Startup de IA Flapping Airplanes capta US$ 1 bi em Série A
Laboratório de IA Flapping Airplanes, de San Francisco, levanta US$ 1 bilhão em rodada Série A, atinge valuation de US$ 6 bilhões e aposta em megakernels para tornar modelos muito mais eficientes em dados e GPUs.

Tecnologia
Flapping Airplanes conquista investimento recorde para aprimorar eficiência de modelos de IA com megakernels.
Leia também: Flapping Airplanes fatura US$ 1 bi para revolucionar IA eficiente
A Flapping Airplanes Inc., laboratório de pesquisa em inteligência artificial fundado há cerca de um ano em San Francisco, anunciou nesta quarta-feira (21) a captação de US$ 1 bilhão em uma rodada Série A que avalia a empresa em US$ 6 bilhões e financia o desenvolvimento de modelos de IA muito mais eficientes em dados e uso de GPUs.
Megakernel promete cortar desperdício nas GPUs
Com uma equipe de aproximadamente duas dezenas de pesquisadores trabalhando presencialmente, a Flapping Airplanes afirma ter criado “o framework de megakernel mais completo do mundo” para placas gráficas. A ideia é executar um programa inteiro como um único kernel na GPU, em vez de dividir o processamento em várias etapas que deixam o chip ocioso entre uma tarefa e outra.
Segundo a empresa, essa arquitetura permite que uma única GPU faça, ao mesmo tempo, um treinamento completo de modelo, rode inferência (as respostas em tempo real) e até execute aplicações como jogos, tudo dentro de um único megakernel. Na prática, operações de inferência que dependem mais de memória podem se sobrepor a treinos que exigem mais poder de cálculo, aumentando o aproveitamento do hardware e reduzindo custo.
O trabalho do primeiro ano do laboratório se concentrou em criar novos “primitivos” — blocos básicos de programação — para GPUs, capazes de suportar algoritmos de aprendizado de máquina mais eficientes que os atuais. A promessa é reduzir drasticamente o volume de dados necessário para treinar modelos de alto desempenho.
Entenda o contexto
O avanço ocorre em um momento em que a demanda por IA cresce mais rápido do que a oferta de computação e de conjuntos de dados de qualidade. Grandes modelos de linguagem e sistemas avançados de visão computacional consomem bilhões de parâmetros, petabytes de dados e enormes frotas de GPUs, elevando custos e criando barreiras de entrada para empresas menores e aplicações de nicho.
Ao atacar diretamente essa conta, a Flapping Airplanes mira não só em gastar menos GPU, mas em viabilizar modelos treinados com bases de dados mais enxutas, inclusive em áreas onde os dados são escassos ou caros de obter, como robótica física, finanças quantitativas e ciências da vida. “Um modelo que é um milhão de vezes mais eficiente em dados provavelmente é um milhão de vezes mais fácil de ser incorporado à economia”, disse o cofundador Asher Spector, doutor em estatística por Stanford.
Quem está por trás da Flapping Airplanes
A startup foi fundada pelos irmãos Asher e Ben Spector e por Aidan Smith. Asher Spector é doutor em estatística pela Stanford University e atua como cofundador do laboratório. O CEO Ben Spector é doutorando em ciência da computação em Stanford e liderou, na época de estudante no MIT, o acelerador de startups Prod. Aidan Smith é Thiel Fellow e ex-funcionário da Neuralink Corp.
O trio organiza o time em San Francisco em regime totalmente presencial, numa estrutura típica de laboratório de pesquisa avançada: foco quase exclusivo em novos algoritmos e arquiteturas, sem produtos comerciais lançados até agora. Ainda assim, o apetite dos investidores indica confiança de que o salto de eficiência prometido será convertido em tecnologias utilizáveis pela indústria.
Rodada bilionária e investidores de peso
A rodada Série A foi co-liderada por Index Ventures Management e Lux Capital Management, com participação de Sequoia Capital Operations, GV Management Co., Kleiner Perkins Caufield & Byers, Valor Equity Partners LP, Atreides Management LP, Jump Trading Group, XTX Ventures e Nvidia Corp., entre outros. Com os novos recursos, o total já investido na empresa chega a US$ 1,18 bilhão, somando os US$ 180 milhões captados na rodada seed em janeiro.
O avanço também muda de patamar o valor de mercado da Flapping Airplanes: em cerca de nove meses, a avaliação quadruplicou até chegar aos atuais US$ 6 bilhões. A Index Ventures terá presença direta na gestão: Mark Xu passa a integrar o conselho da startup.
Xu resume a tese que atraiu os investidores. “A demanda por IA continuará superando a oferta de computação e dados, especialmente em robótica, trading e ciências da vida”, afirmou. Para esses segmentos, uma solução que permita treinar e operar modelos de ponta com menos dados e menos horas de GPU pode representar ganho direto de competitividade.
Impacto potencial para o mercado de IA
A aposta em megakernels e em modelos muito mais eficientes em dados desafia a lógica predominante hoje, baseada em escalar modelos e clusters de GPUs cada vez maiores. Se os avanços se confirmarem em aplicações práticas, a tecnologia da Flapping Airplanes pode reduzir barreiras de custo, acelerar o desenvolvimento de produtos e ampliar o número de empresas e setores capazes de adotar IA avançada.
Ao mesmo tempo, o movimento pressiona players estabelecidos de hardware, software e serviços de nuvem a explorar arquiteturas mais próximas da proposta do laboratório ou a oferecer ferramentas que reduzam o desperdício de capacidade das GPUs atuais. O foco imediato da startup, porém, segue na pesquisa básica, na expansão da equipe em San Francisco e na preparação de primeiras ofertas comerciais capazes de demonstrar, em escala, os ganhos prometidos por seu framework de megakernel.
Fonte: matéria original


