Trump promete US$ 5 mil por adulto se Congresso virar republicano
Em comício em Highland Heights, Trump prometeu US$ 5 mil a cada adulto se os republicanos levarem o Congresso, atacou dissidentes do partido e disse poder renomear o Golfo do México.

Política
Durante comício, Trump oferece incentivo financeiro para adultos caso republicanos conquistem o Congresso.
Leia também: Netflix demite 1.000 funcionários em grande corte
Em um comício em Highland Heights, no Kentucky, neste sábado, o presidente Donald Trump apostou em promessas econômicas de impacto e em ataques a aliados dissidentes para tentar impulsionar a votação republicana nas eleições de meio de mandato, chegando a prometer US$ 5.000 para cada adulto americano caso o partido conquiste o controle do Congresso.
Trump exibe poder e fala em renomear Golfo do México
Diante de uma arena lotada, Trump afirmou que seu segundo mandato na Casa Branca lhe dá margem para tomar decisões que, segundo ele, não teria conseguido antes. Como exemplo, disse ter mudado a forma como o governo se refere ao Golfo do México, que passaria a ser chamado de Golfo da América, e ao Lago Ontário, que ele rebatizou de “Lake America”.
“This is a much more powerful term”, disse o presidente, ao comentar seu atual mandato. Em seguida, mirou o Google para ilustrar o que descreveu como aumento de influência. “Google wouldn’t have taken my call in the first. Now, they kiss my ass”, afirmou, em tom de deboche, sob aplausos e risadas de parte do público.
As declarações vêm em meio à crescente desaprovação do governo, pressionado pelo impacto das tarifas e pela guerra com o Irã, em curso há quase oito meses, apontadas como fatores para a alta de preços nos Estados Unidos.
Promessa de US$ 5.000 por adulto acende alerta fiscal
No trecho mais polêmico do discurso, Trump retomou uma promessa já feita em outras ocasiões: “If Republicans win, every adult American will get $5,000”, declarou. A medida, se concretizada, teria custo superior a US$ 1 trilhão e exigiria aprovação do Congresso, num cenário em que o orçamento federal já opera com déficit anual próximo de US$ 1,8 trilhão.
Analistas veem na proposta um exemplo de estímulo direto ao eleitorado, mas com alto risco para as contas públicas. Sem detalhar fontes de financiamento nem eventuais cortes em outras áreas, o plano pressionaria ainda mais as finanças do governo e poderia redesenhar prioridades em políticas sociais e de investimento.
Trump também vinculou a vitória republicana a um benefício específico para o Kentucky, dizendo que o Departamento de Defesa investiria na revitalização de uma fábrica de medicamentos no estado. Segundo ele, o projeto geraria empregos e novos contratos, mas foi apresentado de forma condicional, atrelado ao resultado das urnas.
Entenda o contexto
O comício ocorre na reta final da campanha de meio de mandato, com os republicanos tentando manter o controle das duas Casas do Congresso em meio a pesquisas que indicam desgaste do governo. A perda de cadeiras abriria espaço para comissões controladas pelos democratas intensificarem investigações sobre a administração Trump.
Consciente do peso de sua imagem, o presidente pediu aos apoiadores que usem o voto como um referendo pessoal. “Pretend that I’m on the ballot”, disse, incentivando a base a comparecer às urnas como se ele próprio estivesse na cédula.
Ataques a Thomas Massie expõem racha republicano
Trump aproveitou o palanque para reforçar o apoio a Ed Gallrein, candidato republicano à Câmara que derrotou o deputado Thomas Massie na primária, apoiado diretamente pela Casa Branca. Massie irritou o presidente ao defender a divulgação de documentos do caso Jeffrey Epstein e ao se opor à guerra com o Irã.
Ao chamar o deputado derrotado de “Thomas Massie is a jerk and a loser”, Trump testou os limites da fidelidade local. A reação da plateia foi dividida: cerca de metade aplaudiu, enquanto o restante permaneceu em silêncio, sinal de que o congressista mantém apoio entre eleitores conservadores da região.
Gallrein foi puxado ao palco e apresentado como um substituto mais leal ao presidente. A aposta em candidatos alinhados à Casa Branca, porém, pode aprofundar fissuras internas, afastando republicanos críticos da condução da política externa e da escalada de gastos.
Guerra no Irã, gasolina e cenário econômico
Em meio ao descontentamento com a inflação e o custo dos combustíveis, Trump tentou tranquilizar o público ao afirmar que o conflito com o Irã está perto do fim e prometeu queda expressiva no preço da gasolina. Ele disse que a guerra, que já dura quase oito meses, se encaminha para uma solução e que os valores nas bombas ficarão mais baixos do que antes, o que arrancou gritos e aplausos.
Sem apresentar detalhes sobre eventuais negociações ou mudanças de estratégia, o presidente reforçou uma narrativa de controle sobre a política externa e a economia, em contraste com as críticas de que sua agenda, especialmente as tarifas, ajuda a pressionar custos para consumidores e empresas.
Democratas viram alvo de previsões catastróficas
Ao atacar a oposição, Trump voltou a usar projeções dramáticas sobre um eventual avanço democrata nas eleições legislativas. “If the Democrats win, we will have a depression”, declarou, sugerindo que uma vitória do outro partido levaria o país a uma crise econômica profunda.
O presidente também acusou os democratas de quererem abolir o Senado e a Suprema Corte, pontos que não constam na plataforma oficial do partido. Ele tentou associar a legenda ao movimento dos socialistas democráticos, que emplacou alguns candidatos nas primárias, numa estratégia para colar a imagem da oposição à de grupos mais à esquerda.
As declarações devem alimentar novos embates na campanha, com democratas e republicanos moderados usando as falas de Trump para criticar o que classificam como exageros retóricos, enquanto a base trumpista tende a ecoar o discurso de risco existencial em caso de derrota.
Reação e próximos passos na disputa
A apresentação em Highland Heights deixa claro que Trump pretende centralizar a disputa de meio de mandato em sua figura, apostando em simbolismo nacionalista, promessas de dinheiro no bolso e confronto aberto, inclusive com dissidentes do próprio partido.
A base republicana mais fiel saiu do evento energizada pelas promessas e pela retórica agressiva. Já setores moderados do partido e eleitores independentes podem reagir com mais cautela, diante do impacto potencial sobre o déficit e da escalada do conflito político interno.
Nas próximas semanas, republicanos tentarão transformar o discurso em comparecimento às urnas, enquanto a oposição deve explorar a falta de detalhamento das propostas econômicas, a continuidade da guerra no Oriente Médio e a pressão sobre o custo de vida para enfraquecer o presidente e seus aliados nas urnas.
Fonte: matéria original
Leia também
Mais em Gestão →
Thoughtful businessman working remotely on laptop at cafe, planning next stepsFundadores revelam 3 mudanças para escalar startups globalmente

França tenta evitar intervenção com dívida recorde de US$ 4 tri
Imagem: reprodução / Fortune