Putin elogia Elon Musk e revela contato sobre satélite russo
Na cúpula Rússia-África, Putin chamou Elon Musk de “verdadeiro gênio” e disse manter contato próximo sobre o Rassvet, projeto russo que mira rivalizar com o Starlink em meio à guerra na Ucrânia.

Tecnologia
Putin destaca colaboração com Musk em projeto de satélite russo para competir com Starlink durante conflito na Ucrânia.
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Vladimir Putin afirmou nesta quinta-feira, durante a cúpula Rússia-África, que mantém “contato próximo” com Elon Musk sobre o Rassvet, projeto russo de internet via satélite, e chamou o bilionário de “gênio”, num gesto que expõe a disputa geopolítica em torno das constelações de satélites usadas na guerra da Ucrânia.
Putin fala em “gênio” e admite atraso em relação à SpaceX
Ao comentar o avanço das redes comerciais de internet no espaço, Putin disse que o fundador da SpaceX “já tem mais de 5.000 satélites em órbita”, enquanto a Rússia “ainda está dando os primeiros passos” com o Rassvet, concebido como resposta ao Starlink.
“Elon Musk é um gênio, verdadeiramente um gênio”, afirmou o presidente russo, antes de ressaltar que Moscou quer acelerar seu próprio sistema para não depender de infraestrutura estrangeira em comunicações estratégicas. Segundo ele, as conversas com o executivo envolvem aspectos técnicos do projeto russo.
O Rassvet é planejado como uma constelação de satélites em órbita baixa para oferecer internet de alta velocidade, modelo parecido com o da rede Starlink, da SpaceX. A ambição russa é usar o sistema tanto para o público civil quanto para fins militares e governamentais.
Entenda o contexto
As declarações de Putin acontecem enquanto o Starlink se consolida como infraestrutura crítica para as forças ucranianas desde o início da invasão russa. A rede da SpaceX é usada para comunicação em campo de batalha, coordenação de unidades e operação de drones.
Essa dependência gerou preocupação em Kiev após o recente episódio em que o serviço sofreu limitações. Autoridades ucranianas veem com apreensão qualquer sinal de aproximação entre Moscou e Elon Musk, justamente quando a Rússia tenta erguer sua própria rede espacial.
Starlink já foi limitado para militares ucranianos
Ao longo de cerca de 10 dias neste mês, drones ucranianos registraram perdas frequentes de conectividade, o que foi atribuído a uma ordem para restringir o acesso da Ucrânia ao Starlink em determinadas áreas de operação. Relatos divergem se a decisão partiu diretamente de Musk ou de autoridades em Washington, mas, na prática, unidades ucranianas ficaram com capacidade reduzida de comando e controle.
Em publicações na plataforma X, Elon Musk justificou que a Ucrânia teria violado os termos de serviço ao empregar a rede em “ataques ofensivos com drones para matar pessoas”. Ele apresentou a medida como uma tentativa de limitar o uso do sistema em operações ofensivas de maior alcance.
Após o período de cerca de 10 dias, o serviço foi restabelecido, e a conectividade voltou ao padrão anterior. O próprio Musk reconheceu o peso do sistema no front ucraniano: “Se o Starlink fosse desligado, a linha de frente ucraniana colapsaria imediatamente. Isso NÃO é uma ameaça, é simplesmente uma declaração de fato”, escreveu o CEO da SpaceX.
Corrida por constelações e poder geopolítico
A fala de Putin na cúpula expõe uma corrida tecnológica cada vez mais central para a segurança nacional. Enquanto a SpaceX controla uma constelação com mais de 5.000 satélites ativos, oferecendo cobertura global, a Rússia tenta emplacar o Rassvet para reduzir a vantagem ocidental em comunicações espaciais.
A disputa vai além da capacidade técnica. Ao controlar redes como Starlink ou futuros sistemas militares como o Starshield, empresas privadas passam a ter peso direto em conflitos, alianças e negociações diplomáticas, influenciando decisões no campo de batalha e nas mesas de negociação.
Para a Ucrânia, o episódio recente de limitação do serviço reforçou a vulnerabilidade de depender de uma plataforma privada estrangeira para manter comunicações críticas. Para a Rússia, acelerar o Rassvet é uma forma de contornar essa assimetria e oferecer alternativa própria a aliados e parceiros, especialmente em cenários de sanções ou isolamento.
No horizonte, especialistas apontam que a pressão por regras internacionais sobre o uso de redes satelitais em conflitos deve aumentar, assim como a discussão sobre até onde vai o poder de executivos como Elon Musk ao decidir, praticamente sozinho, se um exército terá ou não acesso a um canal fundamental de comunicação em plena guerra.


