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Mundo

María Corina Machado retorna à Venezuela após 10 meses no exílio

Líder da oposição e Nobel da Paz retorna discretamente ao país após mais de dez meses no exílio, em meio à transição democrática conduzida sem sua participação direta.

María Corina Machado retorna à Venezuela após 10 meses no exílio

Política Internacional

Após quase um ano fora, líder opositora retorna em meio a mudanças políticas no país.

Leia também: Putin aceita negociar paz na Ucrânia em novembro com EUA

María Corina Machado, líder da oposição venezuelana e vencedora do Prêmio Nobel da Paz, retornou à Venezuela neste domingo (25) após mais de dez meses no exílio, encontrando um país em transição democrática sob forte influência dos Estados Unidos, em um processo do qual foi mantida à margem.

Retorno discreto e primeiro gesto público

Machado anunciou a volta de forma sucinta no X, antiga Twitter. “Estou aqui. Com vocês”, escreveu pela manhã, sem detalhar como entrou no país. Pouco depois, aliados confirmaram que ela já estava em território venezuelano.

A opositora foi vista na Igreja de Santa Rosa, no estado de Lara, onde, segundo o grupo político Comando Con Venezuela, foi agradecer à Divina Pastora pelo retorno após dez meses fora. A organização divulgou fotos de Machado no local e celebrou o reencontro da líder com apoiadores.

Edmundo González Urrutia, ex-candidato à Presidência e um de seus principais aliados, comemorou a chegada. “Venezuela! Estou muito emocionado em anunciar que nossa líder, minha querida María Corina, está em território venezuelano”, escreveu no X. Mais tarde, reforçou o tom de mobilização: “Hoje é um dia muito importante para os venezuelanos. Nossa voz soberana retorna com ela para liderar e conduzir esse processo! Muito em breve estarei com vocês e com ela para que nosso país avance verdadeiramente rumo à liberdade. Vocês sabem, isso vai até o fim”.

Entenda o contexto

Machado deixou a Venezuela em dezembro para viajar à Noruega, onde recebeu o Prêmio Nobel da Paz por sua atuação em defesa dos direitos democráticos no país. Em seguida, o cenário político se transformou rapidamente.

Em 3 de janeiro, os Estados Unidos realizaram uma operação militar que resultou na captura do então presidente Nicolás Maduro. Desde então, Washington passou a atuar junto ao governo interino venezuelano em um processo de transição democrática e de reconciliação política.

Esse arranjo incluiu diversas figuras da oposição, mas deixou de fora María Corina Machado e Edmundo González Urrutia, ambos no exterior. Aliados relatam que, ao longo desses mais de dez meses, houve várias tentativas frustradas de retorno de Machado ao país, até a chegada confirmada neste fim de semana.

Como os EUA reagem ao retorno

O retorno de Machado ocorre à margem da engenharia política conduzida até aqui pelos Estados Unidos e pelo governo interino. Questionado neste domingo sobre a volta da opositora, o presidente Donald Trump afirmou não ter sido informado previamente.

“Não sabia de nada a respeito, mas acho que ela é uma mulher muito agradável”, disse. “Ela me deu seu Prêmio Nobel, então o que mais posso dizer? Espero que ela esteja bem”, completou.

O Departamento de Estado americano não detalhou qualquer participação em negociações para o retorno. A pasta remeteu a declarações anteriores do secretário Marco Rubio, dadas em setembro, nas quais ele já defendia o direito de Machado de regressar ao país.

“María Corina Machado, uma cidadã venezuelana, tem todo o direito de entrar em seu país quando quiser voltar. Nós lhe demos conselhos”, afirmou Rubio na ocasião. “Ela é uma cidadã venezuelana. É venezuelana. Não é panamenha, não é americana, é venezuelana e pode fazer isso. Mas não se trata apenas de María Corina, por quem tenho grande admiração. Há também outras figuras políticas importantes do passado que tiveram de partir para o exílio”, disse.

Impacto na transição e na oposição

A presença física de María Corina Machado na Venezuela pode alterar o equilíbrio interno da oposição num momento em que a transição democrática ainda busca legitimidade e coesão. Líder reconhecida internacionalmente e consagrada com o Nobel da Paz, ela chega após ter sido excluída das negociações centrais que se desenrolaram em sua ausência.

Setores oposicionistas que se sentiram marginalizados pelo desenho atual da transição veem na volta de Machado uma oportunidade de reorganização e de ganho de voz no processo político. Ao mesmo tempo, o governo interino e seus apoiadores estrangeiros tendem a ser pressionados a acomodar uma liderança forte que não ajudaram a recolocar em cena.

Entre a população, especialmente entre simpatizantes da oposição, a expectativa é de que o retorno reanime a mobilização e amplie a representação de correntes que se consideram pouco ouvidas desde a captura de Maduro. O grau de articulação entre Machado, González Urrutia, o governo interino e Washington deve definir se a transição será acelerada ou atravessada por novos atritos.

Até o momento, o governo venezuelano em transição não divulgou posição oficial sobre a chegada da opositora. A tendência agora é que o debate se concentre em qual papel ela terá nas próximas etapas da reorganização institucional do país e em eventuais negociações com atores internos e externos.

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