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Republicanos despejam milhões para segurar Senado nos EUA

Na reta final das eleições de meio de mandato, republicanos gastam US$ 14 milhões para defender cadeiras do Senado em estados tradicionalmente vermelhos, enquanto Trump e Obama entram em cena.

Republicanos despejam milhões para segurar Senado nos EUA

Eleições EUA

Republicanos investem pesado para manter controle no Senado em estados-chave nas eleições de meio de mandato.

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Na última semana antes das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, o Partido Republicano despeja dezenas de milhões de dólares para defender cadeiras no Senado em estados tradicionalmente conservadores, enquanto a campanha de Donald Trump monta uma ofensiva final com viagens a Kansas, Carolina do Sul, Nebraska e Mississippi para tentar conter o avanço democrata.

GOP abre cofre para proteger redutos

Registros federais mostram que o Senate Leadership Fund (SLF), principal super PAC alinhado aos republicanos no Senado, já gastou US$ 14 milhões apenas na penúltima semana de campanha em quatro estados que, até pouco tempo atrás, eram considerados seguros: Kansas, Carolina do Sul, Nebraska e Mississippi.

O maior desembolso ocorre em Kansas, onde o grupo injetou mais de US$ 5 milhões para tentar salvar o mandato do senador Roger Marshall. O médico enfrenta uma disputa inesperadamente apertada contra o democrata Adam Hamilton, após uma sequência de reportagens negativas sobre processos que moveu contra pacientes com contas médicas em aberto e críticas internas de que não estaria levando a campanha com a devida seriedade.

Operativos ligados à campanha de Trump admitem que o estado virou um foco constante de preocupação. “Kansas tem sido uma grande dor de cabeça desde o início de outubro”, disse um integrante da operação republicana, lembrando que o próprio Trump venceu o estado por dois dígitos na eleição presidencial anterior. Segundo esses estrategistas, a orientação foi reforçar ainda mais o investimento externo para evitar uma virada de última hora.

Na Carolina do Sul, o SLF destinou aproximadamente US$ 5 milhões para fortalecer a senadora Darline Graham, que tenta se reeleger, mas encontra dificuldades para mobilizar a base trumpista, mesmo com o aval público do ex-presidente que a impulsionou na primária. Em Nebraska, quase US$ 3 milhões foram reservados para o senador Pete Ricketts, que aparece atrás em algumas pesquisas, e, no Mississippi, pouco menos de US$ 1 milhão foi direcionado para a senadora Cindy Hyde-Smith.

Nos bastidores, assessores de Trump afirmam que “democratas não ampliaram suas vantagens em várias disputas-chave”, o que, na avaliação deles, justificaria o esforço concentrado de última hora para segurar as margens existentes. Mas o fato de ter de defender tantos flancos ao mesmo tempo, em estados que o partido tratava como garantidos, é lido como um sinal do momento delicado para os republicanos.

Trump multiplica comícios em estados vermelhos

O roteiro de viagens de Donald Trump nesta reta final reflete o clima de alerta. Além dos tradicionais comícios em estados-pêndulo, o ex-presidente ampliou a agenda em redutos conservadores que passaram a ser considerados de risco.

Na semana passada, Trump esteve em Kansas e na Carolina do Sul, com eventos voltados tanto para reforçar a imagem dos senadores aliados quanto para inflamar a base republicana local. Nesta semana, ele passou pelo Mississippi e tem novas paradas previstas em Kansas e na Carolina do Sul, num esforço para transformar a popularidade pessoal em comparecimento às urnas a favor dos candidatos ao Senado.

Essas viagens se somam às campanhas de anúncios financiadas pelo SLF e por outros grupos externos, que inundam emissoras de TV e plataformas digitais com peças atacando candidatos democratas e tentando colar nos adversários a imagem de alinhamento com a liderança do partido em Washington.

Entenda o contexto

Os estados em disputa — Kansas, Carolina do Sul, Nebraska e Mississippi — costumam eleger republicanos com folga tanto para a Casa Branca quanto para o Senado. A necessidade de despejar recursos em série nesses locais, portanto, revela o quanto o mapa eleitoral se estreitou para o partido.

A principal meta republicana é manter o controle do Senado ou, ao menos, evitar que os democratas conquistem uma maioria confortável que permita avançar com pautas legislativas sem necessidade de negociação intensa. A conta é apertada: cada cadeira pode definir o equilíbrio de forças em temas como indicações judiciais, política fiscal e regulação de tecnologia — área acompanhada de perto por empresas do setor reunidas no chamado Tech Desk em Washington.

Para conseguir isso, estrategistas têm realocado verbas de disputas que consideram menos promissoras para essas corridas em estados vermelhos. Na prática, isso também obriga os democratas a manterem atenção e dinheiro em mais frentes simultâneas, aumentando o custo geral da eleição para os dois lados.

Por que Michigan virou peça-chave na briga pelo Senado?

Michigan aparece hoje como uma das melhores chances de ganho de cadeira para os republicanos e, ao mesmo tempo, um elo frágil na tentativa democrata de manter — e eventualmente ampliar — sua presença no Senado.

O candidato democrata Abdul El-Sayed enfrenta dificuldades para consolidar o apoio de blocos essenciais ao partido no estado. Assessores democratas apontam como desafio central as tensões históricas entre as comunidades árabe e negra em Michigan, que foram agravadas na primária deste ciclo, quando aliados de sua adversária interna, Haley Stevens, veicularam anúncios com elogios de Barack Obama ao trabalho dela durante a crise financeira de anos anteriores.

A leitura em Washington é que a manutenção da cadeira em Michigan passa por uma mobilização robusta do eleitorado negro, o mesmo segmento que ajudou Obama a puxar o estado para o campo democrata em disputas presidenciais anteriores. Sem esse engajamento em massa, republicanos acreditam ter um caminho realista para um ganho líquido no Senado.

Obama volta ao palanque para defender aliado

Para conter o desgaste e tentar recompor parte dessa coalizão, Barack Obama dividiu o palanque com Abdul El-Sayed em um comício em Detroit no fim de semana. A presença do ex-presidente foi planejada para sinalizar apoio claro ao candidato e falar diretamente a eleitores negros que se mostravam desmotivados ou divididos.

Aliados de El-Sayed apostam que a imagem de Obama ainda tem peso suficiente para destravar resistências e incentivar o comparecimento às urnas. Mas, nos bastidores, operadores democratas admitem que não há garantia de que um único evento, mesmo com uma figura nacional de peso, seja suficiente para neutralizar anos de desconfiança entre segmentos da base.

No campo republicano, a aposta é que qualquer queda na participação de eleitores tradicionalmente democratas, combinada à mobilização intensa da base conservadora, pode virar o jogo em Michigan e selar o futuro controle do Senado.

Tensão máxima na reta final

Com a proximidade da votação, tanto republicanos quanto democratas concentram esforços em operações de mobilização porta a porta, incentivo ao voto antecipado e monitoramento diário de pesquisas internas. Campanhas avaliam onde ainda há eleitores indecisos e quais mensagens têm mais impacto em cada região.

Os próximos dias devem manter o ritmo de viagens de Trump a estados vermelhos sob risco e de figuras democratas de peso, como Obama, a estados em que o partido tenta segurar cadeiras. “Precisamos ver como isso vai se desenrolar. Até a próxima semana, do outro lado!”, escreveu o jornalista Hugo Lowell, que acompanha de perto as movimentações em Washington, sintetizando o clima de incerteza que domina os bastidores políticos na capital americana.