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Inteligência Artificial

Coreia do Norte testa torpedo AI Zam-2.0 e aumenta tensão naval

Coreia do Norte testa o torpedo supersônico Zam-2.0 com inteligência artificial, em lançamento submarino. Arma promete driblar defesas de Coreia do Sul e EUA e acirra corrida armamentista.

Coreia do Norte testa torpedo AI Zam-2.0 e aumenta tensão naval

Inteligência Artificial

Teste de torpedo supersônico com IA eleva riscos e intensifica disputa naval na península coreana.

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A Coreia do Norte testou o torpedo supersônico Zam-2.0, equipado com sistema avançado de inteligência artificial para detectar alvos e orientar a trajetória com mais precisão, em um lançamento submarino realizado na quinta-feira (15) e divulgado neste sábado (17) pela mídia estatal, em um movimento que eleva a tensão militar no Leste Asiático.

Segundo a agência oficial do regime, o ensaio teve como objetivo “confirmar o sucesso da atualização técnica” do sistema de armas. O Zam-2.0 é apresentado por Pyongyang como um torpedo de precisão capaz de manobrar em alta velocidade, tomar decisões autônomas durante o ataque e confundir sistemas de defesa navais da Coreia do Sul e dos Estados Unidos, que usam iscas para desviar projéteis.

O teste ocorre após o líder Kim Jong Un cobrar, no mês passado, que o país aumente “o nível de inteligência artificial” em seus arsenais, e reforça a aposta do regime em tecnologias autônomas tanto em mísseis quanto em armamentos submarinos.

O que é o sistema de torpedo com inteligência artificial testado pela Coreia do Norte?

O Zam-2.0 é descrito por Pyongyang como um novo tipo de torpedo supersônico de precisão, projetado para operar de forma mais autônoma do que sistemas anteriores. De acordo com a agência estatal norte-coreana, “a tecnologia de IA foi aplicada à detecção de alvos e à função de orientação do novo tipo de torpedo de precisão”.

Na prática, isso significa que o torpedo recebe, a bordo, capacidade de processar dados em tempo real sobre o ambiente submarino, reconhecer padrões e ajustar sua rota sem depender exclusivamente de comandos externos. A combinação de alta velocidade com algoritmos de decisão promete aumentar a chance de acerto contra navios de superfície e submarinos inimigos.

O Zam-2.0 faz parte do esforço do regime para modernizar sua frota submarina e desenvolver armas consideradas mais difíceis de serem neutralizadas por sistemas tradicionais de defesa, que costumam prever trajetórias mais previsíveis dos torpedos convencionais.

Quais são as capacidades do novo sistema de torpedo da Coreia do Norte?

O principal diferencial do Zam-2.0 é o uso de inteligência artificial para identificar alvos reais, ajustar o curso e realizar manobras evasivas durante o ataque. Fontes oficiais destacam que o sistema teria sido atualizado para aumentar a precisão, enquanto analistas apontam potencial para superar algumas barreiras de defesa hoje em uso na região.

Segundo a descrição do próprio regime, o torpedo usa IA para avaliar o cenário subaquático, distinguir navios e submarinos de alvos de distração e alterar a trajetória em frações de segundo. Isso inclui, por exemplo, mudar de profundidade, descrever curvas bruscas ou reduzir temporariamente a velocidade para escapar de sensores e mísseis antitorpedo.

Lim Eul-chul, professor da Universidade de Kyungnam e especialista em Coreia do Norte, afirma que os recursos de IA podem neutralizar parte das táticas de proteção adotadas por Seul e Washington. “Coreia do Sul e Estados Unidos implantaram alvos de distração para desviar torpedos, mas a IA poderia, potencialmente, ajudar a distinguir alvos reais de iscas”, disse o analista.

Embora os detalhes técnicos não sejam divulgados, o Zam-2.0 é classificado por Pyongyang como supersônico, o que indica velocidades muito superiores às de torpedos convencionais e reduz o tempo de reação das forças inimigas. Em paralelo, o país investe em mísseis hipersônicos, capazes de atingir velocidades cerca de cinco vezes superiores à do som e realizar manobras em pleno voo.

Entenda o contexto

O anúncio do teste do Zam-2.0 vem em meio à intensificação da corrida armamentista entre as duas Coreias. Seul e Pyongyang disputam avanços em mísseis hipersônicos, submarinos mais modernos e defesas antimísseis, em um tabuleiro que envolve diretamente os Estados Unidos e, do outro lado, Rússia e China.

Analistas apontam que Moscou pode estar colaborando com Pyongyang em tecnologia de mísseis em troca de apoio militar norte-coreano na guerra na Ucrânia. Essa possível troca de conhecimento aceleraria o ritmo de desenvolvimento de sistemas como o Zam-2.0 e outros vetores avançados.

Kim Jong Un já determinou que a Marinha norte-coreana seja equipada com armas mais sofisticadas, inclusive com capacidade nuclear, o que amplia o peso estratégico de torpedos de longo alcance e sistemas autônomos em um eventual conflito na península.

Como o sistema de torpedo com inteligência artificial pode impactar a segurança na região?

O teste do Zam-2.0 adiciona um novo elemento de pressão sobre as forças navais da Coreia do Sul e dos Estados Unidos no Leste Asiático, ao ameaçar tornar menos eficazes os sistemas de defesa hoje usados para proteger navios de guerra, porta-aviões e submarinos estratégicos.

A inteligência artificial embarcada tende a reduzir a previsibilidade da trajetória do torpedo, o que complica o trabalho de radares, sonares e mísseis interceptores. Se os algoritmos forem capazes de reconhecer e ignorar iscas lançadas ao mar justamente para enganar projéteis, a taxa de sucesso dos ataques norte-coreanos pode aumentar.

Na prática, isso obriga os países vizinhos a acelerar o desenvolvimento de contramedidas, como sensores mais sensíveis, softwares de rastreamento capazes de lidar com padrões menos previsíveis e armas antitorpedo mais rápidas e precisas. A resposta tende a alimentar um ciclo de ação e reação tecnológica, encarecendo a corrida armamentista e tornando o ambiente regional mais instável.

Governos da Coreia do Sul e dos Estados Unidos acompanham de perto os testes e avaliam que a combinação de IA com plataformas submarinas amplia o risco de incidentes não intencionais, caso sistemas autônomos interpretem movimentos militares de rotina como ameaças e reajam de forma agressiva.

Qual o objetivo da Coreia do Norte ao testar esse sistema de torpedo com IA?

O teste de 15 de outubro serve, ao mesmo tempo, como validação técnica do Zam-2.0 e como demonstração política de que a Coreia do Norte avança em tecnologias sensíveis apesar das sanções internacionais. O regime afirma que busca “confirmar o sucesso da atualização técnica” do torpedo e seguir a orientação de Kim Jong Un de elevar o uso de IA nos sistemas de armas.

Ao exibir um torpedo supersônico inteligente, Pyongyang tenta aumentar seu poder de dissuasão, sinalizando que pode impor custos elevados a qualquer operação naval na região. A mensagem é direcionada especialmente às frotas da Coreia do Sul e dos Estados Unidos, que costumam realizar exercícios conjuntos próximos à península.

Para além do campo militar, o anúncio reforça a narrativa interna de avanço científico e tecnológico, peça central na legitimação do poder de Kim. Novos testes e demonstrações de capacidade são esperados nos próximos meses, enquanto os países da região correm para adaptar suas estratégias de defesa ao novo cenário subaquático criado pelo Zam-2.0.

Fonte: matéria original