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Inteligência Artificial

Coreia do Norte testa torpedo Zam-2.0 com IA e alta precisão

Coreia do Norte anunciou hoje teste bem-sucedido do torpedo Zam-2.0, arma naval com inteligência artificial e alta velocidade, após cinco anos e mais de 180 testes.

Coreia do Norte testa torpedo Zam-2.0 com IA e alta precisão

Defesa Naval

Coreia do Norte avança em tecnologia militar com torpedo inteligente e alta velocidade após intensos testes.

Leia também: IA decifra carta codificada de Napoleão em apenas 6 horas

A Coreia do Norte afirmou neste sábado (17) ter realizado com sucesso o teste do Zam-2.0, um novo sistema de torpedo com inteligência artificial e alta velocidade, em local não revelado do país. O armamento, voltado para alvos subaquáticos, é apresentado por Pyongyang como mais preciso e difícil de ser neutralizado, o que aumenta a preocupação de vizinhos como Coreia do Sul e Japão.

Coreia do Norte exibe novo torpedo Zam-2.0

De acordo com o comunicado divulgado pela agência estatal KCNA, o Zam-2.0 usa tecnologia de orientação de precisão para atingir embarcações e outros alvos abaixo da superfície do mar. O regime afirma que o sistema amplia as capacidades militares navais norte-coreanas em um momento de tensão crescente na região.

A KCNA destacou que “o teste verificou o funcionamento dos sistemas de propulsão do torpedo, desenvolvidos ao longo de cinco anos de trabalhos e mais de 180 testes”. O governo, porém, não informou onde a prova ocorreu nem apresentou imagens que permitam confirmação independente.

Apesar de anunciar o uso de inteligência artificial, o comunicado não explica como a tecnologia é aplicada na arma, nem descreve a capacidade do torpedo de detectar, classificar e acompanhar múltiplos alvos em ambiente subaquático — fatores essenciais para avaliar o real avanço do sistema.

Entenda o contexto

O Zam-2.0 é apresentado por Pyongyang como parte de um programa mais amplo de modernização de suas forças navais, com foco em armamentos subaquáticos e de difícil interceptação. Ao combinar alta velocidade com algoritmos de orientação, o torpedo tende a reduzir o tempo de reação de navios inimigos e a desafiar radares e sonares tradicionais.

A adoção de recursos de inteligência artificial em sistemas subaquáticos acompanha uma tendência vista em programas militares de grandes potências, que apostam em armas mais autônomas e capazes de operar com menor intervenção humana. No caso norte-coreano, a falta de transparência impede saber se o país já alcança esse patamar ou se ainda está em fase inicial de desenvolvimento.

Sob o ponto de vista estratégico, um torpedo mais rápido e preciso amplia a capacidade de dissuasão naval de Pyongyang, sobretudo contra frotas de Coreia do Sul, Japão e aliados. Navios de guerra, submarinos e até rotas comerciais em áreas disputadas passam a ser alvos potenciais, o que tende a aumentar a vigilância e o número de exercícios militares na região.

Escalada com mísseis e armas subaquáticas

O teste do Zam-2.0 ocorre na mesma semana em que a Coreia do Norte intensifica demonstrações de poderio bélico. Nas últimas semanas, o país realizou provas de sistemas de mísseis hipersônicos e de armamentos lançados a partir de plataformas subaquáticas, em linha com o esforço de diversificar formas de ataque e reduzir a previsibilidade de seus lançamentos.

Na quarta-feira (14), o regime já havia efetuado testes com mísseis disparados debaixo d’água, segundo informações divulgadas à época por governos da região. Esses movimentos são acompanhados de perto por Coreia do Sul e Japão, que avaliam impactos na segurança de suas frotas e na proteção de rotas marítimas estratégicas.

Autoridades de defesa dos países vizinhos veem o avanço em armamentos subaquáticos com especial preocupação, porque esses sistemas são, em geral, mais difíceis de detectar a tempo. A tendência é que Seul, Tóquio e parceiros reforcem capacidades de guerra antissubmarino, radares, sonares, redes de monitoramento marítimo e cooperação em defesa integrada.

Pressão por novas contramedidas e impacto global

Ao divulgar o teste por meio da KCNA, o governo norte-coreano reforça a estratégia de usar anúncios militares como instrumento de pressão política e de afirmação tecnológica. Ainda que detalhes técnicos permaneçam obscuros, a mensagem principal ao exterior é de que Pyongyang segue avançando em armamentos complexos, mesmo sob sanções econômicas.

Para especialistas em defesa, o uso declarado de inteligência artificial no Zam-2.0 tende a acelerar debates sobre automação de armas letais e sobre o risco de sistemas autônomos em ambientes de alta tensão geopolítica. Outros países podem sentir-se compelidos a investir mais em tecnologias semelhantes, alimentando uma corrida por armamentos inteligentes embaixo d’água.

No curto prazo, espera-se aumento no monitoramento de testes norte-coreanos, intensificação de exercícios militares conjuntos entre aliados e mais pressão diplomática em fóruns internacionais. Sem acesso a inspeções independentes ou dados técnicos detalhados, porém, a real capacidade do Zam-2.0 seguirá em grande parte no campo da especulação — enquanto a região vive um novo capítulo de incerteza e vigilância constante.

Fonte: matéria original