula o valor real do negócio, somando todas as parcelas, e apresenta o preço final ao usuário ou simplesmente exclui o anúncio da base. O objetivo declarado é reduzir armadilhas para compradores e locatários e forçar uma padronização mínima nas informações, algo que hoje ainda falta em muitos portais tradicionais.

Como funciona o buscador Roomix com IA?

A Roomix ataca o problema por outro lado: a experiência de busca. Criada por Ignacio Gorriti, a plataforma se apresenta como um “buscador imobiliário” baseado em IA, com cerca de 600 mil visitas mensais e uma rodada de investimento de US$ 500 mil já captada junto a investidores ligados a grandes empresas de tecnologia.

Em vez de obrigar o usuário a preencher dezenas de campos, a Roomix aceita pesquisas em linguagem natural. “É possível pesquisar por ‘apartamento em Mar del Plata com vista para o mar’, e o sistema apresenta imóveis com fotos nas quais seja possível ver o mar”, explica Gorriti. A IA também permite que o usuário envie imagens de referência para que o sistema procure na internet propriedades semelhantes à foto enviada.

Outro diferencial é o cálculo automático de um índice de luminosidade do imóvel, combinando a orientação do prédio com o brilho das fotos e a detecção de janelas nas imagens. Há ainda um “modo viagem”, que estima o tempo de deslocamento de carro, bicicleta ou a pé até endereços de interesse, como o local de trabalho, recurso útil para quem avalia morar em bairros mais afastados.

Nos filtros, a plataforma tenta equilibrar rigidez e flexibilidade. O usuário pode marcar características desejáveis, mas não obrigatórias — como churrasqueira — e excluir aquilo que não quer ver de jeito nenhum, por exemplo imóveis ainda na planta. Um comparador de propriedades, coleções colaborativas para buscas em casal ou família e o cálculo automático de preço por metro quadrado completam o pacote.

Alertas personalizados e histórico de preços

No dia a dia, o coração do sistema é o TipMatch, um alerta personalizado que acompanha o mercado conforme o perfil definido pelo usuário. A IA analisa os anúncios diariamente, atribui uma pontuação a cada imóvel e justifica as recomendações apresentadas na tela. “É como se você tivesse alguém procurando por você”, diz Gorriti.

O fundador reforça que o sistema evita empurrar ofertas desinteressantes apenas para manter o usuário ativo. “Se não aparece nada, a ferramenta não envia recomendações só por enviar”, afirma. Outra função exibe o histórico de preços de imóveis anunciados há meses, destacando as reduções feitas ao longo do tempo — informação que, na visão da empresa, dá mais poder de negociação a quem está com a caneta na mão.

Detector de fraudes e correção de endereços

Para tentar blindar os usuários de golpes, a Roomix opera um detector de fraudes alimentado por denúncias da própria comunidade. A base reúne números de telefone e contas suspeitas, além de anúncios de “proprietários” que, na prática, utilizam fotos de imobiliárias sem autorização. Segundo Gorriti, há um padrão claro nos casos identificados: “É anunciar um preço exageradamente baixo”.

A plataforma também tenta resolver um vício antigo do setor: imóveis anunciados em bairros mais valorizados do que sua localização real. “Muitas imobiliárias anunciam apartamentos em Palermo que, na verdade, ficam em Colegiales, por exemplo”, conta o fundador. A partir da geolocalização correta, a IA ajusta o anúncio, fixa o bairro verdadeiro como referência e destaca essa correção na ficha do imóvel, um problema que, segundo ele, aparece com mais frequência em locações do que em vendas.

Entenda o contexto

O avanço de ferramentas como Inmocheck e Roomix acontece em um mercado acostumado a operar com forte assimetria de informação entre quem vende e quem compra. Em um cenário em que até sete em cada dez anúncios podem ter algum dado errado, a promessa de cruzar automaticamente as ofertas com bases oficiais, limpar duplicidades, expor o preço real e apontar possíveis fraudes muda o equilíbrio de forças.

Corretores, imobiliárias e plataformas tradicionais tendem a ser pressionados a revisar padrões de publicação, tempo de resposta e transparência de dados. Ao mesmo tempo, parte do setor vê as novas tecnologias como ameaça à forma tradicional de atuação e resiste a adotar sistemas mais integrados e rastreáveis.

Para os fundadores das startups, porém, o movimento é inevitável e tende a se aprofundar com novas funções de análise, maior integração com dados públicos e parcerias com órgãos reguladores e empresas do setor. A expectativa é que, com o tempo, a presença de IA em todas as etapas — da busca à negociação — passe a ser vista não como diferencial, mas como requisito básico de um anúncio imobiliário confiável.