Datafolha mostra Lula e Flávio Bolsonaro em empate técnico
Novo Datafolha a dez dias do primeiro turno revela Lula com 40% e Flávio Bolsonaro com 36%, cenário bem mais apertado que a vantagem de 14 pontos do petista em 2022.
Eleições 2026
Pesquisa recente revela cenário eleitoral acirrado entre Lula e Flávio Bolsonaro a poucos dias do primeiro turno.
A dez dias do primeiro turno da eleição presidencial, pesquisa Datafolha mostra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com 40% das intenções de voto e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) com 36%, em empate técnico dentro da margem de erro de dois pontos percentuais. O levantamento recoloca o país em um clima de incerteza, bem diferente da vantagem folgada que Lula exibia na mesma altura da campanha anterior.
De folga em 2022 a confronto ponto a ponto em 2026
Na reta final da eleição passada, também a dez dias do primeiro turno, Lula aparecia com 47% das intenções de voto, contra 33% do então presidente Jair Bolsonaro (PL). A diferença de 14 pontos indicava uma disputa dura, mas com clara vantagem para o petista.
Entre votos válidos, quando se excluem brancos, nulos e indecisos, Lula chegava a 50%, diante de 35% de Bolsonaro. Naquele momento, o entorno do petista alimentava a expectativa de encerrar a disputa ainda no primeiro turno.
O cenário atual é outro. O Datafolha divulgado nesta semana traz Lula estacionado em 40%, quatro pontos à frente de Flávio Bolsonaro, que soma 36%. O próprio instituto destaca: “Pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta-feira mostra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva com 40% das intenções de voto no primeiro turno, com empate técnico com Flávio Bolsonaro, que tem 36%”.
No grupo dos demais candidatos, ninguém ameaça romper a polarização. O escritor Augusto Cury (Avante) registra 5%, o governador Ronaldo Caiado (PSD) aparece com 4%, Renan Santos (Missão) tem 3% e Romeu Zema (Novo), 1%. Ciro Gomes (PDT), Simone Tebet (MDB) e Soraya Thronicke (União Brasil), figuras centrais na disputa anterior, hoje não ocupam o mesmo espaço numérico no cenário presidencial.
Voto útil antecipa segundo turno e esvazia candidaturas menores
A disputa apertada acelera um movimento conhecido dos bastidores eleitorais: a migração de eleitores para os dois polos com mais chance de chegar ao Planalto. A dinâmica, que costumava se intensificar entre o primeiro e o segundo turno, agora se antecipa.
O cientista político Renato Dorgan Filho identifica um paralelo com a eleição em que a direita chegou ao poder pela primeira vez neste ciclo recente. “O movimento da base de apoiadores do presidente é similar, hoje, ao visto na eleição passada”, afirma. Para ele, o temor de uma disputa extremamente equilibrada no segundo turno comprime ainda mais o espaço do centro e da centro-esquerda.
Beto Vasques, diretor de relações institucionais do Instituto Democracia em Xeque, enxerga esse adiantamento da escolha do eleitor, sobretudo no campo conservador. “O eleitor tem adiantado para o primeiro turno uma escolha que normalmente só faz no segundo. Isso ocorre mais na direita”, diz. Segundo ele, os candidatos menores desse espectro já mostram queda, ainda insuficiente para encerrar a disputa na primeira votação, mas clara o bastante para reforçar a lógica do voto útil.
Nesse ambiente, campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro intensificam o apelo para que indecisos e simpatizantes de nomes menores “não desperdicem” o voto. O cálculo é simples: qualquer ponto percentual que deixe Augusto Cury, Caiado, Renan Santos ou Zema pode ser decisivo para definir quem entra na segunda rodada em vantagem.
Rejeição sobe para Lula, cai no campo bolsonarista
O Datafolha mostra que a popularidade dos protagonistas também se desloca. Em 2022, 52% dos eleitores declaravam que não votariam em Jair Bolsonaro de jeito nenhum, o maior índice de rejeição entre os candidatos. Lula tinha 39% nesse quesito, uma margem que ajudava a ancorar sua vantagem.
Hoje, o quadro se equilibra. A rejeição a Lula aumenta para patamar em torno de 45%, mesma faixa em que se encontra a resistência a Flávio Bolsonaro. O desgaste presidencial corrói parte da blindagem que o petista tinha junto ao eleitorado mais pobre e abre espaço para o avanço do bolsonarismo em segmentos antes hostis.
Nem por isso Lula perde a dianteira entre os de menor renda. Entre os que ganham até dois salários mínimos, ele ainda lidera com folga, embora em nível menor que no passado recente. O reajuste do Bolsa Família e o discurso na Assembleia Geral da ONU reforçam sua imagem internacional e social, mas já não produzem o mesmo efeito imediato que antes.
No outro extremo, Flávio Bolsonaro avança entre trabalhadores com renda entre dois e cinco salários mínimos, faixa em que o pai já tinha desempenho superior ao do petista. O senador também reduz a diferença entre mulheres, grupo no qual Bolsonaro tinha forte rejeição. A combinação de fadiga de governo e mobilização conservadora explica parte da curva ascendente do candidato do PL.
Metodologia e leitura de cenário
Os números que hoje reorganizam a disputa vêm de pesquisas presenciais, feitas em domicílios. Em 2022, o Datafolha entrevistou 6.754 eleitores em 343 municípios, com margem de erro de dois pontos e nível de confiança de 95%. Agora, o instituto ouve 2.002 eleitores em 125 cidades, com a mesma margem e o mesmo grau de confiança estatística.
Nas simulações de segundo turno mais recentes, Lula aparece com 47% das intenções de voto, contra 45% de Flávio Bolsonaro. O resultado, também em empate técnico, reforça a leitura de que a eleição tende a ser definida por poucos pontos, sujeita a sobressaltos de última hora, debates e eventuais crises políticas.
Especialistas veem semelhanças com o ambiente de oito anos atrás, quando um candidato de direita capitalizou a onda antipolítica e venceu numa conjuntura de crise institucional. A diferença é que, agora, o país chega à urna com dois blocos consolidados, sem espaço evidente para um terceiro campo viável.
A consequência prática é um pleito mais volátil, com custo alto para erros de campanha. Cada declaração, cada gesto de Lula ou de Flávio Bolsonaro pode redefinir alianças regionais, mexer com o humor do mercado financeiro e acender ou arrefecer ruas já polarizadas.
Os próximos dias devem ser marcados por reforço de agendas em estados populosos, ofensivas nas redes sociais e disputa voto a voto no eleitorado de baixa renda e nos indecisos. O Datafolha ainda prevê nova rodada antes do primeiro turno. Até lá, campanhas, partidos e investidores acompanham cada variação decimal como um sinal de para onde o país pode se mover no próximo ciclo de poder.
O que a nova pesquisa Datafolha mostra sobre a eleição presidencial?
A nova pesquisa Datafolha, feita com 2.002 eleitores em 125 municípios, mostra Lula com 40% e Flávio Bolsonaro com 36% das intenções de voto no primeiro turno, configurando empate técnico dentro da margem de erro e indicando uma disputa muito mais apertada e incerta do que a registrada na mesma altura da campanha passada.
Como o cenário atual se compara à disputa presidencial anterior?
Na disputa anterior, a dez dias do primeiro turno, Lula tinha 47% das intenções de voto contra 33% de Jair Bolsonaro, abrindo 14 pontos de vantagem. Hoje, mantém 40% contra 36% de Flávio Bolsonaro, o que mostra perda de folga, aumento de rejeição e um ambiente de maior polarização e volatilidade eleitoral.


