Mercados
S&P 5007.621▲ 0,54%Nasdaq25.594▲ 0,62%Dow Jones52.313▲ 1,05%Ibovespa167.922▼ 0,75%FTSE 10010.761▲ 0,29%DAX25.981▲ 0,63%Nikkei63.082▼ 0,33%DólarR$ 5,44▲ 0,03%EuroR$ 6,09▲ 0,43%BitcoinR$ 419.826▼ 1,37%Powered by WIREDESK OSS&P 5007.621▲ 0,54%Nasdaq25.594▲ 0,62%Dow Jones52.313▲ 1,05%Ibovespa167.922▼ 0,75%FTSE 10010.761▲ 0,29%DAX25.981▲ 0,63%Nikkei63.082▼ 0,33%DólarR$ 5,44▲ 0,03%EuroR$ 6,09▲ 0,43%BitcoinR$ 419.826▼ 1,37%Powered by WIREDESK OS
Powered by WIREDESK OS
Inteligência Artificial

PUC Chile lidera em IA na América Latina: USP desafia no global

PUC do Chile assume topo do ranking QS na América Latina, à frente da USP. Em paralelo, USP lidera no Times Higher Education. Reitor chileno vê na inteligência artificial uma chance de democratizar a pesquisa e defender o pensamento livre.

Inteligência Artificial

PUC Chile destaca-se na América Latina enquanto USP mantém liderança em ranking global, impulsionadas pela inovação em IA.

Leia também: 52% dos pequenos negócios usam IA para crescer no Natal 2026

A PUC do Chile assumiu a liderança do ranking QS na América Latina e no Caribe nesta semana, logo à frente da Universidade de São Paulo (USP), enquanto a instituição paulista segue como a melhor latino-americana no ranking global da Times Higher Education. Na esteira dessa disputa de ponta, o reitor da PUC chilena, Juan Carlos La Llera, de 65 anos, vê na inteligência artificial (IA) uma oportunidade para equilibrar o jogo científico na região e reforçar o papel da universidade como espaço de pensamento livre diante do avanço de governos extremistas.

IA acelera artigos e muda a lógica da pesquisa

Para La Llera, a inteligência artificial já transforma o dia a dia dos laboratórios. Ele relata que, com o apoio dessas ferramentas, o tempo médio para elaborar um artigo científico despencou. “O tempo de geração de artigos científicos com o apoio da IA caiu, facilmente, para um terço ou um quarto”, afirma.

Na prática, isso significa pesquisadores produzindo mais em menos tempo e com acesso a recursos que antes exigiam grandes equipes ou infraestrutura cara. O reitor cita a Matemática como exemplo de área em plena revolução: “Cerca de 370 hipóteses que os humanos nunca tinham conseguido provar foram demonstradas com o uso de inteligência artificial”.

Segundo ele, essa mudança reduz a distância entre universidades com orçamentos muito diferentes. “A IA está democratizando certos processos de pesquisa; permite às nossas universidades na América Latina competir de forma mais igualitária”, diz. La Llera admite, no entanto, que a região não tem fôlego para construir sozinha grandes sistemas de IA: “Obviamente, não vamos desenvolver grandes modelos de linguagem, porque não temos recursos para isso. Mas usaremos a IA como ferramenta para melhorar a nossa produção científica e tecnológica”.

Entenda o contexto

No recorte latino-americano do ranking QS, a PUC do Chile aparece em primeiro lugar, com a USP na segunda posição. Já na lista global do Times Higher Education, a USP é a melhor avaliada da região, seguida justamente pela universidade chilena.

Os dois rankings medem critérios como reputação acadêmica, impacto de pesquisa, citações de artigos, internacionalização e relação entre número de docentes e alunos. Para o reitor, as listas ajudam a atrair talentos, alunos estrangeiros e parcerias, mas não contam toda a história.

“Os rankings, como qualquer ferramenta que tenta quantificar algo complexo, têm limitações, mas apontam tendências relevantes”, avalia. Ele destaca que, fora da região, esses selos são usados por outras universidades para decidir onde firmar convênios de pós-graduação e pesquisa conjunta.

O que é inteligência artificial resumo

Na definição prática usada pelas universidades, inteligência artificial é o conjunto de técnicas computacionais que permitem a máquinas executar tarefas que normalmente exigiriam raciocínio humano, como reconhecer padrões, gerar textos, analisar dados em grande escala e até ajudar a demonstrar teoremas. Em vez de regras fixas, esses sistemas aprendem a partir de enormes quantidades de dados e passam a fazer previsões, sugerir soluções ou criar conteúdos novos.

No ambiente acadêmico, isso se traduz em assistentes que organizam bibliografia em segundos, algoritmos que identificam padrões escondidos em bases gigantes de informação e modelos capazes de sugerir caminhos de prova em áreas complexas, como a Matemática. É essa capacidade de acelerar etapas trabalhosas que, na visão de La Llera, está “democratizando certos processos de pesquisa” e abrindo chance de competição mais equilibrada entre universidades ricas e pobres.

