Datafolha mostra Lula e Flávio Bolsonaro em empate técnico
Nova pesquisa Datafolha para presidente em 2026 indica Lula com 40% e Flávio Bolsonaro com 36%, reduzindo a vantagem de 14 pontos que o petista tinha na reta final de 2022.
Pesquisa Eleitoral
Nova sondagem revela redução da vantagem de Lula sobre Flávio Bolsonaro para a disputa presidencial de 2026.
A dez dias do primeiro turno, a nova pesquisa Datafolha para presidente mostra Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com 40% das intenções de voto e Flávio Bolsonaro (PL-RJ) com 36%, em cenário de empate técnico. O levantamento confirma uma disputa mais apertada que a de quatro anos atrás, quando o petista liderava com folga sobre Jair Bolsonaro.
Vantagem encolhe e eleitorado se divide
A pesquisa, realizada entre 22 e 24 de setembro com 2.002 eleitores em 125 municípios, tem margem de erro de dois pontos percentuais e está registrada na Justiça Eleitoral sob o código BR-00304/2026. Os números diferem de forma significativa do retrato a dez dias do primeiro turno de 2022, quando o Datafolha apontava Lula com 47% das intenções de voto e Jair Bolsonaro com 33%, uma dianteira de 14 pontos.
Hoje, a distância de quatro pontos entre Lula e Flávio Bolsonaro, dentro da margem de erro, indica um país mais dividido e um cenário menos confortável para o presidente. Em 2022, as pesquisas alimentavam a expectativa de vitória petista já no primeiro turno. O desfecho acabou vindo apenas no segundo, com a menor diferença proporcional desde a redemocratização.
O quadro atual, com Lula numericamente à frente, mas sem folga estatística, reforça a percepção de campanha polarizada. A simulação de segundo turno mostra o presidente com 47% contra 45% de Flávio Bolsonaro, novo empate técnico que retira qualquer sensação de favoritismo consolidado.
Bases de Lula perdem fôlego entre os mais pobres
Os dados por faixa de renda ajudam a explicar o encolhimento da vantagem petista. Entre eleitores com renda de até dois salários mínimos, base histórica de Lula, o presidente tem agora 46%, enquanto Flávio Bolsonaro soma 32%. Em 2022, nessa mesma faixa, Lula chegava a 57%, contra 24% de Jair Bolsonaro.
O recuo de 11 pontos entre os mais pobres e o avanço de oito pontos do campo bolsonarista nesse grupo revelam uma erosão da hegemonia lulista onde ela sempre foi mais sólida. Em contrapartida, o senador do PL cresce na classe média: na faixa de 2 a 5 salários mínimos, Lula tem 33%, abaixo dos 41% de Flávio. É nessa camada intermediária que o bolsonarismo encontra hoje sua principal reserva de votos.
Entre as mulheres, Lula ainda lidera com 42%, contra 33% de Flávio Bolsonaro. Mesmo assim, o presidente perde terreno em relação à campanha anterior, quando alcançava 49% nesse segmento, enquanto Jair Bolsonaro tinha 29%. A vantagem persiste, mas se estreita em quase todos os recortes relevantes.
Rejeição empata e governo divide opiniões
O desgaste do presidente também aparece nos índices de rejeição. A parcela de eleitores que declara não votar em Lula de jeito nenhum passa de 39% para 45%. O número agora se iguala ao de Flávio Bolsonaro, também com 45%, afastando a vantagem relativa que o petista tinha quando o principal adversário era o pai, Jair Bolsonaro, então com 52% de rejeição.
A avaliação do governo reforça a leitura de um ambiente tenso. Hoje, 40% dos entrevistados consideram a gestão Lula ruim ou péssima, enquanto 34% a classificam como ótima ou boa. Em 2022, Bolsonaro registrava 44% de ruim ou péssimo e 32% de ótimo ou bom. O atual presidente se vê, portanto, em situação apenas um pouco melhor que a do antecessor, sem folga entre aprovação e reprovação.
O levantamento é o primeiro do Datafolha após o reajuste no Bolsa Família e o discurso de Lula na Assembleia Geral da ONU. As medidas, centrais na narrativa petista de proteção social e liderança internacional, ainda não se convertem em recuperação clara nas pesquisas, especialmente entre os mais pobres, segmento no qual o presidente perde parte do capital acumulado ao longo de décadas.
