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Inteligência Artificial

CFM exige que médicos informem uso de tecnologias no tratamento

Nova resolução do Conselho Federal de Medicina exige que médicos informem com clareza o uso de tecnologias nos tratamentos, detalhando riscos, benefícios e alternativas para garantir consentimento informado.

CFM exige que médicos informem uso de tecnologias no tratamento

Inteligência Artificial

Conselho Federal de Medicina determina transparência no uso de recursos tecnológicos para assegurar decisões conscientes dos pacientes.

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O Conselho Federal de Medicina (CFM) publicou nesta semana uma resolução que obriga médicos em todo o país a informar de forma clara aos pacientes sempre que tecnologias forem utilizadas em seu atendimento, detalhando objetivos, benefícios, riscos e alternativas antes de obter o consentimento para o tratamento.

O que muda no atendimento médico

Na prática, a norma determina que o uso de qualquer tecnologia que impacte o cuidado — de sistemas de apoio à decisão clínica com inteligência artificial a softwares de triagem, robôs cirúrgicos, equipamentos diagnósticos avançados ou plataformas digitais de telemedicina — seja explicitamente comunicado ao paciente.

O CFM reforça, com a resolução, o princípio do consentimento informado. O paciente deverá ser avisado não só de que uma tecnologia está envolvida, mas também de como ela participa do processo, quais são as limitações e quais outras opções existem, inclusive sem o emprego desses recursos.

A resolução é descrita pelo próprio conselho como uma medida para garantir transparência e preservar a autonomia do paciente. Em documento oficial, o órgão afirma que a norma “exige que paciente seja informado sobre uso da tecnologia” em seu tratamento.

Impacto para pacientes e profissionais

Para os pacientes, a mudança tende a aumentar o nível de compreensão sobre o que está por trás de exames, laudos, diagnósticos e decisões terapêuticas, fortalecendo a possibilidade de questionar, aceitar ou recusar procedimentos com mais segurança.

Especialistas em ética médica e entidades de defesa dos direitos dos usuários do sistema de saúde veem a medida como um passo importante para consolidar uma cultura de transparência na relação médico-paciente, especialmente em um cenário de rápida incorporação de ferramentas digitais e de inteligência artificial no dia a dia dos consultórios, hospitais e clínicas.

Do lado dos profissionais e das instituições, a resolução exige ajustes em rotinas, protocolos internos e formulários de consentimento, que precisarão detalhar o papel das tecnologias envolvidas. Hospitais, clínicas e operadoras de saúde devem investir em treinamento para que médicos e equipes consigam explicar termos técnicos em linguagem acessível e registrar adequadamente essas informações em prontuário.

Entenda o contexto

Nos últimos anos, o uso de tecnologias na medicina avançou da automação de exames e prontuários eletrônicos para ferramentas capazes de apoiar diagnósticos, sugerir condutas e monitorar pacientes em tempo real, muitas vezes em segundo plano, sem que o usuário perceba.

Esse cenário acendeu alertas na comunidade médica e entre especialistas em ética sobre a necessidade de garantir que o paciente saiba quando decisões sobre sua saúde contam com a participação de algoritmos, sistemas inteligentes ou equipamentos complexos, e não apenas da análise direta do profissional.

Ao tornar obrigatória a informação explícita sobre o uso de tecnologia, o CFM busca alinhar a prática clínica ao ritmo dessas inovações, reduzindo assimetrias de informação e reforçando que a responsabilidade final pelo cuidado continua sendo do médico, mesmo quando se apoia em sistemas automatizados.

Próximos passos e fiscalização

Com a resolução em vigor, o CFM deve detalhar orientações para a aplicação prática da regra e acompanhar o cumprimento pelas regionais de medicina. O descumprimento pode ser enquadrado como infração ética, sujeita a apuração e sanções disciplinares nos conselhos de classe.

A expectativa é que conselhos regionais, sociedades médicas e instituições de saúde elaborem guias e programas de capacitação específicos sobre comunicação em saúde e uso de tecnologias. A médio e longo prazo, a norma tende a influenciar tanto a formação de novos médicos quanto o desenvolvimento de soluções tecnológicas mais voltadas à clareza, segurança e participação ativa do paciente.

Fonte: matéria original