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Entretenimento

STF torna Eustáquio réu e bolsonarista pede evitar novo 8 de janeiro

Paulo Figueiredo pede que direita não repita violência de 8 de janeiro após reeleição de Lula, enquanto STF transforma Oswaldo Eustáquio em réu e foragidos hostilizam eleitores no exterior.

STF torna Eustáquio réu e bolsonarista pede evitar novo 8 de janeiro

Política

Após decisão do STF, líderes bolsonaristas alertam para evitar novos episódios de violência política.

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Às vésperas das eleições municipais de 2026 e horas após a confirmação da reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva, o influenciador bolsonarista Paulo Figueiredo pediu neste domingo (25) que apoiadores de Flávio Bolsonaro não repitam atos violentos como os ataques de 8 de janeiro de 2023, enquanto o Supremo Tribunal Federal torna réu o blogueiro Oswaldo Eustáquio e foragidos ligados à extrema direita hostilizam eleitores de Lula na Europa.

O que aconteceu no dia 8 de janeiro relacionado à reeleição de Lula?

Os ataques de 8 de janeiro de 2023 ocorreram após a eleição de Lula e foram invocados neste domingo por Paulo Figueiredo como exemplo do que não deve se repetir diante da nova derrota eleitoral de Flávio Bolsonaro. Naquele dia, extremistas invadiram e depredaram as sedes dos Três Poderes, em Brasília, em contestação ao resultado das urnas que reconduziu o petista à Presidência.

Ao falar com uma plateia revoltada, que gritava “fraude” após a confirmação da vitória de Lula sobre Flávio no segundo turno, Figueiredo fez uma advertência direta: “Não caiam em respostas rápidas. Não caiam num novo 8 de janeiro”. O apelo mira justamente o risco de que a frustração com o cenário político alimente novas tentativas de ruptura institucional.

Influenciador pede “reflexão” e fala em “tempos sombrios”

O pedido de calma foi feito em um videocast de cerca de quatro horas, transmitido ao vivo, com participação do ex-deputado Eduardo Bolsonaro. Diante de apoiadores que reclamavam do resultado, Figueiredo tentou conter os ânimos e, ao mesmo tempo, vocalizou a indignação do grupo.

Ele afirmou ter dedicado o mandato inteiro anterior à tentativa de eleger Flávio Bolsonaro presidente e descreveu o revés nas urnas como um golpe duro para a direita. “Trabalhei quatro anos para que a gente pudesse trazer o Flávio presidente, a gente fez muito sacrifício, como as outras pessoas que estão aqui conosco”, disse.

Para o influenciador, o desfecho da disputa marca uma inflexão no cenário político brasileiro. “Isso aqui se confirmando, teremos uma consolidação de regime e tempos sombrios mais longos sobre o Brasil”, declarou, defendendo um período de “reflexão” interna no campo bolsonarista antes da definição dos próximos passos.

Qual foi o papel de Oswaldo Eustáquio nos atos de 8 de janeiro?

Oswaldo Eustáquio é acusado pela Procuradoria-Geral da República de integrar uma associação criminosa que atuou na mobilização golpista que culminou nos ataques de 8 de janeiro de 2023. Segundo a denúncia acolhida hoje pelo Supremo Tribunal Federal, o blogueiro ajudou a alimentar e organizar o ambiente de contestação ao resultado das eleições.

A PGR aponta que Eustáquio participou de acampamentos em frente ao Quartel-General do Exército, em Brasília, após a vitória de Lula, e divulgou as manifestações em suas redes sociais. Para a Procuradoria, essas ações tiveram como objetivo deslegitimar o sistema eleitoral e estimular atos contra o Estado Democrático de Direito.

STF torna blogueiro réu por associação criminosa

Em decisão unânime tomada em plenário virtual, a Primeira Turma do STF aceitou a denúncia por associação criminosa e transformou Eustáquio em réu. Votaram a favor o relator Alexandre de Moraes e os ministros Flávio Dino, Cristiano Zanin e Cármen Lúcia.

A Corte não julgou hoje culpa ou inocência, mas considerou haver indícios suficientes para abrir ação penal. Ao justificar o voto, Moraes reforçou que a Constituição não protege manifestações que visem derrubar a ordem democrática. “São inconstitucionais as condutas e manifestações que tenham a nítida finalidade de controlar ou mesmo aniquilar a força do pensamento crítico, indispensável ao regime democrático, quanto aquelas que pretendam destruí-lo, juntamente com suas instituições republicanas, pregando a violência, o arbítrio, o desrespeito à Separação de Poderes e aos direitos fundamentais”, escreveu o ministro.

O blogueiro é considerado foragido: após ser alvo de medidas no Brasil, mudou-se para a Espanha. Em dezembro de 2025, a Justiça espanhola negou um pedido de extradição, alegando suposta motivação política nas investigações, o que tende a dificultar o andamento prático da ação penal e pode gerar atritos diplomáticos.