Crise institucional e clima de 2018
O quadro eleitoral é atravessado pela atual crise envolvendo o Supremo Tribunal Federal, que domina o debate institucional e repercute sobre o humor do eleitorado. Para o cientista político Renato Dorgan Filho, especialista em pesquisas qualitativas e quantitativas, o momento lembra o ambiente que antecedeu a eleição vencida por Jair Bolsonaro. “O ambiente lembra 2018, quando crises como a Lava Jato e o impeachment de Dilma abriram espaço para candidaturas disruptivas. A crise do STF, hoje, cumpre papel parecido”, afirma.
A tensão institucional, segundo analistas, alimenta a polarização e reduz espaço para candidaturas de centro. Mesmo assim, nomes fora do eixo Lula–Bolsonaro persistem na disputa. O escritor Augusto Cury (Avante) aparece com 5% das intenções de voto, o governador Ronaldo Caiado (PSD) tem 4%, Renan Santos (Missão) soma 3% e Romeu Zema (Novo) marca 1%. Esses percentuais, embora modestos, podem fazer diferença em uma eleição decidida por margens estreitas.
O histórico recente pesa sobre a leitura dos números. Em 2022, a vantagem confortável de Lula nas pesquisas da reta final não impediu um segundo turno dramático. Agora, com índices mais apertados desde o primeiro turno e rejeições simétricas, o risco de nova disputa ponto a ponto é visto como elevado nas campanhas e entre observadores.
Corrida pelo voto útil e reta final acirrada
A combinação de empate técnico, rejeição alta e crise institucional impulsiona o apelo ao voto útil. Entre apoiadores de Lula, o discurso é dirigido sobretudo a eleitores de esquerda que flertam com candidaturas menores. O objetivo é evitar uma dispersão que empurre a definição para um segundo turno ainda mais incerto.
No campo bolsonarista, a lógica é semelhante. Para Beto Vasques, diretor de relações institucionais do Instituto Democracia em Xeque, a direita já antecipa movimentos de consolidação. “O eleitor tem adiantado para o primeiro turno uma escolha que normalmente só faz no segundo. Isso ocorre mais na direita, onde os candidatos menores já mostram uma pequena queda nas pesquisas, mas não o suficiente para que a eleição termine na primeira votação”, avalia.
Estratégias de campanha refletem essa pressão. O PT tende a reforçar agendas sociais, recalibrar o discurso econômico e intensificar ações em periferias urbanas e no interior, onde perdeu parte da vantagem. O PL, por sua vez, deve apostar na insatisfação com o governo, no discurso anticorrupção e na defesa de pautas conservadoras para consolidar o voto de oposição, sobretudo entre os eleitores de renda intermediária.
Os próximos dias devem ser marcados por esforços redobrados de mobilização, novos movimentos de aliança e ataques mútuos, em busca de qualquer ponto extra em um cenário comprimido pela margem de erro. A tendência, hoje, é de manutenção da polarização e de uma reta final em que pequenos deslocamentos de intenção de voto podem definir não apenas quem vence, mas com que fôlego chega a um provável segundo turno.
Quais são os principais números da pesquisa Datafolha para presidente em 2026?
A pesquisa Datafolha para presidente em 2026 mostra Lula com 40% e Flávio Bolsonaro com 36% das intenções de voto no primeiro turno, em empate técnico dentro da margem de erro de dois pontos percentuais, com 2.002 eleitores entrevistados em 125 municípios entre 22 e 24 de setembro, sob registro BR-00304/2026.
Como a pesquisa Datafolha de 2026 se compara à de 2022 na mesma altura da campanha?
A pesquisa Datafolha de 2026 indica Lula com 40% e Flávio Bolsonaro com 36%, bem abaixo da vantagem de 14 pontos registrada na rodada equivalente de 2022, quando Lula tinha 47% contra 33% de Jair Bolsonaro, revelando um cenário atual mais apertado, polarizado e sem expectativa concreta de definição no primeiro turno.
O que os dados da pesquisa indicam sobre chance de vitória no primeiro turno?
Os dados da pesquisa Datafolha indicam baixa chance de vitória no primeiro turno em 2026, porque Lula tem 40% e Flávio Bolsonaro 36% nas intenções totais e aparecem em empate técnico também na simulação de segundo turno, com 47% a 45%, cenário que estimula pedidos de voto útil, mas mantém aberta a disputa.


