Dólar cai 5% a R$4,95 e Ibovespa bate 209.606 pontos hoje
Dólar cai até R$ 4,95, Ibovespa salta 9,1% e renova recorde após Flávio Bolsonaro liderar o 1º turno. Varejo, bancos e B3 disparam com aposta em ajuste fiscal.
Mercado Financeiro
Dólar recua e Ibovespa atinge novo recorde impulsionados por expectativas políticas e ajustes fiscais.
O dólar comercial desaba e o Ibovespa renova recorde nesta segunda-feira, impulsionados pela liderança de Flávio Bolsonaro (PL) no primeiro turno presidencial e pela aposta em ajuste fiscal mais duro.
A moeda americana chega a cair 5% na mínima, cotada a R$ 4,95, enquanto o principal índice da B3 salta até 9,1%, aos 209.606 pontos, com arrancada de varejistas, bancos e da própria Bolsa. Investidores leem o resultado das urnas como sinal de disciplina maior nas contas públicas a partir de 2027 e passam a precificar juros menores e real mais forte.
Real dispara, dólar derrete e Bolsa faz nova máxima
O pregão abre em clima de euforia. Em poucas horas, o real vira a moeda com melhor desempenho entre 31 pares mais negociados no mundo, e o dólar devolve em um dia a alta acumulada nas últimas semanas. A cotação recua de R$ 5,21 no fechamento de sexta-feira para R$ 4,95 na mínima, uma queda de 5% às 10h40.
Na Bolsa de Valores, o Ibovespa rompe a barreira dos 209 mil pontos e renova máxima histórica. O índice sobe até 9,1%, puxado por empresas ligadas ao consumo doméstico e ao crédito. As ações da Magazine Luiza chegam a disparar cerca de 24,44% a 25%, enquanto os papéis da C&A avançam 18,6%.
Entre os gigantes financeiros, Itaú sobe 10,68%, Banco do Brasil ganha 12,1%, Bradesco tem alta de 14,14% nas ações ordinárias e o BTG Pactual salta 24,11%. A própria B3, dona da Bolsa, avança 23,84%. Na Petrobras, referência para o índice, as ações ordinárias sobem 5,49% e as preferenciais, 6,43%.
No mercado internacional, o apetite é parecido. Um ETF negociado no Japão que acompanha ações brasileiras sobe 14%, enquanto o iShares MSCI Brazil, em Nova York, avança mais de 12% nas negociações. A XP, listada lá fora, dispara 31,77%, em reação direta ao rali da B3.
Eleições mudam o humor: ajuste fiscal no centro do rally
O gatilho para o movimento vem do resultado de domingo. Flávio Bolsonaro sai do primeiro turno com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A diferença de menos de dois pontos percentuais, somada à onda conservadora no Congresso, redesenha as expectativas de poder em Brasília.
O PL elege 19 senadores e passa a ter bancada de 28 cadeiras a partir de fevereiro, consolidando-se como maior força da Casa. Para o mercado, esse avanço facilita a aprovação de reformas e dá credibilidade à promessa de conter gastos obrigatórios e reorganizar o Orçamento a partir de 2027.
Cathy Hepworth, chefe da equipe de dívida de mercados emergentes da gestora PGIM, resume o sentimento em mesa de operação: “Como o segundo turno parece estar nas mãos de Flávio, os ativos brasileiros devem subir”. Para ela, “o real e os juros devem ter um desempenho muito bom”.
Nas projeções de bancos internacionais, o cenário também muda. O JPMorgan calcula que, com ajuste fiscal consistente, o real pode se valorizar 6%, os juros dos títulos públicos locais recuar para perto de 13% ao ano e as ações subir até 50%. Em rota oposta, deterioração das contas levaria a moeda a se desvalorizar em magnitude semelhante, com juros perto de 15,5% e queda de 21% na Bolsa.
Juros futuros desabam e Tesouro Direto trava com volatilidade
O mergulho do dólar e o otimismo com o cenário fiscal derrubam as taxas de juros futuros. Os contratos embutem agora previsão de Selic a 13% em dezembro, contra os atuais 13,75% ao ano. O recuo das curvas longas melhora o valor de empresas endividadas e de setores sensíveis ao crédito.
A correção é tão rápida que o Tesouro Direto, plataforma de compra e venda de títulos públicos por pessoas físicas, tem negociações temporariamente suspensas. O mecanismo automático é acionado em momentos de forte volatilidade, para permitir o ajuste das taxas e evitar distorções de preço. Durante a pausa, bancos de investimento recalibram as projeções para o custo de rolagem da dívida em 2027.
Fernando Siqueira, head de Research da Eleven, afirma que o rali tende a se concentrar nas empresas mais arriscadas. “O impacto maior será em empresas de menor qualidade: small caps, empresas endividadas e com resultados fracos”, diz. Para ele, a combinação de dólar mais baixo e juros futuros em queda funciona como alívio imediato no balanço dessas companhias.
O ministro da Fazenda, Durigan, tenta ancorar expectativas ao falar do próximo Orçamento. “O gasto obrigatório vai crescer menos no Orçamento de 2027. Isso é resposta efetiva”, afirma, em referência ao plano de contenção de despesas que o governo rascunha para entregar ao Congresso no ano que vem.
