Mercados
S&P 5007.377▲ 0,31%Nasdaq24.579▲ 1,09%Dow Jones51.286▼ 0,46%Ibovespa168.498▲ 1,39%FTSE 10010.674▼ 1,01%DAX25.820▼ 1,92%Nikkei57.435▼ 5,96%DólarR$ 5,50▼ 0,14%EuroR$ 6,13▼ 0,72%BitcoinR$ 416.766▼ 0,04%Powered by WIREDESK OSS&P 5007.377▲ 0,31%Nasdaq24.579▲ 1,09%Dow Jones51.286▼ 0,46%Ibovespa168.498▲ 1,39%FTSE 10010.674▼ 1,01%DAX25.820▼ 1,92%Nikkei57.435▼ 5,96%DólarR$ 5,50▼ 0,14%EuroR$ 6,13▼ 0,72%BitcoinR$ 416.766▼ 0,04%Powered by WIREDESK OS
Powered by WIREDESK OS
Inteligência Artificial

UFCG lança IA que identifica fontes de gases na Paraíba hoje

Plataforma GEEnius, criada na UFCG, usa inteligência artificial explicável para cruzar dados públicos, mapear emissões de gases de efeito estufa e orientar prefeituras na Paraíba.

UFCG lança IA que identifica fontes de gases na Paraíba hoje

Inteligência Artificial

Nova plataforma da UFCG mapeia emissões de gases para orientar ações ambientais na Paraíba.

Leia também: Anthropic investe US$ 3,4 bi em geradores para data centers

A plataforma GEEnius, desenvolvida na Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), usa inteligência artificial explicável para cruzar dados públicos e mostrar a prefeitos quais fatores mais pesam nas emissões de gases de efeito estufa em cada município, ajudando a direcionar políticas ambientais e evitar gastos em ações pouco eficazes.

O que é a ferramenta de IA usada para identificar fontes de emissão de gases de efeito estufa na Paraíba?

A GEEnius é uma plataforma digital que combina grandes bases de dados públicos com modelos de aprendizado de máquina para produzir um “raio-X climático” dos municípios. Ela foi criada pelo doutorando João José de Melo Neto, sob orientação do professor Madson Tavares Silva, na Unidade Acadêmica de Ciências Atmosféricas (UACA) da UFCG, no Agreste da Paraíba.

A ferramenta reúne informações de órgãos como IBGE, Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), Aneel, Empresa de Pesquisa Energética (EPE), MapBiomas, Observatório do Clima e Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran), entre outros. A partir desse cruzamento, a IA calcula estimativas de emissões e aponta quais variáveis mais influenciam o resultado em cada cidade.

“Quando cheguei ao doutorado eu queria responder a uma pergunta simples, que ninguém tinha respondido para o âmbito principalmente de pequenas cidades no Brasil: quais fatores mais pesavam nas emissões de gases do efeito estufa de cada cidade e como elas gerenciavam e mitigavam isso? Quando os modelos de inteligência artificial começaram a dar as respostas, percebi que aquilo não podia ficar só numa tese”, afirma João José de Melo Neto.

Diferentemente de modelos considerados “caixa-preta”, que dão apenas o número final, a GEEnius adota técnicas de inteligência artificial explicável: além de estimar quanto o município emite, mostra de forma transparente que tipo de atividade – como desmatamento, agropecuária, energia ou transporte – está por trás desse quadro.

Nordeste mapeado em cinco perfis de emissão

Em uma análise preliminar, o grupo aplicou a GEEnius em 1.794 municípios do Nordeste. O sistema trabalhou com quase 30 variáveis socioeconômicas, ambientais e de infraestrutura para entender o que diferencia o padrão de emissões de uma cidade para outra.

O modelo identificou cinco perfis principais: uso do solo, agropecuária, energia, economia e transportes. O uso do solo, que inclui desmatamento e mudanças na cobertura vegetal, apareceu como fator predominante em 1.564 municípios. Em 114 cidades o perfil dominante foi o de energia; em 106, o de agropecuária. Economia foi o principal fator em 7 municípios, e transportes, em 2.

Segundo Madson Tavares Silva, esse mapeamento mostra como o desmatamento e a forma de ocupar o território ainda são o grande nó climático da região. Ao mesmo tempo, energia e agropecuária se destacam em áreas urbanas e rurais com características específicas, enquanto poucos municípios têm emissões fortemente ligadas a transportes ou à estrutura da economia local.

O professor ressalta que os perfis não são fixos e podem mudar conforme a cidade cresce, muda de vocação econômica ou altera suas políticas. Para ele, esse olhar dinâmico é um dos diferenciais da ferramenta frente a inventários tradicionais feitos uma vez e depois engavetados.

Entenda o contexto

A GEEnius nasce de um problema bem conhecido dentro das prefeituras: a informação existe, mas está espalhada entre diferentes órgãos e sistemas, e a maioria das cidades pequenas não tem equipe técnica para juntar tudo e tirar dali um diagnóstico sólido.

