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Inteligência Artificial

OpenAI contrata ex-secretário do Exército dos EUA para área de defesa

A OpenAI contratou Dan Driscoll, ex-secretário do Exército dos EUA, como conselheiro sênior em modernização da segurança nacional, em meio à expansão de contratos de IA com o Pentágono.

Inteligência Artificial

OpenAI reforça equipe com especialista em defesa para avançar em projetos de IA com o Pentágono.

Leia também: Investidores exigem resultados maiores e derrubam ações de IA

A OpenAI contratou Dan Driscoll, ex-secretário do Exército dos Estados Unidos, para o cargo de conselheiro sênior de modernização da segurança nacional, em um movimento que aproxima ainda mais a empresa do Departamento de Defesa e reforça seus projetos de inteligência artificial voltados à área militar.

OpenAI reforça aposta em IA para defesa

O anúncio da contratação foi feito na segunda-feira, 2 de novembro, cerca de dois meses após Driscoll deixar o governo, onde permaneceu por 18 meses à frente do Exército. Na OpenAI, ele deverá atuar diretamente em iniciativas de modernização da segurança nacional, aproveitando a experiência acumulada em grandes programas de defesa e em negociações diplomáticas.

A chegada de Driscoll ocorre em um momento de expansão dos negócios da empresa com o governo americano. Em junho de 2025, a OpenAI fechou um contrato de US$ 200 milhões para desenvolver ferramentas de IA voltadas a desafios de segurança nacional. Já em fevereiro deste ano, a companhia assinou novo acordo para disponibilizar seus modelos em redes seguras do Pentágono, com foco em uso interno das Forças Armadas.

Esses projetos envolvem desde sistemas para análise de dados estratégicos até o apoio a operações que usam drones e softwares comerciais adaptados a cenários militares. A expectativa, no governo e na empresa, é que a combinação da tecnologia da OpenAI com o conhecimento de Driscoll acelere a modernização das Forças Armadas dos EUA.

Trajetória de Dan Driscoll no governo

Durante sua gestão no Departamento de Defesa, Driscoll participou de iniciativas para modernizar o aparato militar, incluindo programas de drones de baixo custo e maior uso de soluções de software comerciais pelo Exército. Ele também teve papel em negociações ligadas à guerra entre Rússia e Ucrânia, em coordenação com outros órgãos do governo americano.

A saída do cargo, em setembro, ocorreu após desentendimentos com o secretário de Defesa, Pete Hegseth, principalmente sobre promoções na cúpula militar e o ritmo das reformas na estrutura das Forças Armadas. Antes de assumir funções no governo, Driscoll atuou em empresas de investimento e consultoria ligadas ao setor de defesa.

Entenda o contexto

A contratação do ex-secretário do Exército se insere em uma agenda mais ampla de modernização da segurança nacional dos EUA por meio de inteligência artificial. A estratégia passa por integrar ferramentas avançadas de análise de dados, simulação e automação de processos a estruturas já existentes do Pentágono, em parte usando plataformas originalmente desenvolvidas para o mercado civil.

Os contratos mais recentes da OpenAI com o Departamento de Defesa preveem restrições ao uso da tecnologia, com cláusulas que limitam a aplicação dos modelos de IA a usos considerados compatíveis com a legislação americana. Mesmo assim, especialistas em direitos civis e privacidade veem risco de brechas em temas como vigilância e monitoramento de cidadãos, especialmente diante da rapidez com que as capacidades da IA evoluem.

Debate sobre ‘porta giratória’ e conflitos de interesse

A nomeação de Driscoll reacende o debate sobre a chamada “porta giratória”, termo usado para descrever a passagem de altos funcionários do governo para empresas privadas que mantêm contratos com os mesmos órgãos onde esses servidores atuaram.

Para Lee, especialista em ética e contratação pública, a proximidade entre ex-integrantes do governo e companhias de tecnologia pode comprometer a confiança nos processos de compra do Estado. “Decisões sobre contratos de defesa devem considerar a qualidade da tecnologia, e não relações pessoais ou profissionais entre executivos e autoridades”, afirma.

Organizações de transparência e grupos ligados a direitos humanos apontam o risco de conflitos de interesse quando ex-autoridades assumem cargos estratégicos em empresas que disputam contratos bilionários com o governo. A preocupação é que informações internas, redes de relacionamento e influência política possam pesar mais do que critérios técnicos na escolha de fornecedores.

A OpenAI, por sua vez, afirma que “os acordos respeitam as leis aplicáveis e que Driscoll e os demais envolvidos cumprirão as restrições legais para ex-funcionários do governo”. Pelas regras americanas, ex-servidores de alto escalão estão sujeitos a períodos de quarentena e a limites de atuação direta em negociações com o antigo órgão.

Na prática, a contratação deve aumentar o escrutínio sobre os contratos da empresa com o Departamento de Defesa e alimentar discussões em Washington sobre transparência, governança e limites éticos para a adoção de tecnologias de IA na segurança nacional. Eventuais novas regras para a relação entre governo e big techs de defesa podem nascer desse embate entre apetite por inovação e preocupação com controle democrático.