Mercados
S&P 5007.738▲ 0,33%Nasdaq26.660▲ 0,89%Dow Jones52.537▲ 0,08%Ibovespa207.622▼ 0,32%FTSE 10010.743▲ 0,09%DAX25.598▲ 1,16%Nikkei64.621▲ 0,85%DólarR$ 5,03▲ 0,05%EuroR$ 5,64▲ 0,06%BitcoinR$ 425.385▲ 2,08%Powered by WIREDESK OSS&P 5007.738▲ 0,33%Nasdaq26.660▲ 0,89%Dow Jones52.537▲ 0,08%Ibovespa207.622▼ 0,32%FTSE 10010.743▲ 0,09%DAX25.598▲ 1,16%Nikkei64.621▲ 0,85%DólarR$ 5,03▲ 0,05%EuroR$ 5,64▲ 0,06%BitcoinR$ 425.385▲ 2,08%Powered by WIREDESK OS
Powered by WIREDESK OS
Lançamentos de IA

IA dificulta avaliação de equipes para 56% dos gestores em 2026

Pesquisa com 1.700 gestores mostra que a adoção de IA elevou a carga de trabalho, complicou avaliações de desempenho e criou novos riscos de viés e responsabilidade.

IA dificulta avaliação de equipes para 56% dos gestores em 2026

Tecnologia

Estudo revela que a inteligência artificial aumenta desafios na gestão de equipes e avaliações de desempenho.

Leia também: Startup de IA ASI capta US$ 325 mi e vale US$ 3 bi

A adoção acelerada de ferramentas de inteligência artificial no ambiente corporativo está virando a rotina de gestores seniores e diretores de cabeça para baixo: mais da metade deles diz ter mais dificuldade para avaliar o trabalho das equipes, gasta mais tempo revisando entregas e ainda precisa supervisionar um número crescente de agentes de IA, com medo de perder o controle e assumir a culpa por decisões automatizadas.

Por que a inteligência artificial tem sido um problema para gerentes, segundo a pesquisa?

O levantamento, feito com 1.700 diretores e gestores seniores em sete países, mostra um paradoxo: 94% dos líderes dizem estar entusiasmados com o potencial da IA para melhorar o trabalho, mas a tecnologia vem criando uma série de novos problemas de gestão. O principal deles é que o trabalho agora chega às lideranças muito mais “polido”, após passar por ferramentas de IA, o que dificulta saber onde termina a contribuição do funcionário e onde começa a da máquina.

Na prática, mais da metade dos gestores relata que, depois da adoção da IA, ficou mais difícil avaliar o desempenho individual. Como resposta, quase metade afirma que hoje gasta mais tempo revisando e orientando as entregas das equipes. A produtividade prometida pela tecnologia aparece, mas à custa de um aumento de carga para quem lidera times.

Para Michal Miller Levi, head de pesquisa de mercado e insights do cliente da Monday.com, o descompasso entre tecnologia e organização explica boa parte da angústia atual. “AI works very well for [managers] individually, but they also have a different role as managers. They need to drive the organization as well […] Their struggle is [due to] the fact that AI is just moving faster than the organizational processes”, afirma.

Ao mesmo tempo, 78% dos entrevistados já mudaram seus critérios de avaliação para tentar se adaptar. Em vez de olhar só para o produto final, eles passaram a valorizar habilidades como criar bons comandos para IA, decidir o que delegar às máquinas e experimentar novos métodos de trabalho. Isso ajuda a enxergar melhor o papel do humano, mas ainda não resolve a dificuldade central de atribuir mérito de forma justa.

Como a IA está afetando o papel dos gerentes nas empresas atualmente?

O dia a dia da gestão ficou mais complexo. Além de coordenar pessoas, muitos líderes agora definem quais tarefas serão entregues a agentes de IA, acompanham o que essas ferramentas produzem e entram em cena quando algo sai do esperado. Essa supervisão constante cria uma camada de “trabalho invisível” que não aparece nos relatórios de produtividade, mas consome tempo e energia.

