Mercados
S&P 5007.624▼ 0,52%Nasdaq25.955▼ 0,21%Dow Jones52.215▼ 1,23%Ibovespa205.083▲ 0,47%FTSE 10010.690▼ 0,32%DAX25.182▼ 0,75%Nikkei62.693▼ 0,34%DólarR$ 4,97– 0,00%EuroR$ 5,58▼ 1,51%BitcoinR$ 399.296▼ 0,46%Powered by WIREDESK OSS&P 5007.624▼ 0,52%Nasdaq25.955▼ 0,21%Dow Jones52.215▼ 1,23%Ibovespa205.083▲ 0,47%FTSE 10010.690▼ 0,32%DAX25.182▼ 0,75%Nikkei62.693▼ 0,34%DólarR$ 4,97– 0,00%EuroR$ 5,58▼ 1,51%BitcoinR$ 399.296▼ 0,46%Powered by WIREDESK OS
Powered by WIREDESK OS
Inteligência Artificial

IA em currículos atrasa 74% das seleções e complica contratações

Pesquisa com 500 recrutadores mostra que currículos feitos por inteligência artificial aumentam candidaturas, mas atrasam em mais de duas semanas 74% das contratações no Brasil.

IA em currículos atrasa 74% das seleções e complica contratações

Inteligência Artificial

Estudo revela impacto negativo da IA na agilidade dos processos seletivos no mercado de trabalho brasileiro.

Leia também: Mulher mantém relação com IA do protagonista The Witcher 3

O uso de inteligência artificial na elaboração de currículos já atrasa em mais de duas semanas os processos seletivos de 74% das empresas brasileiras, segundo pesquisa realizada nesta semana com 500 profissionais responsáveis por decisões de contratação. A enxurrada de documentos padronizados obriga recrutadores a criar etapas extras de verificação e torna mais difícil identificar as competências reais de cada candidato.

Por que o uso de inteligência artificial em currículos está atrasando 74% das contratações?

Os processos seletivos ficam mais longos porque a IA multiplica o volume de candidaturas e produz currículos e cartas de apresentação muito parecidos entre si, o que exige entrevistas adicionais e testes práticos para separar quem realmente tem as habilidades exigidas. O levantamento mostra que as ferramentas generativas facilitaram a inscrição em massa para vagas, mas reduziram o grau de personalização e de clareza sobre a trajetória profissional.

De acordo com a pesquisa, 53% dos entrevistados relatam dificuldades específicas com o aumento de materiais de candidatura produzidos com IA. Para tentar recuperar a precisão das escolhas, 33% das empresas já incorporaram entrevistas extras, dinâmicas e outras etapas de triagem para checar cada informação relevante.

Caio Arnaes, diretor de mercado da Robert Half, avalia que a triagem deixou de ser um filtro baseado apenas em papel. “Entrevistas e outras etapas de avaliação desempenham um papel ainda mais importante nos processos seletivos. A tecnologia pode apoiar tanto as candidaturas quanto o recrutamento, mas a validação das competências continua exigindo avaliação humana e verificações adicionais por parte das empresas”, afirma.

Ao mesmo tempo, 21% dos responsáveis pelas contratações admitem ter dificuldade para distinguir documentos autênticos daqueles elaborados com auxílio da IA. Esse cenário aumenta o risco de candidatos pouco aderentes chegarem às fases finais, o que força empresas a refazer parte do caminho ou abrir novas rodadas de avaliação.

Quais são os principais desafios do uso de IA na análise de currículos segundo a pesquisa?

O principal desafio apontado pelos recrutadores é a padronização excessiva dos currículos, que apaga o diferencial entre perfis e esconde o que cada profissional realmente sabe fazer. Textos genéricos, com descrições amplas de competências e resultados, dificultam a checagem da experiência prática e exigem perguntas mais detalhadas nas entrevistas.

Outro problema é a combinação de IA dos dois lados do balcão: candidatos usando ferramentas para montar currículos e empresas utilizando sistemas automatizados para triagem. “Há um problema quando você tem candidato que construiu um currículo por IA e uma empresa que usa IA para fazer a triagem deste processo seletivo”, alerta Leonardo Berto, gerente regional da Robert Half. Nesses casos, expressões recorrentes geradas por robôs podem ser lidas como sinal de aderência, mesmo quando não refletem a vivência do profissional.

Para reduzir esses ruídos, especialistas recomendam que os responsáveis pela seleção façam leitura minuciosa dos documentos, cruzem as informações com o que é dito na entrevista e proponham situações práticas e perguntas técnicas que obriguem o candidato a demonstrar domínio do que afirma ter realizado.

Entenda o contexto

Os atrasos acontecem em um mercado no qual 42% das empresas brasileiras pretendem ampliar suas equipes permanentes no segundo semestre. A inteligência artificial, ao mesmo tempo em que acelera tarefas internas e aumenta a produtividade, também se converteu em ferramenta de candidatos para ganhar tempo na preparação de currículos e cartas de apresentação.

Dados da Fundação Getulio Vargas indicam que o uso da IA vem crescendo rapidamente nas organizações. Em um universo de 3.000 empresas, a adoção passou de 28,7% para 45 no período recente, e a fatia das que enxergam aumento de produtividade com a tecnologia subiu de 52% para 64%. Ou seja, a IA se espalha tanto na operação quanto nos processos de gestão de pessoas.

Para Levi Torres, supervisor de TI da Mazurky, o ganho depende da forma como a tecnologia é encaixada na estratégia da companhia. “A IA é uma ferramenta poderosa, mas ela amplifica o que já existe. Se o alicerce estratégico estiver frágil, o resultado também será”, afirma. Na visão dele, a automação libera tempo para análise e decisão, mas não substitui o trabalho humano de pensar antes de agir.

Como a inteligência artificial está impactando o processo seletivo no Grande ABC?

No Grande ABC, onde predominam setores tradicionais como o automotivo, o metalúrgico e o químico, o impacto dos currículos produzidos por IA é ainda mais sensível. Essas indústrias atravessam processos de modernização em parques fabris antigos e dependem de profissionais com qualificação técnica muito específica, o que torna a checagem das habilidades um ponto crítico.

Gestores da região relatam que a combinação de vagas técnicas complexas com documentos padronizados leva a mais entrevistas presenciais, provas práticas em chão de fábrica e avaliações em laboratório. Em vez de confiar apenas no que está escrito, empresas pedem que candidatos simulem operações, expliquem processos e descrevam decisões tomadas em situações reais.

Para especialistas em recrutamento, companhias que adotam esse modelo mais detalhado tendem a ganhar em qualidade e assertividade nas contratações, mesmo arcando com processos mais longos e que exigem mais gente dedicada à seleção. Já as que apostam quase exclusivamente em triagens automatizadas correm maior risco de aprovar perfis decorados pela IA e não preparados para o dia a dia da função.

Consultores ouvidos pelas empresas da região avaliam que os próximos passos passam por combinar tecnologia e avaliação humana, além de capacitar recrutadores para identificar sinais de texto gerado por IA e aprofundar a investigação em áreas críticas. Para os profissionais em busca de emprego, a tendência é que se tornem diferenciais a honestidade na descrição das experiências, a capacidade de explicar o próprio currículo e a habilidade de usar a IA como apoio, e não como substituta de sua trajetória.