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Manoel Gomes e Caneta Azul somam 20 mil votos e ficam fora

Menina da Bota, Manoel Gomes, o Caneta Azul, e Inês Brasil somam 20.164 votos nas eleições, mas não se elegem. Resultado expõe limites da fama nas redes na urna.

05/10/2026 07:00 7 min de leitura
Manoel Gomes e Caneta Azul somam 20 mil votos e ficam fora
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Eleições 2026

Famosos das redes sociais somam milhares de votos, mas não conseguem se eleger nas eleições recentes.

Três fenômenos da internet testam o próprio alcance nas urnas e descobrem o limite da fama digital. Menina da Bota, Manoel Gomes, o Caneta Azul, e Inês Brasil não se elegem nas eleições deste ano, mesmo somando 20.164 votos em Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro.

Da viralização ao teste nas urnas

Em Minas Gerais, a influenciadora e cantora Maria José Mendes da Cruz, a Menina da Bota, encerra a apuração com 9.610 votos para deputada federal pelo União Brasil, com 99,24% das urnas totalizadas. O desempenho está bem abaixo do necessário para conquistar uma cadeira na Câmara.

Aos 23 anos, com cerca de 1,7 milhão de seguidores no Instagram, a jovem de Angelândia, no Vale do Jequitinhonha, chega à disputa como símbolo da nova geração que transforma vídeos caseiros em audiência nacional. Ganha projeção com imagens gravadas na zona rural e com o clipe de “Menina da Bota”, produzido por Gilson G7.

Durante a campanha, ela assume o discurso de que a candidatura busca mudar a própria realidade e a de quem vive perto dela. “Durante a campanha eleitoral, chamou atenção ao afirmar que buscava a eleição para melhorar a própria condição e a de sua família”, diz ao justificar a decisão de entrar na política.

Enquanto a estreante tenta converter engajamento em votos, o quadro em Minas mostra um ambiente altamente competitivo. Nikolas Ferreira, do PL, lidera a disputa por deputado federal no estado com 2.045.024 votos, o equivalente a 28,79% dos votos válidos. O contraste entre milhões de votos e os 9.610 da influenciadora evidencia a distância entre popularidade digital e capacidade de formar base eleitoral.

‘A história continua’, diz Caneta Azul

Em São Paulo, Manoel Jardim Gomes, o Caneta Azul, também enfrenta esse abismo. Candidato a deputado federal pelo Avante, o cantor acumula 7.239 votos e fica longe de qualquer vaga. A votação não traduz o tamanho do fenômeno que o transformou em personagem onipresente nas redes sociais.

Ele explode na internet com a música “Caneta Azul” e consolida uma imagem de figura popular, simples, presente em memes, programas de TV e campanhas publicitárias. Nas urnas, porém, a segunda tentativa de carreira política volta a terminar sem mandato. Em outra eleição, ele havia ficado como suplente em disputa estadual.

Ao comentar o resultado em uma rede social, Manoel tenta enquadrar a derrota como parte de um percurso. “Nem todo mundo teria coragem de sair do lugar confortável e colocar o próprio nome à prova. Eu tive. Agradeço a cada pessoa que acreditou, caminhou comigo e fez parte dessa jornada. Eu me arrisquei. Me expus. Enfrentei críticas. Fui até o fim. Só quem se arrisca merece viver o extraordinário. Obrigado, São Paulo. A história continua”, afirma.

A fala resume o sentimento de quem transforma um bordão musical em capital político, mas esbarra na lógica fria da distribuição de cadeiras, dominada por legendas estruturadas, puxadores de voto tradicionais e campanhas amparadas por redes partidárias robustas.

Inês Brasil e o teto da celebridade nas eleições

No Rio de Janeiro, a cantora e personalidade da internet Inês Brasil também fica de fora. Aos 56 anos, filiada ao PSB, ela disputa pela primeira vez um cargo eletivo, como candidata a deputada estadual, e recebe 3.145 votos.

A trajetória de Inês é construída à margem da política institucional. Ela se torna conhecida por vídeos e bordões que viralizam nas redes e por uma presença constante na cultura pop brasileira. A filiação ao PSB, anunciada em maio deste ano, representa uma tentativa de organizar esse capital simbólico em torno de uma plataforma eleitoral.