Entenda o contexto

A atuação do STF se insere em uma estratégia de responsabilização ampla pelos ataques de 8 de janeiro de 2023, em meio a uma nova onda de tensão política após a reeleição de Lula e a derrota de Flávio Bolsonaro. A Corte e a PGR têm mirado financiadores, organizadores e participantes de acampamentos e manifestações que pediam intervenção militar e questionavam a lisura das urnas.

Para o campo bolsonarista, essas ações ampliam a percepção de perseguição e alimentam o discurso de que o Judiciário estaria “criminalizando” a direita. Para os ministros e procuradores, trata-se de fazer valer a Constituição e impor limites claros à violência política e a projetos abertamente antidemocráticos.

Hostilidade a eleitores de Lula se espalha pela Europa

Enquanto o Supremo avança nas ações penais, episódios de intimidação contra eleitores de Lula se multiplicam em consulados e seções eleitorais no exterior. Na Polônia, o brasileiro Adriano Castro, conhecido como Didi Red Pill e também foragido dos ataques de 8 de janeiro de 2023, foi identificado na porta do consulado do Brasil, em Varsóvia, hostilizando eleitoras e eleitores do petista.

Filmando as pessoas que chegavam para votar, Castro chamava apoiadores de Lula de “idiotas” e “vagabundos” e os provocava sobre o uso da estrela vermelha do PT. Em vídeos publicados nas redes, ele ameaça acionar a polícia caso alguém utilizasse símbolos do partido nas imediações. “Aqui, só uma minoria de patriota. O resto, tudo petista”, afirmou em uma das gravações.

O próprio Castro narrou que deixou o Brasil pelo Paraguai e passou por Colômbia, Costa Rica e Panamá antes de chegar à Europa. Em Varsóvia, ele já havia aparecido em outras ocasiões em discussões com brasileiros nas ruas, gritando frases como “hoje é o fascista que vai vencer, pode chorar”.

Eurodeputado entra em ofensiva contra brasileiras

A hostilidade na Polônia ganhou contornos políticos quando duas brasileiras que votaram em Lula foram alvo de uma campanha organizada por perfis de extrema direita nas redes sociais após publicarem uma foto em frente à embaixada brasileira em Varsóvia com um broche discreto do PT.

Os ataques passaram a associar o símbolo petista à apologia ao comunismo, tema sensível no país. Comentários pediam um “corretivo dos nacionalistas” e sugeriam que as eleitoras fossem deportadas para uma prisão de segurança máxima no exterior.

Nesse ambiente, o eurodeputado ultraconservador Dominik Tarczyński passou a incentivar seguidores a localizar e pressionar as brasileiras, sob o argumento de que elas exibiam um “símbolo comunista”. A legislação polonesa proíbe a promoção de regimes totalitários, mas a exibição de símbolos, por si só, não é automaticamente ilegal, o que não impediu a instrumentalização política do caso.

Intimidação em centros de votação na Espanha e em Portugal

Relatos semelhantes se repetiram em outros países europeus neste domingo. Em cidades espanholas e em Lisboa, grupos organizados de apoiadores de Jair e Flávio Bolsonaro passaram a filmar e abordar eleitores identificados com Lula em filas e áreas próximas aos locais de votação.

Em Portugal, o clima ficou mais tenso em um centro eleitoral com grande concentração de brasileiros. A polícia local foi acionada para intervir após registros de intimidação e discussão entre grupos rivais, e passou a reforçar a segurança para garantir o andamento do pleito.

Os episódios preocupam autoridades brasileiras e europeias, que veem a polarização doméstica se transplantar para comunidades de imigrantes, exigindo maior coordenação entre diplomacia, Justiça Eleitoral e forças policiais dos países anfitriões.

Judiciário aperta o cerco, bolsonarismo tenta conter radicalização

A combinação entre o endurecimento do STF contra envolvidos nos ataques de 8 de janeiro de 2023 e o apelo público de figuras como Paulo Figueiredo evidencia uma encruzilhada para o bolsonarismo. De um lado, cresce a pressão judicial e o risco de novas condenações criminais para lideranças e apoiadores mais radicalizados. De outro, parte da própria direita tenta evitar que episódios semelhantes aos de Brasília se repitam e agravem o isolamento político do grupo.

No curto prazo, o foco está em manter a estabilidade institucional após a reeleição de Lula e a derrota de Flávio Bolsonaro, num ambiente em que discursos extremistas seguem circulando em redes sociais, programas online e encontros presenciais no Brasil e no exterior. O STF e a PGR devem seguir abrindo processos contra suspeitos de participação em atos antidemocráticos, enquanto Itamaraty e consulados são pressionados a assegurar a integridade de eleitores brasileiros fora do país.