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Inteligência Artificial

IA impulsiona vendas em 40% de tintas para data centers nos EUA

Boom de data centers para suportar sistemas de inteligência artificial faz PPG prever triplicar vendas neste ano e impulsiona mercado de revestimentos cinza, com foco em proteção contra fogo e ferrugem.

Inteligência Artificial

Crescimento dos data centers nos EUA eleva demanda por tintas especiais, com proteção aprimorada contra fogo e ferrugem.

Leia também: UFSM lança guia para uso ético de inteligência artificial

O avanço da inteligência artificial está abrindo um novo filão para a indústria química: fabricantes como PPG e Sherwin-Williams veem disparar, nesta semana, a demanda por tintas especializadas usadas no revestimento de data centers, sobretudo nos Estados Unidos, onde as big techs correm para erguer novas instalações.

Esses produtos, quase sempre em tons de cinza, deixam a estética em segundo plano e passam a ser peça de segurança. Eles protegem estruturas metálicas e equipamentos contra incêndio, ferrugem e eletricidade estática, reduzindo o risco de colapsos em centros que precisam funcionar 24 horas por dia para sustentar sistemas de IA.

Como a inteligência artificial está impulsionando as vendas de tintas cinzas?

O crescimento explosivo de aplicações de inteligência artificial leva as big techs a construir e ampliar data centers em escala global, o que multiplica a demanda por tintas técnicas, majoritariamente cinzas, projetadas para proteger essas instalações.

Com mais servidores, cabos e estruturas metálicas concentrados em galpões gigantes, aumenta também a pressão por normas rígidas de segurança contra fogo e corrosão. Para atender a esse cenário, a PPG afirma que “espera triplicar suas vendas para data centers neste ano”, em uma sinalização direta de que a IA virou motor de negócios para o segmento de revestimentos industriais.

A Sherwin-Williams segue o mesmo movimento e relata um salto nas encomendas ligadas a infraestrutura digital. Segundo a empresa, ela “vem registrando aumento de tintas específicas, usadas em todos os cantos das instalações, desde vigas de aço até racks de servidores”.

Na prática, cada novo data center voltado a processar modelos de IA em nuvem consome milhares de litros de revestimentos de alto desempenho: do piso técnico às paredes internas, passando por estruturas metálicas, tubulações e salas de equipamentos sensíveis.

Por que a cor cinza está se tornando mais popular com o uso da inteligência artificial?

A ascensão da inteligência artificial puxa a construção de data centers e, com ela, consolida o cinza como cor dominante porque esses ambientes priorizam funcionalidade, padronização e controle visual sobre qualquer preocupação estética.

As empresas de tecnologia têm optado por tons neutros justamente por enxergarem esses galpões como zonas técnicas, onde conta mais a performance dos sistemas do que o design interno. O cinza facilita a manutenção, esconde melhor sujeira e desgaste e cria um fundo uniforme para identificação de tubulações, cabos e sinalizações de segurança em outras cores.

Embora a tonalidade em si não melhore nem piore a proteção, os revestimentos especializados que evitam fogo, ferrugem e eletricidade estática acabam, em sua maioria, sendo encomendados nesses tons. O resultado é um aumento visível das vendas de tintas cinzas, puxado diretamente pelo ritmo das obras de data centers dedicados à IA.

Entenda o contexto

No centro dessa transformação está um tipo de produto altamente técnico. A PPG, por exemplo, produz o Steelguard 951, um revestimento intumescente — categoria de tinta que se expande ao ser exposta ao calor extremo, criando uma camada isolante sobre o metal.

Em testes, o Steelguard 951 aumenta de 1 milímetro para quase 10 milímetros de espessura quando entra em contato com o fogo, formando uma crosta que impede que as chamas atinjam diretamente o aço de sustentação. Segundo a PPG, “o Steelguard 951 pode proteger o metal por até quatro horas durante um incêndio”.

Esse tempo extra é crucial para a evacuação de equipes, a atuação de sistemas automáticos de combate e a chegada de bombeiros. Em data centers, onde cada minuto de parada significa prejuízo milionário e risco para serviços digitais no mundo todo, a resistência ao fogo deixa de ser detalhe técnico e vira requisito estratégico.

Além da proteção térmica, os revestimentos usados nessas instalações precisam combater corrosão, já que fatores como umidade, variações de temperatura e presença de agentes químicos podem comprometer estruturas metálicas. Há ainda tintas formuladas para minimizar o acúmulo de eletricidade estática, que pode interferir em equipamentos sensíveis.

Esse pacote de exigências técnicas leva o setor de tintas a sair da lógica tradicional, voltada à decoração de casas e fachadas, para operar em parceria direta com engenheiros, projetistas de data centers e equipes de segurança. O resultado é uma nova frente de negócios, com margens mais ligadas à tecnologia e menos ao varejo comum.

Indústria química em rota com as big techs

O otimismo de PPG e Sherwin-Williams indica que outras fabricantes de tintas e químicos de construção devem correr para ocupar esse nicho. A corrida por produtos capazes de suportar temperaturas extremas, atmosferas corrosivas e requisitos elétricos específicos tende a intensificar investimentos em pesquisa e desenvolvimento.

Para as big techs, o benefício é claro: mais segurança e durabilidade em data centers que sustentam aplicações de IA, do atendimento automatizado a sistemas de análise de dados em tempo real. Para a cadeia da construção tradicional, a tendência é de deslocamento de foco, com parte da capacidade de produção migrando de obras residenciais e comerciais para infraestrutura digital.

Em paralelo, especialistas avaliam que o crescimento desse mercado pode empurrar para cima padrões regulatórios e normas técnicas de segurança em data centers, estabelecendo novos mínimos de proteção contra incêndios e corrosão e, potencialmente, elevando também os custos das obras.

No campo da arquitetura corporativa, o domínio do cinza nesses ambientes tecnológicos funciona como símbolo dessa virada: o que conta é proteger a espinha dorsal da inteligência artificial, mesmo que isso signifique abrir mão de cores e acabamentos mais ousados em nome da eficiência.