Foto de Vorcaro com Gonet expõe crise no MPF e pressiona PGR
Imagem de Paulo Gonet fumando charuto ao lado de Daniel Vorcaro em Londres, validada pela PGR e debatida no STF, amplia a crise em torno do caso Banco Master.
Justiça
Imagem controversa envolvendo autoridades do MPF gera repercussão e aumenta tensão no caso Banco Master.
Uma foto em que o procurador-geral da República, Paulo Gonet, aparece fumando charuto ao lado do banqueiro Daniel Vorcaro em Londres acirra a crise em torno do caso Banco Master e pressiona a cúpula do Ministério Público. O registro, extraído do celular de Vorcaro pela Polícia Federal, foi autenticado pela Procuradoria-Geral da República e discutido em sessão recente do Supremo Tribunal Federal.
A imagem, tirada durante confraternização no George Club, integra as investigações sobre a tentativa de venda do Banco Master ao Banco de Brasília (BRB), negócio que desencadeia uma disputa política e judicial ainda em curso. O episódio reforça suspeitas sobre a proximidade entre autoridades de controle e interesses bilionários do sistema financeiro.
Confraternização de luxo em Londres entra no inquérito
A confraternização em que Gonet e Vorcaro aparecem lado a lado ocorre durante o 1º Fórum Jurídico – Brasil de Ideias, realizado entre 24 e 26 de abril de 2024 em Londres, patrocinado pelo Banco Master. O encontro no George Club inclui degustação de charutos e uísque Macallan, bancada por Vorcaro ao custo de cerca de R$ 3,2 milhões.
Na foto, o procurador-geral fuma um charuto, sentado próximo ao banqueiro. Copos típicos de uísque aparecem sobre a mesa. O registro permanece guardado no celular de Vorcaro até ser capturado pela PF e incorporado ao material apreendido no inquérito sobre a tentativa de venda do Master ao BRB, em 2025.
Os investigadores veem na imagem um retrato da rede de relações construída em torno do banco, alvo de uma operação que envolve figuras do mundo político, financeiro e jurídico. A cronologia pesa: o encontro social em Londres antecede por poucos meses as articulações para a venda ao banco estatal, que detonam a atual crise.
Mensagens revelam elo com advogado e atuação de intermediário
A foto chega de volta a Vorcaro mais de um ano depois de ter sido tirada. Em 19 de junho de 2025, o ex-advogado do Banco Master, Ciro Soares, encaminha a imagem ao banqueiro, acompanhada da mensagem: “PG me mandou”. As iniciais remetem a Paulo Gonet.
A frase se soma a outras conversas nas quais Soares se apresenta como ponte com o procurador-geral. Em um dos diálogos, o advogado envia a Vorcaro uma foto em que aparece ao lado de Gonet e escreve: “Liga aqui. Ele quer falar com você”. Na sequência, o banqueiro liga para o telefone do advogado.
Em outra frente, mensagens apreendidas indicam que Soares chega a mencionar a possibilidade de o filho de Gonet viajar a Londres para um fórum jurídico organizado por Vorcaro em 2025, que acaba não ocorrendo. O advogado pergunta se o jovem poderia acompanhar o grupo, e o banqueiro responde: “Óbvio, né”. O conjunto de trocas alimenta dúvidas sobre a extensão da interlocução entre o procurador-geral, o banqueiro e o advogado.
Gonet admite encontro, nega proximidade e pede arquivamento
Pressionado pela divulgação da foto, Paulo Gonet se pronuncia em sessão do STF realizada em 15 de setembro de 2026. O procurador-geral admite o encontro em Londres, mas tenta reduzir seu significado político e jurídico. “O único encontro que eu tive com o senhor Vorcaro se deu com várias autoridades em abril de 2024”, afirma ao plenário.
Gonet insiste em que a relação com o banqueiro não passa de um contato ocasional. “Não tive relacionamento de proximidade com o senhor Vorcaro”, diz. Ele reconhece ainda ter participado de uma ligação telefônica intermediada por um advogado, classificada por ele como “brevíssima e banal”.
