Datafolha mostra Lula e Flávio Bolsonaro empatados no 2º turno
Datafolha aponta empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro no segundo turno, com 47% a 45%. Novas pesquisas BTG/Nexus e Quaest devem medir efeito da proibição das apostas online.
Eleições 2024
Pesquisa Datafolha revela empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro no segundo turno presidencial.
Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) chegam à reta final da campanha presidencial em empate técnico no segundo turno, segundo pesquisa Datafolha. O presidente aparece com 47% das intenções de voto, contra 45% do senador, dentro da margem de erro de 2 pontos percentuais.
Mapa da disputa: país dividido em nichos
O levantamento expõe um país partido em blocos sociais e regionais. Lula mantém vantagem expressiva no Nordeste, onde marca 61% contra 30% de Flávio. Entre pretos, soma 55%, enquanto o adversário registra 34%.
O presidente abre frente também entre quem cursou apenas o ensino fundamental, faixa em que chega a 57%, contra 37% de Flávio. Entre eleitores com renda de até dois salários mínimos, Lula pontua 53%, ante 40% do senador. Entre mulheres, a diferença também sai da margem de erro: 51% a 41%.
Flávio Bolsonaro, por sua vez, lidera em segmentos que tradicionalmente orbitam o campo conservador. Entre evangélicos, o senador dispara a 58%, contra 34% de Lula. No Sul, repete a vantagem confortável, com 57% a 38%.
O candidato do PL também se destaca entre eleitores de renda mais alta. Entre quem ganha mais de cinco salários mínimos, alcança 52%, enquanto Lula fica com 38%. Entre brancos, a diferença é de 51% a 40% a favor de Flávio.
Sudeste e classes médias mantêm incerteza
Os dados segmentados mostram que a eleição segue aberta em colégios decisivos. No Sudeste, região com maior peso no resultado nacional, a disputa é apertada e marcada por oscilações recentes, com Flávio hoje em vantagem numérica, mas ainda sujeito à margem de erro ampliada para esse recorte.
Faixas de renda intermediária e eleitores com até ensino médio também registram equilíbrio, com alternância de pequenas vantagens entre os dois candidatos. Em vários desses grupos, a diferença fica na casa de poucos pontos, dentro do intervalo estatístico. O próprio instituto lembra que “o empate técnico acontece quando a diferença entre os candidatos está dentro do intervalo da margem de erro”.
A pesquisa do Datafolha ouviu 2.002 eleitores com 16 anos ou mais entre os dias 22 e 23 de setembro. O nível de confiança declarado é de 95%. A margem geral é de 2 pontos percentuais, mas pode chegar a cerca de 10 pontos em segmentos menores, como o conjunto formado por Centro-Oeste e Norte.
Na prática, o desenho aponta que nenhuma das campanhas pode se dar por confortável. Cada lado depende fortemente de suas bases: Lula, das camadas populares, do Nordeste e de parte expressiva do eleitorado feminino; Flávio, de setores mais ricos, brancos, evangélicos e de regiões como o Sul.
Proibição das apostas entra no centro da campanha
Enquanto a fotografia do Datafolha consolida o empate técnico, novas pesquisas já em campo correm para registrar o impacto de uma medida polêmica anunciada por Lula: a proibição das apostas online. O governo determina a retirada de sites e aplicativos do ar a partir de 6 de outubro, dois dias após o primeiro turno.
A decisão é apresentada oficialmente como proteção social. No anúncio, o governo descreve a iniciativa como “uma medida de proteção às famílias e à economia popular”. A campanha petista tenta transformar a medida em ativo eleitoral, ligando o tema ao endividamento de jovens e ao aumento de casos de vício em jogos digitais.
Aliados de Lula avaliam que a iniciativa pode reforçar sua conexão com o eleitorado de baixa renda, mais exposto ao apelo das apostas esportivas e dos chamados jogos de cassino online. A expectativa é que o discurso de responsabilidade social encontre eco sobretudo no Nordeste e entre beneficiários de programas de transferência de renda.
A coordenação da campanha admite também o cálculo eleitoral. Em nota reservada a apoiadores, a equipe afirma que “a campanha de Lula também espera que a proibição tenha impacto eleitoral”. O gesto mira diretamente famílias que veem parte do orçamento comprometido com apostas recorrentes feitas por filhos, maridos ou companheiras.