A pesquisa aponta que 58% dos gestores esperam, já no próximo ano, supervisionar mais agentes de IA do que funcionários humanos. Nesse cenário, 46% dizem temer perder o controle sobre o que esses agentes fazem e 35% têm medo de serem responsabilizados por decisões tomadas pela tecnologia, que ainda pode reagir de maneiras difíceis de prever.

Mesmo assim, os gestores não querem abrir mão da supervisão humana. “They don’t want their agents to be fully autonomous”, resume Levi, explicando que líderes querem ser consultados e manter a palavra final em tarefas e decisões críticas.

Como a IA está impactando a produtividade nas equipes gerenciadas?

Do ponto de vista das entregas, a IA aumenta a velocidade e melhora a aparência do trabalho apresentado pelos times, o que alimenta o entusiasmo de 94% dos gestores. Documentos, apresentações e análises chegam mais bem estruturados, com menos erros aparentes, e muitas tarefas operacionais foram aceleradas.

Mas o custo aparece na gestão: quase metade dos líderes relata gastar mais tempo revisando trabalhos, justamente porque a camada de “polimento” da IA pode mascarar falhas de raciocínio, dados errados ou decisões discutíveis. Em vez de simplificar o acompanhamento, a tecnologia torna a revisão mais minuciosa e, muitas vezes, mais demorada.

Além disso, 46% dos gestores usam IA para ajudar em decisões, e 39% recorrem à tecnologia para redigir avaliações de desempenho. Isso pode tornar os processos mais rápidos, mas abre espaço para um novo tipo de risco: o de importar vieses escondidos nos modelos para dentro de decisões sobre carreira, promoções e bônus.

Quais desafios os gerentes enfrentam ao implementar IA no trabalho?

Além da avaliação de desempenho, a pesquisa mostra que a estrutura tecnológica das empresas também ficou mais complicada. Em vez de reduzir o número de softwares, a IA multiplicou as ferramentas em uso. Hoje, 57% dos gestores dizem lidar com mais aplicações do que antes e 51% relatam maior interdependência entre elas, com sistemas conectados em cadeias que nem sempre são fáceis de entender.

Apenas 29% descrevem a infraestrutura de IA de suas organizações como otimizada e centralizada. O restante vive um cenário de “pilha” tecnológica mais pesada, com integrações frágeis, sobreposição de funções e uso paralelo de ferramentas não homologadas pelas empresas.

Levi conta que as expectativas eram bem diferentes. “Managers completed 2025 with the feeling that they will consolidate tools, actually; that they’ll reduce the number of software. But what happened is that the number of tools that they’re using increased. More than 50% are saying that they’re using more tools now than they did last year, and it’s not stopping […]”, afirma.

Outro ponto sensível é o risco de viés nas avaliações. Com 46% dos gestores usando IA para informar decisões e 39% delegando à tecnologia a redação de avaliações de desempenho, cresce a preocupação de que modelos de linguagem reproduzam preconceitos presentes em dados de treinamento e em práticas antigas de gestão. Pesquisas citadas no relatório já identificam vieses em julgamentos de performance e seleção de candidatos, inclusive com impacto desigual entre grupos sociais.

A pesquisa aponta alguma solução para os problemas causados pela IA na gestão?

O estudo não oferece uma “receita” pronta, mas indica caminhos que as empresas começam a trilhar e dilemas que ainda estão em aberto. De um lado, 78% dos gestores já redesenharam seus critérios de avaliação para incluir competências ligadas ao uso responsável da IA, como criar prompts claros, delegar com critério e testar novas formas de trabalhar.

De outro, ainda não há respostas consolidadas para as questões mais delicadas, como o controle de vieses em avaliações automatizadas e a definição de quem responde por decisões tomadas com apoio intenso de IA. A própria Levi reconhece que as organizações ainda estão tentando entender como lidar com esses problemas.

Os próximos passos devem envolver esforços para consolidar e integrar melhor ferramentas, criar políticas claras de uso da IA em processos de gestão de pessoas e treinar líderes para equilibrar ganhos de produtividade com supervisão ética e responsável. Até lá, o que se vê nas empresas é um cenário de entusiasmo tecnológico misturado com apreensão — e gestores tentando acompanhar uma tecnologia que avança mais rápido do que os processos que deveriam sustentá-la.

Fonte: matéria original