Elon Musk diz que IA e robôs podem zerar dívida dos EUA até 2030
Em entrevista a Walter Isaacson, Elon Musk afirma que inteligência artificial e robôs são a única saída para a dívida dos EUA após frustração com cortes no programa DOGE.

Inteligência Artificial
Elon Musk destaca o papel da IA e da robótica para solucionar a crise da dívida americana até o final da década.
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Elon Musk afirmou que a inteligência artificial e os robôs são a única saída para resolver a dívida dos Estados Unidos, depois de se frustrar com a dificuldade de cortar gastos no Departamento de Eficiência Governamental (DOGE), iniciativa criada para enxugar a máquina federal em Washington.
Qual é a proposta de Elon Musk para usar IA e robôs na solução da dívida dos EUA?
Para Musk, a solução passa por automatizar em larga escala tarefas hoje realizadas por funcionários públicos e prestadores de serviço, substituindo parte desse trabalho por sistemas de inteligência artificial e robôs humanoides capazes de atuar no mundo físico.
“A única maneira de resolvermos a dívida nacional é com IA e robôs”, disse o empresário em entrevista ao biógrafo Walter Isaacson, no podcast The Builders, produzido pela Kaleidoscope e com estreia marcada para 20 de outubro. A conversa foi divulgada nesta semana.
Na avaliação do bilionário, sistemas de IA poderiam assumir atividades administrativas e de análise de dados, enquanto robôs como o Optimus, da Tesla, fariam tarefas físicas em órgãos públicos e instalações federais. A combinação, defende ele, permitiria reduzir despesas com pessoal, cortar contratos de serviços e aumentar a produtividade da máquina estatal.
Musk argumenta que, diferentemente de um programa pontual de cortes — como o DOGE —, a automação contínua criaria um ganho de eficiência permanente, ajudando a conter o crescimento da dívida no longo prazo.
Críticas à política de cortes em Washington
A defesa da tecnologia vem acompanhada de uma crítica direta à experiência de Musk na tentativa de reduzir gastos em Washington. O DOGE foi lançado com a promessa de cortar desperdícios, rever contratos, reduzir estruturas e demitir servidores na administração federal.
As expectativas iniciais, porém, minguaram. Em abril de 2025, Musk reduziu a projeção de economia do programa de US$ 1 trilhão para US$ 150 bilhões, número que era apenas uma previsão, não um valor efetivamente economizado.
Na entrevista, ele atribui o recuo ao custo político dos cortes. “Os cortes criam adversários, e Trump não gosta de receber reclamações das pessoas atingidas pelas decisões”, afirmou. Segundo o empresário, faltou disposição para enfrentar a resistência em diferentes poderes, da Presidência ao Congresso e ao Judiciário.
Musk também faz uma autocrítica sobre sua passagem pela Casa Branca. Ele participou formalmente do DOGE por quatro meses e hoje diz que errou na dosagem. “Deveria ter mantido uma atuação mais discreta e limitado minha participação a um ou dois meses”, reconheceu, acrescentando que deveria ter voltado mais cedo a focar nas próprias empresas, em especial na área de inteligência artificial.
Quais robôs Elon Musk pretende utilizar para resolver a crise da dívida americana?
O principal exemplo citado por Musk é o Optimus, robô humanoide em desenvolvimento pela Tesla e peça central da estratégia da companhia para ir além dos automóveis, assumindo tarefas físicas em fábricas, armazéns e, no cenário imaginado por ele, também em estruturas governamentais.
O plano é que robôs do tipo sejam capazes de executar atividades repetitivas, pesadas ou de rotina, hoje feitas por trabalhadores humanos, o que reduziria custos operacionais. Em paralelo, sistemas de IA cuidariam de processos burocráticos, tomada de decisão baseada em dados e atendimento inicial ao público.
Na prática, isso significaria uma reconfiguração da administração federal: menos servidores em funções operacionais, mais equipamentos conectados e algoritmos coordenando fluxos de trabalho. Fornecedores de tecnologia ganhariam peso no orçamento, enquanto contratos tradicionais de serviços tenderiam a encolher.
Entenda o contexto
A proposta de Musk surge em meio a um cenário de dívida crescente nos Estados Unidos e de dificuldade para aprovar cortes profundos em gastos públicos. O próprio DOGE, apresentado como resposta agressiva ao desperdício, acabou encolhendo em ambição e resultados projetados.
Ao apontar IA e robôs como saída, o empresário desloca a discussão do campo puramente fiscal para o tecnológico: em vez de depender apenas de decisões políticas impopulares, a ideia é usar inovação para tornar o Estado mais enxuto e produtivo. Isso, porém, esbarra em duas frentes de desafio.
De um lado, há o limite industrial. Produzir robôs humanoides em escala exige componentes sofisticados, cadeias de fornecedores confiáveis e capacidade fabril robusta — pontos que a própria Tesla ainda trabalha para consolidar. De outro, o obstáculo é político e social: sindicatos de servidores, categorias profissionais e parlamentares tendem a resistir a cortes de pessoal e à transformação de postos de trabalho em funções automatizadas.
A entrevista no The Builders deve alimentar esse debate ao aproximar líderes de tecnologia, empreendedores e formuladores de políticas em torno de uma mesma pergunta: até onde a automação pode — ou deve — ir quando o tema é o ajuste das contas públicas.
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