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Inteligência Artificial

Média gerência assume papel decisivo na adoção da IA em 2026

Levantamentos recentes mostram que só 8% dos RHs veem seus gestores preparados para usar IA, enquanto 72% dos gerentes já investem em novas competências técnicas e de liderança.

Média gerência assume papel decisivo na adoção da IA em 2026

Inteligência Artificial

Gestores intermediários estão se tornando essenciais para implementar tecnologias avançadas nas empresas até 2026.

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Pressionados por resultados e, ao mesmo tempo, por liderar a transformação digital, gerentes intermediários assumem hoje um papel central na adoção da inteligência artificial (IA) nas empresas brasileiras, em meio a uma lacuna de competências que preocupa áreas de recursos humanos e especialistas em gestão.

Gerentes entre a pressão por resultado e a nova agenda digital

Na prática, a mesma média gerência que responde pelas metas de vendas, atendimento e eficiência passa a ser responsável por traduzir projetos de IA em mudanças concretas de processo. “A cobrança por resultados continua, mas as ferramentas, os processos e as habilidades necessárias para alcançá-los estão mudando”, resume um especialista em gestão de pessoas ouvido pela reportagem.

Entre a diretoria, que define a estratégia tecnológica, e as equipes na ponta, que lidam com clientes e operações, esses gestores precisam decidir onde a IA faz sentido, como reorganizar tarefas e que tipo de supervisão humana é indispensável. “A média gerência passou a enfrentar uma responsabilidade adicional: conduzir a adoção da inteligência artificial sem comprometer as entregas”, afirma o mesmo especialista.

Setores com forte uso de dados e atividades repetitivas — como atendimento, finanças, operações e logística — sentem primeiro a mudança. Ferramentas de automação assumem partes do fluxo, relatórios passam a ser gerados por sistemas e análises ganham apoio de algoritmos, enquanto cabe ao gestor garantir qualidade, ética no uso das informações e alinhamento às metas do negócio.

Entenda o contexto

Embora a transformação avance, levantamentos recentes expõem um descompasso entre o que as empresas esperam e o preparo atual da média gerência. Em pesquisa divulgada ao mercado, apenas 8% dos líderes de recursos humanos disseram acreditar que seus gestores têm hoje as competências necessárias para utilizar IA de maneira eficaz, o que inclui ler dados, validar resultados gerados por sistemas e tomar decisões apoiadas em algoritmos.

Outro estudo internacional sobre tendências de trabalho apontou que 51% dos gestores esperam que o treinamento das equipes em inteligência artificial se torne uma responsabilidade importante nos próximos cinco anos. Ou seja, além de aprender a usar as ferramentas, a média liderança sabe que terá de ensinar, orientar e cobrar o uso adequado da tecnologia.

Pesquisas com foco em educação corporativa reforçam esse movimento de requalificação: 72% dos gestores entrevistados declaram estar investindo ativamente no desenvolvimento de novas competências, com destaque para análise de dados, automação de processos e uso de IA generativa aplicada aos negócios.

O que muda na rotina da média gerência

A adoção de IA altera tarefas já consolidadas. Sistemas passam a fazer o primeiro atendimento ao cliente, rascunhar relatórios, resumir reuniões, cruzar indicadores de vendas e prever demandas. O trabalho do gerente deixa de ser apenas acompanhar planilhas e passa a incluir a validação do que a ferramenta entrega, a definição de parâmetros de qualidade e a análise de impactos em riscos e responsabilidades.

Especialistas em gestão de pessoas chamam atenção para um ponto sensível: a introdução de novos sistemas tende a gerar dúvidas nas equipes sobre o futuro das funções e sobre quem responde por eventuais falhas. Sem comunicação clara e espaço para treinamento, o risco é aumentar a resistência interna e comprometer os resultados dos projetos de IA.

Relações de trabalho também mudam. Com tarefas rotineiras automatizadas, sobram mais atividades analíticas, de relacionamento e de tomada de decisão — justamente as que exigem orientação mais próxima. Gerentes precisam, ao mesmo tempo, aprender o funcionamento da tecnologia e encontrar uma forma de distribuí-la no time de forma justa e transparente.

Como as empresas estão qualificando seus gestores

Diante desse cenário, cresce a oferta e a procura por capacitações específicas para a média gerência, em linha com as demandas de negócios. Cursos de IA aplicada às empresas, análise de dados, ciência de dados para decisão e gestão de mudanças aparecem como principais caminhos de formação.

A orientação de especialistas é que a requalificação comece pela identificação dos processos mais afetados pela tecnologia dentro de cada área — atendimento, risco de crédito, cadeia de suprimentos, recursos humanos, por exemplo. A partir daí, os programas de treinamento devem combinar fundamentos técnicos com discussões de caso e simulações de decisões.

Projetos práticos são apontados como etapa decisiva do aprendizado. “O aprendizado ganha utilidade quando envolve projetos concretos, como testar uma automação, comparar resultados e definir procedimentos de revisão”, diz um consultor em transformação digital. Nessas iniciativas, o gerente é convidado a desenhar fluxos, definir indicadores, monitorar erros do sistema e ajustar o papel de cada membro da equipe.

Empresas que avançam nesse tipo de projeto costumam criar grupos-piloto em determinadas áreas, com acompanhamento próximo de tecnologia e RH, para depois ampliar as soluções que deram certo. Esse formato permite que a média gerência experimente o uso da IA em escala controlada, acumule evidências de ganho de produtividade e leve casos concretos à diretoria.

Liderança, comunicação e avaliação de riscos ganham peso

A transição para modelos de trabalho mais automatizados também exige um reforço nas chamadas habilidades comportamentais. Avaliar riscos, acompanhar indicadores e comunicar mudanças se tornam, na prática, parte do descritivo de cargo de quem lidera equipes que utilizam IA.

Na frente de riscos, gerentes passam a ter de questionar a origem dos dados usados pelos sistemas, entender limitações das ferramentas, estabelecer revisões humanas em processos críticos e registrar decisões tomadas com apoio de algoritmos. Em muitas empresas, esse movimento ainda está no início, mas já mobiliza áreas de compliance e jurídico.

Do ponto de vista da comunicação, um dos desafios é explicar ao time por que determinadas tarefas estão sendo automatizadas, quais habilidades serão mais valorizadas e que tipo de suporte estará disponível no processo de adaptação. Sem esse trabalho, cresce a sensação de insegurança quanto ao futuro e à avaliação de desempenho.

Para especialistas em gestão, o gerente que consegue articular o lado técnico e o humano da adoção de IA tende a ganhar protagonismo na organização. Já quem não se adapta corre o risco de perder espaço, à medida que empresas passam a valorizar cada vez mais perfis híbridos — capazes de entender tecnologia, dados e, ao mesmo tempo, conduzir pessoas em contextos de mudança constante.