Eleição 2026: Lula e Flávio empatam em pesquisa Quaest hoje
Nova pesquisa Quaest aponta Lula com 37% e Flávio Bolsonaro com 33% no 1º turno, em empate técnico. No 2º turno, Flávio aparece com 42% e Lula com 41%.
Eleições 2026
Pesquisa Quaest revela empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro no primeiro turno da disputa presidencial.
Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) chegam tecnicamente empatados na disputa pela Presidência, segundo a nova pesquisa Quaest, que mostra um país dividido e radicalizado às vésperas da campanha oficial.
O levantamento nacional, com 2.004 eleitores, registra Lula com 37% das intenções de voto no primeiro turno e Flávio com 33%. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, o que coloca os dois no limite do empate técnico. Em eventual segundo turno, o quadro fica ainda mais apertado: Flávio aparece com 42% e Lula com 41%.
País rachado e rejeição recorde
Os números indicam uma eleição em que o voto a favor pesa quase tanto quanto o voto contra. Flávio é rejeitado por 56% dos entrevistados; Lula, por 55%. Em ambos os casos, mais da metade do país declara que não votaria neles de jeito nenhum.
Essa combinação de empate e rejeição alta alimenta um ambiente de incerteza. A pesquisa mostra que 79% dos eleitores que já escolheram um candidato dizem ter decisão definitiva, enquanto 21% admitem ainda poder mudar de voto. O espaço para viradas existe, mas é menor do que em disputas anteriores.
Guilherme Russo, diretor de Inteligência da Quaest, resume o momento como um processo em curso, não um retrato isolado. “A pesquisa é um retrato, mas a gente está fazendo pesquisa com tanta frequência que está virando um filme”, afirma. Para ele, “é um cenário onde a eleição fica cada vez mais competitiva”.
Polarização aperta, espaço para terceiros encolhe
A fotografia de agora confirma a consolidação de Lula e Flávio como polos da disputa. O escritor Augusto Cury (Avante) aparece com 6%, Ronaldo Caiado (PSD) soma 4% e Renan Santos (Missão), 3%. Os demais nomes — como Romeu Zema (Novo), Samara Martins (UP), Clariana Barão (DC), Edmilson Costa (PCB), Hertz Dias (PSTU), Rui Costa Pimenta (PCO), Wilson Grassi (Democrata) e Leonardo Avalanche (PRTB) — oscilam de 1% a zero.
Indecisos somam 8%, enquanto 7% declaram voto branco, nulo ou intenção de não comparecer. Juntos, esses grupos chegam a 15%, um contingente capaz de alterar o desenho final, mas que encolhe à medida que a campanha avança.
Dentro da série de pesquisas da Quaest, Lula interrompe uma trajetória recente de queda e volta a oscilar para cima, enquanto Flávio mantém curva de crescimento. O equilíbrio torna o primeiro turno mais competitivo e reduz o oxigênio para candidaturas alternativas, pressionadas a buscar nichos específicos ou a negociar apoios antecipadamente.
Guerra de narrativas: Moraes de um lado, Banco Master do outro
Com as intenções de voto praticamente travadas, as campanhas investem pesado em estratégias de desgaste mútuo. A disputa não se dá apenas em propostas, mas em narrativas que tentam colar nos adversários a imagem de escândalos e instituições em crise.
No entorno de Flávio Bolsonaro, o alvo é a associação de Lula ao ministro Alexandre de Moraes e ao Supremo Tribunal Federal (STF), hoje um dos epicentros de tensão política. A aposta é ressuscitar o discurso do embate contra a Corte para mobilizar o eleitorado mais fiel ao bolsonarismo e apresentar o petista como continuador de uma ordem institucional vista com desconfiança por parte da população.
O PT, por sua vez, tenta fazer o movimento contrário: manter aceso o caso Banco Master, que envolve suspeitas de irregularidades e já provocou desgaste ao senador. A ideia é associar Flávio ao universo de negócios e relações políticas que cercam o escândalo, jogando luz sobre seu passado recente.