Como a ia funciona nas universidades

O uso da IA nas instituições de ensino superior combina ferramentas já disponíveis comercialmente com projetos próprios de pesquisa. Em muitos casos, o pesquisador entra com perguntas e dados, e o sistema devolve padrões, hipóteses ou rascunhos de textos que depois são refinados por humanos.

Na PUC do Chile, a aposta é concentrar esforços nesse uso aplicado, em vez de tentar competir na corrida bilionária por modelos gigantescos. “Obviamente, não vamos desenvolver grandes modelos de linguagem, porque não temos recursos para isso”, admite o reitor. A estratégia é usar o que já existe no mercado para ganhar produtividade científica, formar melhor os alunos e abrir novas frentes de inovação.

Essa mesma lógica começa a ser incorporada à formação profissional. A universidade chilena está reformulando currículos para refletir o impacto da IA no mercado de trabalho, com ênfase nos primeiros empregos, que tendem a ser os mais automatizados. A ideia é preparar graduados que saibam trabalhar com essas ferramentas, em vez de competir diretamente com elas.

Modelo chileno mira indústria, filantropia e fundos de risco

A liderança no ranking QS vem acompanhada de uma mudança agressiva na forma de financiar a pesquisa. A PUC do Chile criou um fundo interno que funciona como capital de risco para projetos científicos, com recursos próprios usados como alavanca para atrair dinheiro de fora.

“Este fundo funciona como um capital de risco associado à pesquisa. Em 2025, tivemos 330 candidaturas; neste ano foram 512 candidaturas”, relata La Llera, numa curva de crescimento que indica maior interesse da comunidade acadêmica. Ao todo, foram aplicados US$ 4 milhões, que serviram de base para multiplicar a captação. “Os US$ 4 milhões aplicados alavancaram quatro vezes mais financiamento externo, aproximadamente US$ 16 milhões”, afirma.

O desenho busca reduzir a dependência do orçamento público, considerado insuficiente para sustentar a ambição de pesquisa da instituição. O reitor é direto: imaginar que o sistema universitário chileno crescerá só com mais dinheiro estatal é “inviável”. A saída tem sido convocar a indústria local para projetos de interesse tecnológico e social e acionar a filantropia, inclusive por meio de uma fundação nos Estados Unidos dedicada a captar recursos para a universidade.

Além dos fundos para pesquisa, a PUC investe em educação continuada como fonte de receita estável. Programas modulares, baseados em microcredenciais que podem ser acumuladas até virar cursos completos, diplomas, pós-graduações e mestrados, miram profissionais que precisam se requalificar várias vezes ao longo da vida — um público em expansão num mercado impactado pela automação e pela IA.

Entenda o contexto

A aposta em fundos competitivos, parcerias com empresas e filantropia responde a um cenário em que a América Latina investe pouco em tecnologia de ponta. Embora a região responda por uma fatia relevante do PIB mundial, apenas uma pequena parcela do investimento global em IA tem destino latino-americano. A disparidade aparece, por exemplo, na infraestrutura de supercomputação, concentrada em grande parte no Brasil.

Para La Llera, essa combinação de recursos escassos e forte demanda por inovação obriga as universidades a serem criativas, tanto na forma de financiar a ciência quanto na maneira de aplicá-la a desafios locais — de produtividade a inclusão social.

Universidade como barreira a governos extremistas

Se a IA reorganiza a produção científica, a política pressiona a autonomia acadêmica. O reitor chileno demonstra preocupação com o avanço de governos extremistas na América Latina, à direita e à esquerda, e com tentativas de capturar a universidade para projetos ideológicos.

“A universidade é um baluarte do pensamento livre; deve ser capaz de mostrar a pluralidade de pensamento”, afirma. Ele defende que o campus permaneça como espaço de debate de médio e longo prazo, em contraste com a lógica dos ciclos eleitorais, marcados por agendas de quatro anos.

Na visão de La Llera, a tentativa de direcionar contratações ou financiamento de pesquisas com base em alinhamento político ameaça a essência da academia. “Se cortar esse elemento na academia, destrói o modelo universitário”, argumenta. E reforça que as pressões vêm tanto do Estado quanto da própria indústria, interessada em resultados rápidos e aplicados.

Ao mesmo tempo, ele admite que as universidades precisam ser avaliadas e corrigir rumos quando necessário, mas sempre preservando a liberdade acadêmica como condição para que possam pensar o futuro dos países. Em uma região marcada por desigualdade, baixa produtividade e instabilidade política, o reitor enxerga conhecimento e educação como saída ainda pouco assimilada. Para isso, diz, é preciso garantir que laboratórios e salas de aula continuem sendo espaços onde ideias circulem sem amarras externas — impulsionadas, agora, por novas ferramentas de inteligência artificial.