GM paga US$ 220 mi para encerrar processo sobre dados
General Motors vai pagar US$ 220 milhões a 36 estados nos EUA e se compromete a pedir consentimento explícito de motoristas para coletar e compartilhar dados de direção e localização.

Tecnologia
General Motors realiza acordo bilionário para proteger a privacidade dos motoristas nos EUA.
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A General Motors (GM) vai pagar US$ 220 milhões para encerrar um processo movido por 36 estados nos Estados Unidos, que acusavam a montadora de vender dados privados de motoristas sem consentimento, afetando inclusive valores de seguros de automóveis.
Qual foi o valor do acordo da GM sobre a venda de dados privados dos motoristas?
O acordo firmado pela GM com 36 estados é de US$ 220 milhões, valor que encerra a ação coletiva dos procuradores-gerais sobre a venda de dados de direção e localização de motoristas a corretores de dados e seguradoras.
O entendimento anunciado nesta quinta-feira estabelece que a empresa só poderá coletar e compartilhar dados de direção e localização com consentimento explícito dos motoristas, além de submeter seu programa de privacidade a auditorias independentes. O arranjo se soma a exigências já impostas por autoridades regulatórias federais, que proibiram o compartilhamento de certos dados sem autorização clara do consumidor.
Em comunicado, a GM afirmou que o acordo trata especificamente do Smart Driver, programa já encerrado, e insiste que vem reforçando seus controles internos. “This agreement addresses Smart Driver, a product we ended in 2024, and reinforces steps we’ve taken to strengthen our privacy practices”, informou a montadora.
Como a GM utilizava os dados privados dos motoristas?
Os dados eram coletados principalmente pelo Smart Driver, recurso gratuito dos aplicativos conectados da GM que monitorava comportamento ao volante e uso do cinto de segurança, além de registrar informações detalhadas de localização.
Esses dados alimentavam relatórios sobre como cada pessoa dirigia — frenagens bruscas, acelerações, horários e trajetos — e eram repassados a corretores de dados como LexisNexis e Verisk. Esses intermediários, por sua vez, vendiam as informações para seguradoras, que podiam usar os perfis de direção para ajustar prêmios, muitas vezes sem que o motorista soubesse que seu carro “conectado” estava gerando esse histórico.
A denúncia central dos estados é que a coleta e a venda aconteceram sem consentimento informado, em clara violação de expectativas de privacidade e de regras de proteção ao consumidor. Em alguns casos, motoristas só descobriram a existência de dossiês detalhados sobre sua direção ao contestar reajustes de seguro.
Entenda o contexto
O caso ganhou força após uma reportagem revelar, há mais de dois anos, como a GM e o serviço OnStar coletavam e comercializavam dados precisos de geolocalização e de direção. Mesmo depois de a empresa encerrar o Smart Driver em 2024, os processos estaduais avançaram, em paralelo a uma ordem federal concluída no início deste ano, que já limitava o compartilhamento de dados sem consentimento.
Diante da pressão, a GM atualizou sua política de privacidade, criou um Centro de Privacidade para que consumidores gerenciem o uso de seus dados e prometeu não vender mais informações que possam ser vinculadas a indivíduos, veículos ou locais específicos. A montadora diz que poderá seguir compartilhando apenas dados anonimizados com parceiros selecionados.
“Safer, more helpful and personalized experiences are enabled by connected vehicle data, and GM is committed to being clear about what information is used, how it’s protected, and the choices customers have about what they share”, afirmou a companhia, ao defender que recursos conectados dependem desse tipo de dado, mas que agora o foco é transparência e controle para o usuário.
Quais são as implicações do acordo de US$ 220 milhões para a GM?
Além do impacto financeiro imediato, o acordo redesenha a forma como a GM poderá explorar dados em seus veículos conectados e no OnStar, serviço de assistência que ganha cada vez mais funções baseadas em software e inteligência artificial.
Na prática, a empresa terá de estruturar um programa de privacidade robusto, com avaliações periódicas feitas por terceiros, políticas claras e mecanismos simples para que o consumidor aceite ou recuse o compartilhamento de dados — o chamado consentimento explícito. Isso tende a elevar custos de compliance e reduzir a margem para monetizar informações individualizadas.
Os efeitos vão além da GM. O entendimento com os 36 estados cria um precedente para outras montadoras e para setores como o de seguros, acostumados a comprar dados detalhados de comportamento ao volante. Com o acesso a essas informações mais restrito, modelos de precificação baseados em monitoramento silencioso de motoristas ficam sob questionamento.
Para os consumidores, especialistas apontam ganhos de controle e segurança, mas também alertam que alguns recursos avançados de conectividade podem exigir autorização para uso de dados. A própria GM admite que clientes que optarem por não compartilhar determinadas informações poderão ter acesso limitado a certas funcionalidades, como recursos de câmeras conectadas e assistentes inteligentes embarcados.


