Pathos AI levanta US$ 237 mi e avança IA contra câncer agora
Pathos AI levanta US$ 237 milhões em rodada Série E liderada pela Bristol Myers Squibb e eleva avaliação a US$ 3 bilhões, usando IA para acelerar drogas contra o câncer.

Tecnologia
Startup usa inteligência artificial para acelerar desenvolvimento de medicamentos contra o câncer com investimento recorde.
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A Pathos AI Inc. anunciou nesta sexta-feira (23) a captação de US$ 237 milhões em uma rodada Série E liderada pela farmacêutica Bristol Myers Squibb, elevando sua avaliação a US$ 3 bilhões e turbinando o uso de inteligência artificial no desenvolvimento de medicamentos contra o câncer.
IA em 200 petabytes de dados oncológicos
No centro da estratégia da companhia está a plataforma Foundry, que cruza cerca de 200 petabytes de dados oncológicos com as informações geradas internamente pelos programas de desenvolvimento de fármacos da própria Pathos.
O sistema usa agentes de IA para vasculhar centenas de moléculas candidatas e apontar quais têm mais chance de virar medicamento, além de identificar os pacientes que provavelmente responderão melhor a cada terapia. A mesma plataforma ajuda a desenhar ensaios clínicos guiados por biomarcadores, indicadores biológicos que medem a eficácia das drogas.
“Estamos construindo uma plataforma para melhorar sistematicamente a probabilidade de sucesso no desenvolvimento de medicamentos”, afirmou Iker Huerga, CEO da Pathos AI. Segundo ele, a Foundry acelerou de forma decisiva a capacidade da empresa de encontrar ativos clínicos promissores e integrá-los ao pipeline.
Programas focados em novas terapias oncológicas
O principal destino dos recursos será o programa JSKN016, que desenvolve uma terapia baseada em conjugados anticorpo-droga. Nessa abordagem, anticorpos que reconhecem e se ligam a células cancerígenas são combinados a moléculas terapêuticas, que são levadas diretamente ao tumor para neutralizá-lo.
Além do JSKN016, o aporte também financiará outros três programas de medicamentos. Um deles é uma colaboração com a AstraZeneca para criar um fármaco do tipo ER PROTAC, tecnologia que explora o mecanismo natural de reciclagem de materiais das células para degradar proteínas associadas ao câncer.
A rodada contou ainda com a participação de investidores recorrentes como AstraZeneca, NEA e General Atlantic, reforçando a leitura de que o uso intensivo de dados e IA em pesquisa clínica tende a ganhar espaço entre grandes farmacêuticas e fundos especializados.
Parceria trilateral com dados neurológicos
O investimento da Bristol Myers Squibb faz parte de uma parceria mais ampla, que inclui também a Tempus AI Inc., empresa de dados médicos. Pelo acordo, a Pathos pagará US$ 55 milhões à Tempus ao longo de cinco anos para licenciar dados anonimizados de pacientes com condições neurológicas.
Esses dados serão analisados pela Foundry para aprofundar o entendimento da biologia das doenças. A Pathos se compromete ainda a disponibilizar tanto a plataforma quanto o conjunto de dados à Bristol Myers Squibb, que pretende usá-los para aprimorar ensaios clínicos e selecionar pacientes com maior probabilidade de responder a novos tratamentos.
Entenda o contexto
A movimentação da Pathos AI consolida uma tendência de aproximação entre empresas de tecnologia e gigantes farmacêuticas em torno da IA aplicada à saúde. Ao permitir a análise de volumes massivos de dados clínicos e moleculares, plataformas como a Foundry prometem reduzir custo e tempo de desenvolvimento de remédios, ao mesmo tempo em que aumentam a precisão na escolha de moléculas e de pacientes para testes.
Na prática, isso pode acelerar a chegada de terapias inovadoras para pacientes com câncer e outras doenças complexas. Ao mesmo tempo, o modelo coloca pressão sobre companhias que ainda não operam com esse nível de integração de dados, e levanta desafios importantes na governança, privacidade e uso ético das informações médicas, tema que deve ganhar peso nas discussões regulatórias ao redor do mundo.