O resultado expõe o teto da celebridade nas urnas. Mesmo somados, os 20.164 votos de Menina da Bota, Caneta Azul e Inês Brasil não seriam suficientes, em nenhum dos estados, para garantir uma vaga pelo sistema proporcional atual, que considera quociente eleitoral e desempenho dos partidos.

O que os números dizem sobre fama e voto

Os três nomes chegam ao pleito embalados por milhões de visualizações, mas esbarram em uma realidade mais rígida. Engajamento em vídeo curto não se converte automaticamente em militância, doador, cabo eleitoral ou coordenador de bairro. A maioria dos seguidores não se transforma em voto útil.

Os números de Maria José, por exemplo, representam menos de 1% da base que ela cultiva no Instagram. A conta ilustra uma regra que estrategistas políticos conhecem de perto: exposição ajuda, mas não substitui estrutura partidária, presença territorial, alianças e narrativa coerente com o eleitor local.

Para partidos tradicionais e profissionais da política, o recado é confortável. O desempenho fraco de celebridades de internet preserva espaço para quadros com máquina organizada e base consolidada. Também desestimula apostas oportunistas em nomes famosos sem trabalho de campo, algo que vinha se tornando uma tentação recorrente a cada eleição.

Para influenciadores e artistas que sonham com mandatos, a mensagem é dura. O caminho passa por anos de construção política, não por uma inscrição de última hora. Implica conhecer o mapa de cada cidade, formar equipes, negociar dentro das siglas e enfrentar a disciplina da campanha de rua, longe do filtro e do algoritmo.

Próximos passos e o efeito sobre futuras candidaturas

As primeiras reações públicas dos derrotados misturam frustração e agradecimento. Manoel Gomes destaca a coragem de se expor e fala em continuidade, sinalizando que não abandona o projeto político. Menina da Bota usa o discurso da origem humilde e da família como motor, o que abre espaço para atuação comunitária ou novos ensaios eleitorais.

Inês Brasil, com votação menor entre os três, encara o cenário mais desafiador para uma tentativa futura. A campanha mostra que notoriedade nacional não basta quando o cargo exige capilaridade estadual e inserção em debates locais sobre segurança, transporte, saúde e cultura.

Para o sistema político, o episódio funciona como laboratório. As eleições deste ano testam o poder real das redes sociais na renovação dos legislativos. O resultado reforça que o eleitor ainda se orienta por critérios como partido, religião, bandeiras ideológicas e histórico de atuação, mesmo diante de figuras que dominam o entretenimento online.

Nas próximas disputas, é provável que celebridades cheguem mais preparadas, com equipes técnicas, marqueteiros acostumados ao jogo eleitoral e alianças regionais costuradas com antecedência. Até lá, o recado das urnas a quem vive de viral é claro: like é ponto de partida, não atalho para chegar ao mandato.

Manoel Gomes foi eleito? Qual foi a votação do Caneta Azul?

Manoel Gomes, o Caneta Azul, não foi eleito deputado federal por São Paulo e termina a apuração com 7.239 votos pelo Avante, número distante do necessário para alcançar vaga. A votação confirma que sua enorme popularidade na internet não se traduz, por enquanto, em base eleitoral competitiva nas disputas proporcionais.

Quantos votos teve a Menina da Bota na eleição?

Menina da Bota, nome artístico de Maria José Mendes da Cruz, recebe 9.610 votos para deputada federal em Minas Gerais, com 99,24% das urnas apuradas, e fica fora da Câmara. A influenciadora, de 23 anos, estreia na política sem conquistar mandato, apesar de reunir cerca de 1,7 milhão de seguidores no Instagram.

Quem são os famosos que não se elegeram em 2026?

Os famosos que não se elegem nas eleições de 2026 incluem Maria José Mendes da Cruz, a Menina da Bota, Manoel Gomes, o Caneta Azul, e a cantora Inês Brasil, que juntos somam 20.164 votos. Nenhum dos três alcança quociente suficiente para conquistar cadeiras nos Legislativos de Minas, São Paulo ou Rio.


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