Setor de apostas reage, e pesquisas vão medir estrago
No outro lado, empresários do setor de jogos e apostas classificam a medida como um freio abrupto em um mercado que movimenta bilhões de reais em publicidade, patrocínios esportivos e tecnologia. Clubes de futebol e plataformas digitais já articulam reação e pressionam por alternativas legislativas após a eleição.
O entorno de Flávio Bolsonaro tende a explorar o tema pela ótica da liberdade econômica. Dirigentes do PL e aliados no Congresso falam em intervenção excessiva do Estado e defendem regulação menos restritiva, com foco em transparência, combate à lavagem de dinheiro e proteção a menores de idade, sem fechamento completo das operações.
Duas das principais pesquisas da temporada eleitoral devem medir, pela primeira vez, a reação do eleitorado ao pacote recente de decisões do governo, em especial à proibição das bets. A BTG/Nexus entrevista 2.000 eleitores por telefone entre 25 e 27 de setembro, com margem de erro de 2 pontos percentuais. A Quaest ouve 2.004 eleitores, presencialmente, entre 24 e 27.
Os questionários incluem perguntas sobre conhecimento e avaliação da medida contra as apostas, além de outras ações recentes de Lula, como reajustes de programas sociais e iniciativas na área de saúde. Também apuram firmeza de voto, rejeição e expectativa de vitória, dados essenciais para as campanhas calibrar o tom dos últimos programas e comícios.
Colégio eleitoral fragmentado e reta final volátil
Pesquisas anteriores de ambos os institutos já mostravam disputa apertada no primeiro e no segundo turno, com pequenas variações de vantagem para cada lado a depender do cenário. O novo Datafolha confirma o equilíbrio e aumenta a pressão sobre Lula e Flávio para buscar terreno neutro, sobretudo entre indecisos e eleitores que ainda admitem mudar de voto.
O colégio eleitoral aparece fragmentado por renda, região, cor, religião e gênero. Setores ligados ao consumo popular tendem a se sentir mais representados por Lula, enquanto grupos empresariais e eleitores de renda elevada, especialmente no Sul e em parte do Sudeste, se aproximam de Flávio. Ao mesmo tempo, a margem de erro inflada em segmentos menores lembra que movimentos de campanha ainda podem redesenhar o mapa.
As pesquisas BTG/Nexus e Quaest, que têm divulgação prevista para esta segunda-feira, devem indicar se a proibição das apostas online funciona como divisor de águas ou se se dilui em meio à polarização consolidada. O resultado ajudará a definir onde cada campanha concentrará seus últimos esforços: no emparedamento do adversário em temas morais e econômicos ou no reforço de identidades regionais e sociais já consolidadas.
Com poucos dias até o primeiro turno e o calendário apertando medidas de impacto, a eleição entra em fase em que detalhes pesam. O comportamento do eleitorado diante da ofensiva contra as bets e de eventuais contra-ataques legislativos pode antecipar também a pauta do próximo Congresso, onde se decidirá o futuro desse mercado bilionário — e a extensão da agenda econômica do próximo presidente.
O que a pesquisa Datafolha mostra sobre Lula e Flávio?
A pesquisa Datafolha indica Lula com 47% e Flávio Bolsonaro com 45% das intenções de voto no segundo turno, configurando empate técnico, e revela um país dividido em blocos: Lula forte no Nordeste, entre pretos, mulheres e baixa renda; Flávio à frente entre evangélicos, brancos, eleitores do Sul e renda mais alta.
Como a proibição das apostas online pode influenciar a eleição?
A proibição das apostas online, que retira sites e aplicativos do ar a partir de 6 de outubro, pode reforçar Lula entre eleitores de baixa renda ao ser apresentada como proteção às famílias, mas tende a gerar resistência em setores econômicos e entre quem vê a medida como excesso de intervenção estatal e restrição à liberdade econômica.
O que BTG/Nexus e Quaest vão medir nas próximas pesquisas?
As pesquisas BTG/Nexus, com 2.000 entrevistas, e Quaest, com 2.004, medem até 27 de setembro o impacto da proibição das apostas, além da firmeza de voto, rejeição, potencial de voto, expectativa de vitória e avaliação do governo Lula, oferecendo o retrato mais atualizado do humor do colégio eleitoral às vésperas do primeiro turno.


