IA pode levar economia dos EUA a US$44 tri até 2030
Co-fundador da Anthropic projeta que avanço da inteligência artificial pode elevar a produção econômica dos EUA de US$30 trilhões para US$44 trilhões até 2030 e cobra regras globais rigorosas.

Inteligência Artificial
Especialista prevê crescimento econômico significativo nos EUA impulsionado pela IA até o final da década.
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O cofundador da Anthropic, Jack Clark, afirmou neste sábado, em Bangcoc, que o avanço acelerado da inteligência artificial pode elevar a produção econômica dos Estados Unidos para US$44 trilhões até 2030, bem acima dos atuais US$30 trilhões, e defendeu uma cooperação internacional urgente para regulamentar a tecnologia.
IA, crescimento de 46% e novas indústrias
A projeção foi apresentada durante as reuniões anuais do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial, que reúnem autoridades econômicas e reguladores de todo o mundo na capital tailandesa. Segundo Clark, um dos modelos econômicos internos da Anthropic indica que a inteligência artificial pode impulsionar um salto de cerca de 46% na produção econômica dos EUA em poucos anos.
“O rápido avanço das capacidades da inteligência artificial trará mudanças muito mais rápidas em todas as áreas”, disse Clark. Ele reconheceu que o alvo de US$44 trilhões “parece muito absurdo”, mas argumentou que a tecnologia já está “aumentando enormemente as descobertas científicas”. Pela lógica econômica, afirmou, esse ritmo de inovação exige o surgimento de novas indústrias e invenções para sustentar tamanha expansão.
O impacto tende a ser mais visível em setores ligados à tecnologia, pesquisa e desenvolvimento, manufatura avançada, saúde, finanças e serviços digitais, onde a IA automatiza tarefas, reduz custos e abre espaço para novos modelos de negócios. À medida que algoritmos assumem rotinas, empresas podem produzir mais com menos recursos e acelerar o ciclo de inovação.
Riscos para setores tradicionais e empregos
O mesmo movimento, porém, deve pressionar setores tradicionais que não consigam se adaptar. Indústrias com baixa digitalização ou forte dependência de mão de obra em tarefas repetitivas podem enfrentar perda de competitividade e substituição de postos de trabalho por automação.
Esse descompasso tende a aumentar a demanda por políticas públicas focadas em educação, requalificação profissional e inclusão digital. Trabalhadores precisarão migrar para funções que combinem conhecimento técnico com habilidades que a máquina ainda não reproduz com facilidade, como criatividade, relacionamento humano e tomada de decisão complexa.
Para investidores e formuladores de políticas, a previsão de Clark funciona como sinal verde para direcionar mais recursos a negócios e pesquisas em IA. A expectativa é que isso alimente um ciclo de investimentos, inovação e ganhos de produtividade, com impactos em cadeias globais de produção e comércio.
Entenda o contexto
As declarações ocorreram em um momento em que governos discutem como lidar com sistemas de IA cada vez mais poderosos, capazes de escrever textos, programar códigos, criar imagens, acelerar descobertas científicas e apoiar decisões estratégicas em empresas e Estados.
Grandes modelos de linguagem e ferramentas generativas começaram como apoio a tarefas específicas, mas hoje se espalham por call centers, escritórios de advocacia, equipes de marketing, laboratórios e até políticas públicas. Para Clark, a velocidade desse processo mudou de patamar e exige respostas coordenadas.
“Regras incomuns e rigorosas”
Em seu discurso em Bangcoc, o cofundador da Anthropic reforçou que o debate não pode ficar restrito aos benefícios econômicos. “É necessária uma cooperação internacional para estabelecer regras incomuns e rigorosas para essa tecnologia transformadora”, afirmou.
Segundo ele, essas regras devem tratar de uso ético, segurança dos sistemas, transparência e mecanismos de responsabilização em casos de abuso ou falhas graves. A ideia é evitar desde a disseminação em massa de desinformação até riscos mais amplos, como dependência excessiva de modelos opacos em decisões críticas de governo e empresas.
A cobrança por coordenação global mira organismos multilaterais e grandes potências, que concentram empresas e centros de pesquisa mais avançados. A expectativa é que as discussões iniciadas em fóruns como as reuniões do FMI e do Banco Mundial ganhem corpo em negociações formais sobre padrões internacionais para desenvolvimento e uso da IA.
Na prática, o tipo de marco regulatório sugerido por Clark pode influenciar desde o desenho de incentivos à inovação até programas de proteção social, treinamento profissional e mitigação de desigualdades geradas pela automação acelerada.
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