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Lançamentos de IA

Meta recua e exclui cláusula polêmica sobre dados para IA hoje

Após críticas de especialistas, Meta remove cláusula que abria brecha para usar conteúdo de sites de contas comerciais no treinamento de IA e diz que não mudou forma de rastrear a web.

Meta recua e exclui cláusula polêmica sobre dados para IA hoje

Tecnologia

Meta retira cláusula controversa que permitia uso de dados comerciais para inteligência artificial após críticas.

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A Meta removeu de seus termos comerciais, nesta semana, uma cláusula que abria margem para usar qualquer conteúdo de domínios e páginas ligados a contas comerciais no desenvolvimento e treinamento de seus sistemas de inteligência artificial, após forte reação de publishers e especialistas em direito digital.

Por que a Meta removeu a linguagem que gerava preocupações sobre scraping e treinamento de IA?

A Meta retirou a cláusula porque a redação passou a ser vista por especialistas e parceiros comerciais como uma autorização ampla demais para raspagem de dados de sites e uso de conteúdo no treinamento de IA, o que elevou o risco de questionamentos jurídicos e desgaste de imagem.

Nos termos atualizados, a empresa havia incluído a possibilidade de “usar qualquer conteúdo” proveniente de domínios, páginas ou URLs associados a contas comerciais para “fornecer, desenvolver, melhorar, pesquisar, treinar e manter a integridade” de seus produtos e serviços. Advogados consultados classificaram o trecho como “notável” – “It looked like a remarkable provision”, nas palavras de um especialista jurídico – justamente pelo potencial alcance sobre o conteúdo de publishers com presença comercial nas plataformas da companhia.

Diante da repercussão, a Meta voltou atrás e alterou novamente o documento. Em comunicado, um porta-voz afirmou que a intenção nunca foi ampliar a forma de coleta e uso de dados, mas consolidar regras específicas da área de anúncios e negócios. “We’ve heard you and want to clarify: the crawling terms we consolidated only applied to our ads and business products, and we’ve clarified that in the terms themselves”, disse o representante da companhia. Segundo ele, a remoção da cláusula e o ajuste na linguagem buscam afastar dúvidas sobre uma suposta autorização geral para raspagem de conteúdo na web.

A empresa também reforçou que o ajuste não representa uma mudança operacional na forma de rastrear sites. “It does not change how Meta uses web crawlers”, completou o porta-voz, em referência às ferramentas automatizadas usadas para indexar páginas e coletar informações.

Quais eram as preocupações relacionadas ao scraping e ao treinamento de IA na linguagem da Meta?

As principais preocupações estavam ligadas a direitos autorais, uso indevido de dados e falta de controle de publishers e empresas sobre como seu conteúdo poderia ser explorado em sistemas de IA generativa.

Na leitura de especialistas, a cláusula daria à Meta uma autorização contratual genérica para raspar o conteúdo de qualquer site vinculado a uma conta comercial e alimentar com esse material seus modelos de inteligência artificial, sem necessidade de novos acordos ou consentimentos específicos. Em um cenário em que a própria Meta e outras big techs já enfrentam disputas judiciais sobre supostas infrações de copyright ligadas ao treinamento de IA, a mudança nos termos acendeu um alerta imediato.

Advogados de mídia e tecnologia chamaram atenção para o impacto potencial em publishers de notícias, criadores de conteúdo e empresas que dependem da proteção de sua propriedade intelectual. O temor era que textos, fotos, vídeos e outros materiais protegidos hospedados em domínios comerciais passassem a reforçar modelos de IA usados em produtos da Meta, inclusive para fins publicitários, sem transparência nem possibilidade prática de oposição.

Havia ainda dúvidas sobre o alcance global da autorização, sobre como ela se articulava com legislações de proteção de dados e sobre a compatibilidade com regras de exclusão de robôs em sites (como arquivos robots.txt), usados justamente para limitar ou bloquear a ação de rastreadores automatizados.

Entenda o contexto

A atualização dos termos comerciais da Meta ocorre em um momento em que a indústria de tecnologia disputa, em tribunais e mesas de negociação, os limites para uso de dados e conteúdo protegido no treinamento de IA. Empresas de mídia, artistas e criadores pressionam por regras mais claras, remuneração e possibilidade de opt-out, enquanto grandes plataformas buscam bases de dados cada vez mais amplas para alimentar seus modelos.

Ao recuar e retirar a cláusula, a Meta tenta reduzir o risco de novos embates com publishers, reguladores e titulares de direitos autorais, além de dar um sinal público de que está disposta a calibrar a redação de seus contratos diante de críticas. Para o mercado, o episódio reforça a necessidade de transparência e precisão jurídica em políticas de uso de dados em IA – tema que tende a ganhar ainda mais atenção de autoridades regulatórias em diferentes países.

Na prática, a empresa seguirá podendo usar dados e conteúdos dentro dos limites já existentes em seus acordos, políticas de privacidade e na legislação aplicável, mas perde, ao menos por ora, a tentativa de amarrar em uma única cláusula uma autorização ampla para o uso de conteúdo de contas comerciais em projetos de inteligência artificial.

Fonte: matéria original