No mesmo pronunciamento, o chefe do Ministério Público pede o arquivamento das investigações que o envolvem. Argumenta que o ministro André Mendonça, relator do chamado caso Master no Supremo, não teria competência jurídica para determinar a produção do relatório da PF que abastece o inquérito. Na prática, tenta esvaziar o material probatório que hoje sustenta as suspeitas.
Pressão sobre PGR, STF e mercado financeiro
A confirmação da autenticidade da foto pela PGR e o reconhecimento público de Gonet de que esteve com Vorcaro em Londres reposicionam o caso em Brasília. A crise deixa de ser apenas uma disputa técnica sobre a venda do Banco Master e passa a envolver diretamente a imagem e a autoridade do procurador-geral.
Integrantes do Ministério Público se dividem. De um lado, há quem veja constrangimento institucional na exposição do chefe da instituição em um ambiente de luxo bancado por um investigado central, sobretudo em meio a negociações que movimentam cifras bilionárias. De outro, aliados de Gonet argumentam que a presença em eventos patrocinados por bancos é prática comum e não comprova interferência indevida.
No mercado financeiro, a revelação alimenta a percepção de que decisões regulatórias e judiciais podem ser contaminadas por relações pessoais e confraternizações discretas. Bancos e instituições reguladas acompanham a disputa com inquietação, temendo que o episódio resulte em endurecimento de normas éticas e maior escrutínio sobre encontros entre autoridades e executivos.
Investigações podem se ampliar e redesenhar regras de conduta
A decisão sobre o futuro do inquérito está nas mãos do ministro André Mendonça, que conduz o caso no STF e analisa o pedido de arquivamento apresentado por Gonet. O relator avalia se mantém a linha de investigação, autoriza novas diligências ou remete peças para instâncias disciplinares, como o Conselho Nacional do Ministério Público.
Se o Supremo confirmar a validade do relatório da PF e das provas colhidas, o caso tende a se desdobrar em nova rodada de oitivas, perícias sobre mensagens e eventual responsabilização de agentes públicos e privados. A foto em Londres, nesse cenário, deixa de ser mero registro social e se converte em peça-chave para reconstituir o mapa de influências em torno da tentativa de venda do Banco Master ao BRB.
Independentemente da solução jurídica imediata, o episódio já alimenta debates internos sobre códigos de conduta, viagens patrocinadas e limites de interação entre autoridades do sistema de justiça e grandes grupos econômicos. A discussão deve ganhar corpo nos próximos meses, sob pressão da opinião pública e do próprio mercado por mais transparência.
No curto prazo, o desafio de Paulo Gonet é preservar a capacidade de conduzir casos sensíveis sem que cada decisão seja lida à luz da foto de Londres. No médio prazo, a crise tende a acelerar a revisão de práticas informais que hoje cercam eventos jurídicos e fóruns internacionais, em busca de regras mais claras sobre conflitos de interesse.
Quem é Paulo Gonet e qual seu papel no Ministério Público Federal?
Paulo Gonet é o procurador-geral da República, chefe do Ministério Público Federal, responsável por conduzir investigações criminais, propor ações penais no Supremo Tribunal Federal, zelar pela ordem jurídica e fiscalizar autoridades com foro privilegiado, incluindo ministros de Estado, parlamentares federais e o próprio presidente da República.
Qual a importância da foto de Paulo Gonet fumando charuto com Vorcaro em Londres?
A foto de Paulo Gonet fumando charuto ao lado de Daniel Vorcaro em Londres é relevante porque integra o inquérito sobre a tentativa de venda do Banco Master ao BRB, sugere proximidade entre o procurador-geral e um banqueiro investigado, pressiona a PGR quanto à imparcialidade e pode influenciar decisões futuras no STF e em órgãos de controle.
Quais são as principais acusações ou investigações envolvendo Paulo Gonet atualmente?
As principais investigações envolvendo Paulo Gonet hoje giram em torno de sua relação com Daniel Vorcaro e do papel da Procuradoria-Geral da República no caso Banco Master, incluindo o encontro em Londres, mensagens intermediadas por Ciro Soares, a possível atuação de interlocutores privados e a contestação, por Gonet, da própria produção do relatório da Polícia Federal.