Bolsonarismo fortalecido, Lula reage e volatilidade continua
O avanço da direita no Legislativo reforça a leitura de que o futuro governo terá base para mexer em despesas e receitas. Guilherme Abbud, CEO da Persevera Asset Management, vê uma janela rara. “Do ponto de vista da governabilidade e da agenda econômica, as condições nunca foram tão favoráveis”, diz. Ele projeta que a alta vista hoje pode se estender por “vários dias”, se a campanha de segundo turno não reverter as expectativas.
Marco Saravalle, estrategista-chefe da Krivo Capital, destaca que o mercado não precifica apenas o próximo mandato. “O mercado financeiro passa a atribuir uma probabilidade maior de alternância de poder e, junto com ela, uma possibilidade maior de mudança na condução fiscal a partir de 2027”, afirma. Os investidores leem o desempenho do PL no Senado como garantia extra de avanço em temas como teto de gastos revisado e reforma administrativa.
Flávio Bolsonaro, senador e candidato à Presidência, capitaliza o ambiente. Em discurso após o primeiro turno, ele afirma que o resultado “decreta o fim da era PT” e promete não tentar nova reeleição. Nas palavras do candidato, um único mandato bastaria para “resolver os problemas do país”.
No campo adversário, Lula intensifica a agenda para reduzir a diferença no segundo turno marcado para 25 de outubro. Integrantes da campanha admitem reservadamente que o mercado reage mal à memória de aumento de gastos e reforçam promessas de proteção social com “responsabilidade”. A dúvida, para analistas, é se o discurso se traduzirá em metas fiscais críveis.
Na ala econômica de Flávio, o discurso é de freio no gasto. Daniella Marques, coordenadora da agenda do candidato, aposta em pacto institucional. “Autocontenção de gastos virá com diálogo entre Poderes”, afirma. Ela cita a composição do Senado como trunfo para blindar um novo arcabouço fiscal de mudanças constantes.
Analistas lembram que a euforia tem efeito imediato sobre inflação e renda, mas pode cobrar preço adiante. Dólar abaixo de R$ 5 reduz custos de importados e pressiona preços para baixo, o que favorece consumo e investimentos. Exportadores, porém, veem margem encolher, já que produtos brasileiros ficam menos competitivos lá fora.
Gestores também alertam que o rally é, em parte, técnico. Nas semanas anteriores, muitos fundos preferiram operar via derivativos, com pouco posicionamento direto em ações e câmbio. Com o resultado das urnas, precisam correr para recompor exposição, o que amplifica os movimentos de hoje.
A fotografia desta segunda revela um mercado disposto a premiar qualquer compromisso crível com ajuste fiscal. A continuidade da queda dos juros e da valorização do real, porém, depende do que os candidatos vão colocar no papel nas próximas três semanas. Planos vagos ou promessas incompatíveis com a matemática do Orçamento podem rapidamente inverter o sinal nos pregões.
Até o segundo turno, a tendência é de pregões intensos, com juros, dólar e Bolsa reagindo a cada pesquisa de intenção de voto e a cada frase de Flávio e Lula sobre gasto público. O humor de hoje indica o caminho preferido pelos investidores. O eleitor ainda decide se o roteiro do mercado se confirma nas urnas.
Como o resultado do 1º turno das eleições impactou a cotação do dólar hoje?
O dólar comercial cai hoje até 5%, batendo a mínima de R$ 4,95, porque o resultado do 1º turno, com Flávio Bolsonaro à frente, levou investidores a apostar em ajuste fiscal mais firme a partir de 2027, estimulando entrada de capital estrangeiro e desmontagem de posições defensivas em moeda americana.
Por que o dólar caiu mais de 4% após o avanço da extrema direita nas eleições?
A queda superior a 4% do dólar, com mínima de R$ 4,95, decorre da leitura de que o avanço do bolsonarismo e da direita no Congresso aumenta a chance de aprovação de reformas e controle de gastos, elevando a confiança na trajetória da dívida pública brasileira e reduzindo a necessidade de prêmio de risco cambial.
Qual foi a relação entre a alta do Ibovespa e a queda do dólar hoje?
A combinação de Ibovespa em alta de até 9,1% e dólar em queda de 5% reflete o mesmo movimento: investidores globais e locais aumentam exposição ao Brasil após o 1º turno, comprando ações e títulos, o que fortalece o real e impulsiona papéis de setores sensíveis a juros, crédito e renda, como varejo e bancos.
Como a aposta em responsabilidade fiscal influenciou o dólar hoje?
A expectativa de responsabilidade fiscal, com promessa de gasto obrigatório crescendo menos no Orçamento de 2027 e discursos de autocontenção da equipe de Flávio Bolsonaro, reduz o risco percebido da dívida pública, atrai fluxo para títulos e Bolsa e, assim, fortalece o real, derrubando a cotação do dólar no mercado à vista.
Qual é a cotação atual do dólar após o 1º turno das eleições?
O dólar comercial atinge na mínima de hoje R$ 4,95, uma queda de 5% frente aos R$ 5,21 de sexta-feira, embora oscile ao longo do pregão; essa cotação reflete reação imediata ao resultado do 1º turno, com investidores recompensando a perspectiva de ajuste fiscal e entrada de capital estrangeiro em ações e títulos públicos.
Como o avanço do bolsonarismo nas eleições afetou o mercado financeiro hoje?
O avanço do bolsonarismo, com Flávio Bolsonaro liderando o 1º turno e o PL ampliando bancada para 28 senadores, gera a maior alta do Ibovespa em anos, de até 9,1%, derruba o dólar a R$ 4,95 e provoca forte rali em varejistas, bancos e B3, refletindo apostas em reformas e maior estabilidade fiscal futura.


