Lula e Flávio Bolsonaro empatam em 47% no Datafolha; quem lidera?
Novas pesquisas Datafolha, Quaest e BTG/Nexus mostram empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro no 2º turno e testam impacto da proibição das apostas online.
Eleições 2024
Pesquisas recentes indicam empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro no segundo turno presidencial.
Lula e Flávio Bolsonaro chegam à reta final da campanha presidencial em empate técnico nas pesquisas de segundo turno, com o eleitorado dividido por região e perfil social. A proibição das apostas online, anunciada pelo governo Lula, entra no radar dos institutos como possível fator de mudança nesse cenário apertado.
Pesquisas confirmam disputa aberta no 2º turno
O Datafolha mais recente registra 47% das intenções de voto para Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, contra 45% para o senador Flávio Bolsonaro, do PL. Com margem de erro de aproximadamente 2 pontos percentuais, o quadro configura empate técnico entre os dois principais candidatos ao Planalto.
O instituto ouviu 2.002 eleitores entre 22 e 23 de setembro, em entrevistas presenciais, com nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-00304/2026 e reflete o humor do eleitorado às vésperas da votação do primeiro turno.
A definição de empate técnico, em linguagem estatística, ajuda a explicar o cenário. “O empate técnico acontece quando a diferença entre os candidatos está dentro do intervalo da margem de erro”, descreve o Datafolha. Na prática, qualquer pequena oscilação pode deslocar a liderança numérica de um lado para o outro.
Outros dois institutos reforçam o diagnóstico de disputa aberta. A Quaest, com 2.004 entrevistas presenciais realizadas entre 24 e 27 de setembro (registro BR-06520/2026), e a BTG/Nexus, com 2.000 entrevistas por telefone entre 25 e 27 de setembro (registro BR-07557/2026), também apontam quadro muito equilibrado, com alternância de pequenas vantagens numéricas entre Lula e Flávio.
Nordeste puxa Lula; Sul e evangélicos sustentam Flávio
Os números revelam um país rachado em blocos eleitorais. Lula abre ampla vantagem no Nordeste, onde marca 61% das intenções de voto contra 30% de Flávio Bolsonaro. O presidente também lidera entre pessoas que se declaram pretas, com 55% a 34%, entre quem tem ensino fundamental (57% a 37%), mulheres (51% a 41%) e eleitores com renda de até 2 salários mínimos (53% a 40%).
Flávio Bolsonaro, por sua vez, constrói seu colchão de votos em nichos específicos. Entre evangélicos, soma 58%, contra 34% de Lula. No Sul, aparece com 57%, diante de 38% do petista. O senador também leva vantagem entre quem ganha mais de 5 salários mínimos, com 52% a 38%, e entre eleitores brancos, por 51% a 40%.
Em regiões como o Sudeste e no bloco Centro-Oeste/Norte, além de várias faixas etárias, a disputa permanece dentro da margem de erro, reforçando a incerteza sobre o resultado final. O quadro regional se completa com Lula à frente em 11 estados, enquanto Flávio lidera em 8 estados e no Distrito Federal, o que reforça a polarização territorial da eleição.
A divisão por renda, escolaridade, cor e religião também orienta as estratégias de campanha. A equipe de Lula mira a consolidação de sua vantagem no Nordeste e entre mulheres, pretos e eleitores de baixa renda. A campanha de Flávio foca os segmentos evangélico, de maior renda e regiões onde o senador já aparece numericamente à frente.
Proibição das apostas online entra no jogo
Em meio a esse equilíbrio, o anúncio da proibição das apostas online pelo governo Lula introduz um tema novo no debate eleitoral. O presidente determina o desligamento de sites e aplicativos de apostas a partir de 6 de outubro, dois dias após o primeiro turno, medida que afeta diretamente o mercado de jogos e patrocínios esportivos.
O Planalto apresenta a decisão como um gesto de proteção social. “A proibição das apostas foi apresentada pelo governo como uma medida de proteção às famílias e à economia popular”, afirma a comunicação do governo Lula. A narrativa tenta vincular o fim das bets a um combate ao endividamento e à perda de renda de famílias mais vulneráveis.
Os institutos incorporam o tema imediatamente aos questionários. A Quaest informa que “perguntará se o eleitor já conhecia as medidas de restrição às apostas e se as aprova ou desaprova”, medindo tanto o alcance da decisão quanto seu potencial de desgaste ou de ganho político para o governo.
A BTG/Nexus, além de aferir a intenção de voto, vai além do retrato estático. “A pesquisa vai investigar os fatores que mais pesaram na decisão dos eleitores, entre eles economia, situação financeira pessoal, segurança pública, corrupção, saúde, educação e rejeição a outro candidato”, detalha o instituto. O impacto da proibição das bets se encaixa nesse quadro mais amplo de avaliação de governo e prioridades do eleitor.
Quem ganha e quem perde com o novo tema
A medida pode reforçar a imagem de Lula em camadas sensíveis ao discurso de proteção das famílias e da economia popular, especialmente entre eleitores de menor renda e mais endividados. Esse eleitorado já tende a se alinhar ao presidente, segundo os dados do Datafolha, e pode ver na proibição um gesto concreto de contenção de abusos.
Por outro lado, a decisão acende alertas entre empresários do setor de apostas, clubes de futebol e influenciadores que se aproximaram desse mercado. Patrocínios de camisas, placas de estádios e ações de marketing digitais movimentam bilhões de reais e se tornaram fonte relevante de receita para grandes e médios clubes do país.
A campanha de Flávio Bolsonaro testa, nesse ambiente, um discurso de liberdade econômica e de rejeição a medidas consideradas intervencionistas. A costura política passa por transformar a proibição em símbolo de um Estado que interfere demais na vida das pessoas, especialmente na relação entre jogo, entretenimento e consumo digital.
O efeito líquido, porém, ainda é incerto. Pesquisas qualitativas e as próximas rodadas de Datafolha, Quaest e BTG/Nexus devem mostrar se a pauta das apostas tem força para deslocar votos em uma disputa tão apertada. A margem de erro de cerca de 2 pontos percentuais deixa espaço para mudanças rápidas até o segundo turno.
Nas campanhas, a ordem é intensificar viagens, comícios e aparições em rádio e TV nas regiões mais voláteis. Estados do Sudeste e do Centro-Oeste, além de parcelas urbanas do eleitorado evangélico e de classe média, aparecem como campos decisivos. A consolidação do voto e a redução da rejeição são tratadas como prioridade absoluta por ambos os comandos de campanha.
Os próximos dias tendem a ser marcados por novas pesquisas, ajustes de discurso e tentativas de apropriação política da pauta das apostas online. Com o país dividido em blocos regionais e sociais bem definidos, a eleição caminha para um desfecho em que pequenos movimentos podem decidir quem comandará o Planalto pelos próximos anos.
O que mostram as pesquisas mais recentes entre Lula e Flávio?
A pesquisa Datafolha mais recente para o segundo turno registra 47% das intenções de voto para Lula e 45% para Flávio Bolsonaro, com margem de erro de aproximadamente 2 pontos percentuais. Levantamentos da Quaest e da BTG/Nexus, com amostras de cerca de 2 mil eleitores, também apontam cenário de empate técnico.
Como a proibição das apostas online pode afetar a eleição?
A proibição das apostas online anunciada por Lula, que prevê desligar sites e aplicativos a partir de 6 de outubro, pode reforçar sua imagem de proteção às famílias e à economia popular, mas também gerar críticas de setores econômicos ligados ao mercado de jogos; pesquisas em campo já medem se o tema muda a intenção de voto.