Bárbara Baião, analista política da XP, enxerga os dois movimentos como narrativas espelhadas. “O que me parece que é o antídoto à ideia que a campanha do Flávio tenta construir de que, se você vota no Lula, você vota no Moraes, é a campanha do Planalto indicar que, se você votar no Flávio, Flávio é Bolsa Master”, diz.
Redes sociais, escândalos e medo dos dois lados
O campo de batalha dessa guerra simbólica são as redes sociais, onde o jogo se decide em velocidade e volume. O cientista político Leonardo Barreto observa que o impacto do escândalo financeiro é decisivo para o equilíbrio das críticas. “Quando a questão é Vorcaro, as críticas a Flávio e Lula se equivalem nas redes. Quando não tem Master, o Lula tem muito mais criticado do que o Flávio”, afirma.
Essa flutuação ajuda a explicar por que as campanhas insistem em manter acesos temas explosivos, mesmo correndo o risco de alimentar a fadiga do eleitor. A polarização é tamanha que parte do público declara medo dos dois lados, e cresce o grupo que associa tanto Lula quanto Flávio a riscos diferentes para o futuro do país.
O ambiente institucional sente o peso da disputa. O STF segue sob pressão constante, alvo de ataques verbais e campanhas digitais, enquanto órgãos de controle e o sistema financeiro acompanham com atenção os desdobramentos do caso Banco Master. A percepção de fragilidade das instituições alimenta dúvidas sobre a capacidade do próximo presidente de recompor pontes depois de uma campanha de terra arrasada.
Economia, mercado e Mundial de Seleções no horizonte
O setor econômico lê a pesquisa como aviso de que não há tendência clara definida. Um governo Lula fortalecido tenderia a aprofundar a agenda social e de investimento público, com maior intervenção em regulação. Uma vitória de Flávio Bolsonaro apontaria para ajuste fiscal mais duro, privatizações e confrontos frequentes com o STF e parte da imprensa.
Empresários e investidores acompanham com lupa o avanço dos índices de rejeição. Com mais da metade do eleitorado dizendo que não vota em Lula nem em Flávio, o risco de uma vitória por margem mínima aumenta. A governabilidade de quem sair vitorioso fica, desde já, sob suspeita.
O calendário adiciona um ingrediente simbólico: se o cenário de empate e radicalização se mantiver, o Mundial de Seleções de 2026 tende a ocorrer em meio a forte tensão política interna, com ruas e redes ocupadas tanto por torcedores quanto por militantes. O clima de divisão pode extrapolar o campo eleitoral e afetar até momentos tradicionalmente vistos como de trégua nacional.
As próximas semanas devem ser marcadas por pesquisas quase diárias, ajustes finos nas mensagens de campanha e possíveis novas denúncias. A disputa se encaminha para um desfecho no detalhe, em que qualquer erro estratégico, vazamento ou movimento de última hora pode decidir a eleição por diferença de poucos pontos.
O que a pesquisa Quaest mostra sobre a disputa Lula x Flávio?
A pesquisa Quaest mais recente mostra Lula com 37% e Flávio Bolsonaro com 33% das intenções de voto no primeiro turno, em empate técnico dentro da margem de erro de 2 pontos, e indica que, em um eventual segundo turno, Flávio aparece com 42% contra 41% de Lula, num cenário de polarização extrema.
Por que a rejeição a Lula e Flávio Bolsonaro preocupa as campanhas?
A rejeição de 56% a Flávio Bolsonaro e de 55% a Lula preocupa porque significa que mais da metade do eleitorado declara não votar em nenhum dos dois, o que limita o potencial de crescimento, amplia o peso de escândalos como o Banco Master e o desgaste do STF, e aumenta o risco de viradas e de dificuldade de governar depois da eleição.


