Incêndio mata jovem grávida e pai; dono de clínica é preso
Jovem grávida de 20 anos e pai de 72 morrem em incêndio investigado como crime em Monte Carlo (SC). Em SP, dono de clínica clandestina para idosos é preso por homicídio e estelionato.

Segurança Pública
Tragédias recentes destacam riscos e crimes envolvendo idosos e jovens em diferentes estados brasileiros.
Um incêndio em uma casa de madeira em Monte Carlo, no Meio-Oeste de Santa Catarina, matou a jovem grávida Juliane Sthefany de Ávila, de 20 anos, e o pai dela, Antonio Ávila, de 72 anos, e é investigado pela Polícia Civil como feminicídio, homicídio doloso e incêndio criminoso, enquanto em Embu-Guaçu, na Grande São Paulo, a prisão do dono de uma clínica clandestina para idosos expõe um esquema de exploração de aposentadorias e mortes sob suspeita.
Quem eram a jovem grávida e o pai idoso que morreram em incêndio em SC?
As vítimas do incêndio em Monte Carlo são Juliane Sthefany de Ávila, de 20 anos, que, segundo parentes, estava grávida, e o pai dela, Antonio Ávila, de 72 anos, um idoso que morava com a filha na casa destruída pelo fogo.
O incêndio atingiu o imóvel na noite de terça-feira (13). Juliane chegou a ligar para a irmã pedindo ajuda. “A vítima ligou para ela pedindo socorro”, relatou a familiar aos policiais. Quando a irmã e o cunhado chegaram, a casa já estava tomada pelas chamas. A jovem foi encontrada perto da porta e retirada pelo cunhado, mas já sem vida.
Antonio não foi visto pelos parentes durante o tumulto. O corpo do idoso foi localizado depois pelos bombeiros, dentro da residência, após o combate ao fogo. Laudos da Polícia Científica vão confirmar a gestação de Juliane e apontar a causa das mortes.
Por que a polícia não descarta crime no incêndio que matou jovem grávida e pai idoso em SC?
O incêndio é tratado como possível crime porque a ocorrência foi registrada como feminicídio, homicídio doloso e incêndio criminoso, e testemunhas disseram ter visto um homem deixando a área da casa logo após o início das chamas.
A Divisão de Investigação Criminal instaurou inquérito e trabalha com diferentes linhas, inclusive a de fogo provocado de forma intencional. Equipes fizeram buscas na região de Monte Carlo, mas, até agora, nenhum suspeito foi preso ou identificado oficialmente.
Os investigadores aguardam exames periciais do local e dos corpos para entender se houve ação direta contra Juliane antes ou durante o incêndio, o que pode reforçar a linha de feminicídio. Para preservar o sigilo, a Polícia Civil não divulga mais detalhes sobre a apuração.
O que levou à prisão do dono do asilo que sacava aposentadorias de idosos?
A prisão de Márcio Oliveira Nunes, em Embu-Guaçu, na Grande São Paulo, ocorreu após o desaparecimento do idoso Francisco Faustino e a descoberta do corpo da vítima enterrado nos fundos de um imóvel usado como clínica para idosos, levando a acusação de homicídio e estelionato.
Segundo a investigação, Márcio administrava uma clínica clandestina, sem licença sanitária, e concentrava em suas mãos cartões e senhas de aposentadoria dos pacientes. Com esse controle, ele fazia saques e obtinha empréstimos consignados em nome dos idosos, prática que configura estelionato e violação grave do direito do idoso, garantido em lei a partir dos 60 ou 65 anos, conforme o benefício e a política pública envolvida.
Além de Francisco, Márcio é investigado por outras mortes, como a de um paciente cadeirante com esquizofrenia e o caso de Juliano, cujo corpo foi encontrado enrolado em uma coberta em área isolada após ser declarado morto por infarto pelo próprio suspeito. Para despistar familiares, ele transferia os idosos entre casas alugadas, sempre fora do radar da fiscalização.
Um investigador descreveu como o acusado conseguia convencer famílias a internar parentes na clínica irregular. “Ele se vestia bem, ele fala muito bem”, disse o policial. “Ele tem sempre uma saída, uma resposta”, completou, explicando que a boa aparência e o discurso articulado mascaravam as irregularidades.
Entenda o contexto
Os dois casos, em estados diferentes, expõem a vulnerabilidade de idosos e de pessoas em situação de dependência no Brasil. Em Santa Catarina, um idoso de 72 anos e a filha, possivelmente grávida, morrem em um incêndio sob suspeita de crime, num episódio que envolve possível violência de gênero dentro do ambiente doméstico.
Em São Paulo, o esquema da clínica clandestina mostra como idosos podem ser explorados financeiramente e submetidos a maus-tratos quando estão afastados da família e fora de instituições fiscalizadas. Márcio, agora preso, é apontado pelos investigadores como peça central de um modelo de negócio baseado na apropriação de aposentadorias, ocultação de mortes e movimentação constante dos pacientes para escapar de denúncias.
Autoridades de saúde e de segurança reforçam que famílias devem checar se a casa de repouso escolhida tem alvará da prefeitura, licença da vigilância sanitária e registro nos conselhos de assistência social. Visitar as instalações, conversar com outros familiares e verificar se há reclamações ou registros de ocorrência contra o estabelecimento são passos básicos para reduzir o risco de abusos.
Os inquéritos em Monte Carlo e Embu-Guaçu seguem em andamento. A expectativa é que, além da responsabilização criminal, os casos sirvam de alerta para o reforço da fiscalização de instituições que atendem idosos e para o fortalecimento das redes de proteção a pessoas em situação de maior vulnerabilidade.
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