“A informação existe, mas está espalhada como peças de um quebra-cabeça guardadas em gavetas de ministérios e agências diferentes. Montar esse quebra-cabeça exige uma equipe de especialistas, e o próprio IBGE mostra que a área ambiental, na maioria das prefeituras, é um setor pendurado em outra secretaria, sem equipe própria. Resultado: sem diagnóstico, a cidade não planeja”, diz Madson Tavares Silva.

Ao automatizar a coleta e a análise dos dados, a plataforma tenta justamente preencher essa lacuna. Em vez de cada município ter que montar sua própria equipe de especialistas, a ideia é oferecer um sistema que já chega com as informações integradas e organizadas, pronto para apoiar decisões.

Como a ferramenta de IA ajuda os municípios da Paraíba a monitorar as emissões de gases de efeito estufa?

A GEEnius ajuda os municípios da Paraíba ao transformar uma massa de dados dispersos em diagnósticos claros sobre quais setores mais contribuem para as emissões locais. Na prática, ela permite que gestores vejam se o principal problema está no desmatamento, na agropecuária, na geração e consumo de energia, na atividade econômica ou nos transportes.

Com isso, prefeitos e secretários conseguem priorizar investimentos: uma cidade cujo perfil é dominado pelo uso do solo, por exemplo, tende a ganhar mais ao focar em controlar o desmatamento, recuperar áreas degradadas e rever o ordenamento territorial, em vez de concentrar esforços em ações com pouco efeito sobre o principal fator emissor.

Segundo os pesquisadores, a plataforma também estima as emissões em toneladas de dióxido de carbono equivalente (CO₂e), acompanha tendências ao longo de vários anos e projeta cenários até 2030, incluindo as incertezas. Isso ajuda a testar o efeito potencial de políticas públicas e a planejar metas de redução de emissões com base em evidências.

“A maioria das IAs é uma caixa-preta: dá a resposta e não diz por quê. Nós usamos uma técnica de IA explicável. É um raio-X climático do município”, define Madson. A transparência facilita que técnicos municipais, vereadores e sociedade civil entendam por que uma medida é priorizada, o que pode aumentar a aceitação política das decisões.

Outra função é servir como porta de entrada para processos mais complexos, como inventários oficiais de emissões. A equipe destaca que a GEEnius não substitui documentos certificados, mas oferece um diagnóstico inicial que ajuda cidades, sobretudo as menores, a avaliar se vale a pena investir em estudos mais detalhados.

Piloto gratuito com 10 cidades paraibanas em 2027

A próxima etapa do projeto é levar a plataforma para a prática do dia a dia das prefeituras. Os pesquisadores planejam um piloto gratuito com 10 municípios da Paraíba, previsto para começar entre agosto e setembro de 2027.

A seleção deve contemplar cidades de diferentes tamanhos e regiões do estado – do Litoral ao Sertão – e com perfis de emissões distintos, para testar a robustez da ferramenta em realidades opostas. A expectativa é envolver cerca de 20 gestores, entre prefeitos e secretários, em visitas técnicas e oficinas de uso da plataforma.

“A intenção é escolher cidades bem diferentes entre si, do Litoral ao Sertão, grandes e pequenas, e com perfis de emissão distintos, para pôr a ferramenta à prova em realidades opostas”, explica Madson.

Durante o piloto, as prefeituras devem usar o sistema para embasar planos, projetos e decisões na área ambiental. A equipe da UFCG vai acompanhar o processo para medir a utilidade da GEEnius no planejamento municipal e identificar ajustes necessários antes de uma possível expansão para outros estados.

Impacto esperado na gestão ambiental local

Se consolidada, a GEEnius pode mudar a forma como cidades de pequeno e médio porte lidam com o tema climático. Em vez de ações genéricas, copiadas de grandes centros ou definidas sem dados, os municípios passam a ter um diagnóstico próprio, orientado pelos fatores específicos que influenciam suas emissões.

Isso tende a reduzir desperdícios com projetos pouco efetivos e a fortalecer áreas muitas vezes negligenciadas, como a agropecuária e o transporte rural, que nem sempre aparecem com clareza no radar da gestão ambiental. A sociedade civil também tende a se beneficiar, com políticas mais alinhadas à realidade local e potencial de melhora da qualidade do ar, do uso do solo e dos serviços ambientais.

Para os pesquisadores, o uso de inteligência artificial explicável é central para construir confiança. Ao mostrar não só o resultado, mas o caminho percorrido até ele, a plataforma busca tornar o debate climático mais transparente e acessível, inclusive para municípios com pouca estrutura técnica. O desafio agora é integrar essa tecnologia à rotina das prefeituras e garantir continuidade após o fim do projeto-piloto.