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Lula e Flávio Bolsonaro empatam em 47% e aposta online esquenta

Empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro acirra a corrida presidencial de 2026. Próximas pesquisas medem o impacto da proibição das apostas online sobre o eleitorado.

27/09/2026 09:00 6 min de leitura
Lula e Flávio Bolsonaro empatam em 47% e aposta online esquenta
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Eleições 2026

Pesquisa revela empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro, com impacto das apostas online na disputa presidencial.

Lula e Flávio Bolsonaro chegam à reta final da campanha presidencial em empate técnico nas pesquisas, enquanto a proibição das apostas online entra no centro da disputa.

O cenário mantém o país dividido e pressiona as campanhas a redesenhar estratégias por região e por segmento social, à espera de novos levantamentos que já captam a reação dos eleitores ao anúncio sobre as bets.

Empate por cima e país fatiado por região e renda

A pesquisa Datafolha mais recente, com 2.002 entrevistas presenciais realizadas entre 22 e 23 de setembro, mostra Lula com 47% das intenções de voto e Flávio Bolsonaro com 45% em um eventual segundo turno. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, o que coloca os dois em empate técnico.

Os números escondem um país claramente dividido. Lula abre vantagem folgada no Nordeste, onde marca 61% contra 30% de Flávio. Também lidera entre pretos, com 55% a 34%, entre eleitores com ensino fundamental, por 57% a 37%, entre quem ganha até 2 salários mínimos, por 53% a 40%, e entre mulheres, por 51% a 41%.

Flávio Bolsonaro espelha essa força em outros terrenos. Entre evangélicos, tem 58%, contra 34% de Lula. No Sul, lidera por 57% a 38%. Entre eleitores com renda superior a cinco salários mínimos, aparece com 52%, ante 38% de Lula, e entre brancos registra 51% a 40%.

Segmentos decisivos e disputa milimétrica

O detalhamento da pesquisa revela uma disputa apertada em quase todas as faixas etárias e em regiões-chave do colégio eleitoral. No Sudeste, maior reduto de votos do país, Flávio aparece numericamente à frente, com 48%, contra 42% de Lula, em um cenário ainda sujeito à oscilação pela margem de erro.

O equilíbrio se repete entre jovens e adultos. Em faixas de idade entre 16 e 59 anos, a diferença entre os dois candidatos varia em poucos pontos, quase sempre dentro do limite estatístico. A disputa também é travada entre eleitores de escolaridade média e superior, em que Flávio mostra vantagem, enquanto Lula compensa com desempenho entre os que estudaram menos.

No mapa nacional, levantamentos recentes indicam Lula à frente em 11 estados, enquanto Flávio lidera em 8 estados e no Distrito Federal. A divisão regional reforça a sensação de que o resultado depende de poucos pontos percentuais deslocados entre grupos específicos, mais do que de grandes viradas nacionais.

Proibição das bets vira teste eleitoral imediato

Em meio a esse equilíbrio, a decisão de Lula de proibir as apostas online se torna um teste eleitoral imediato. “A proibição foi anunciada por Lula na sexta-feira e prevê que os sites e aplicativos de apostas sejam retirados do ar a partir de 6 de outubro, dois dias depois do primeiro turno”, informa o próprio governo.

O Planalto enquadra a medida em um discurso social. “A decisão foi apresentada pelo governo como uma medida de proteção às famílias e à economia popular”, reforçam auxiliares presidenciais. A leitura interna no comando da campanha petista é explícita: “A campanha de Lula também espera que a proibição tenha impacto eleitoral”.

Setores ligados ao mercado de apostas, casas licenciadas e plataformas digitais avaliam perdas imediatas de receita e de patrocínios, especialmente no esporte e no entretenimento online. O tema deixa o terreno técnico da regulação e entra de vez na arena da disputa de valores, moralidade e proteção ao consumo popular.

Pesquisas BTG/Nexus e Quaest miram efeito da medida

Duas novas pesquisas nacionais, da BTG/Nexus e da Quaest, pretendem medir o impacto inicial da proibição das bets sobre o comportamento do eleitorado. Os dois levantamentos têm amostras próximas de 2.000 pessoas e margem de erro de aproximadamente 2 pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.

A BTG/Nexus realiza 2.000 entrevistas por telefone entre 25 e 27 de setembro. A Quaest ouve 2.004 eleitores em visitas domiciliares entre 24 e 27. Parte significativa das entrevistas já ocorre após o anúncio de Lula, o que permite comparar a disposição de voto antes e depois da polêmica.

Essas pesquisas não medem apenas intenção de voto. Investigam também o grau de definição da escolha, a rejeição a cada candidato, o potencial de mudança e a avaliação de medidas recentes do governo, como o reajuste do Bolsa Família e a oferta de canetas de emagrecimento para pessoas com obesidade. O conjunto deve indicar se Lula consegue ampliar apoio entre famílias endividadas e eleitores sensíveis à economia do dia a dia, ou se provoca reação contrária em nichos que veem a proibição como interferência excessiva do Estado.

Polarização consolidada e reta final imprevisível

Pesquisas anteriores de BTG/Nexus e Quaest já desenham uma eleição de alta competitividade. Em cenários de primeiro turno, Lula aparece entre 37% e 40%, com Flávio variando na casa de 33% a 37%. No segundo turno, os institutos alternam pequenas vantagens numéricas de um lado e de outro, sempre dentro da margem de erro.

A persistência desse equilíbrio indica uma polarização consolidada. Lula mantém uma base popular robusta, apoiada em programas sociais e no discurso de proteção da renda baixa. Flávio se ancora em segmentos mais conservadores, especialmente entre evangélicos, classes de renda mais alta e regiões onde o bolsonarismo se mostrou sólido nas últimas eleições.

O segundo turno tende a ser decidido por três fatores combinados: a capacidade de mobilizar eleitores indecisos ou desanimados, o grau de rejeição mútua e o efeito das medidas governamentais na percepção imediata da vida cotidiana. A proibição das apostas online entra nesse pacote como um gesto de alto risco e alto potencial de retorno político.

Os próximos dias devem trazer novas pesquisas, disputas jurídicas sobre a medida e um esforço intenso de comunicação das duas campanhas. O resultado dessas interações ajuda a definir se o empate técnico de hoje se converte em vantagem clara para um dos lados ou se o país chega às urnas com a eleição em aberto até a última hora.

O que mostram as últimas pesquisas Lula x Flávio Bolsonaro?

A pesquisa Datafolha mais recente para o segundo turno mostra Lula com 47% das intenções de voto e Flávio Bolsonaro com 45%, em cenário de empate técnico dentro da margem de erro de 2 pontos percentuais. Levantamentos anteriores de BTG/Nexus e Quaest também apontam diferença mínima entre os dois em primeiro e segundo turnos.

Como a proibição das apostas online pode afetar a eleição?

A proibição das apostas online, anunciada por Lula com retirada de sites e aplicativos a partir de 6 de outubro, pode reforçar sua imagem de defensor das famílias e da economia popular, mas tende a irritar setores ligados às bets, ao esporte e a parte do eleitorado liberal, tornando-se tema central de disputa entre as campanhas.

Quais grupos apoiam mais Lula e quais preferem Flávio Bolsonaro?

Lula tem mais apoio no Nordeste, onde chega a 61% contra 30%, entre pretos, pessoas com ensino fundamental, quem ganha até 2 salários mínimos e mulheres; Flávio Bolsonaro lidera entre evangélicos, no Sul, entre quem ganha mais de cinco salários mínimos e entre eleitores brancos, refletindo clivagens regionais, sociais e religiosas profundas.


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