PF abre inquérito contra Flávio Bolsonaro por lavagem de dinheiro
Polícia Federal leva ao STF novo inquérito que mira suspeita de lavagem de dinheiro ligada ao senador Flávio Bolsonaro e ao advogado Willer Tomaz, com foco em empresa de apostas no Rio.
Polícia Federal
Novo inquérito investiga suspeitas envolvendo senador e empresa de apostas no Rio de Janeiro.
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A Polícia Federal encaminha ao Supremo Tribunal Federal um novo inquérito que atinge o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ), para apurar suspeitas de lavagem de dinheiro a partir da relação dele com o advogado Willer Tomaz e com a empresa de apostas esportivas Rede Loto, autorizada a operar no Rio de Janeiro. A investigação, que corre em sigilo sob relatoria do ministro André Mendonça, aponta movimentações financeiras milionárias e uso de estruturas empresariais que, segundo os investigadores, podem ter servido para ocultar recursos.
PF vê proximidade entre Flávio e advogado ligado a empresa de apostas
O novo inquérito nasce de provas colhidas em uma apuração da PF aberta no Rio Grande do Sul sobre plataformas de pagamento digital e o setor de apostas. Ao longo dessa investigação, a PF diz ter encontrado “elementos indicativos de vínculo de controle ou propriedade de fato de Willer Tomaz sobre a Rede Loto”, primeira empresa a obter autorização estadual para explorar apostas esportivas no Rio. Os sócios formais da empresa teriam vínculos com o advogado.
A partir da quebra de sigilo da nuvem do celular de Willer Tomaz, os investigadores relatam a descoberta de uma relação estreita com Flávio Bolsonaro. Em documento enviado ao STF, a PF escreve que “durante as análises, foram identificados diversos elementos que evidenciam uma relação de proximidade entre Willer e Flávio Bolsonaro (…) documentos de natureza pessoal vinculados a Flávio encontrados no iCloud de Willer”.
Os relatórios mencionam registros de festas, encontros e reuniões envolvendo os dois, além de pagamentos de viagens ao senador. A PF afirma ainda que foi identificado vínculo de Flávio com uma conta bancária em nome da empresa Alcazar Holding, na qual o parlamentar aparece como “usuário master”.
No material remetido ao Supremo, os investigadores registram que os dados analisados extrapolam a figura do advogado. “Registra-se, por fim, que o material analisado contém referências a autoridades detentora de foro por prerrogativa de função, notadamente parlamentar federal”, diz trecho do documento.
R$ 130 milhões em dois meses e ampliação do alcance da investigação
Um dos pontos que chamam a atenção da PF é o volume de recursos que passa por contas ligadas a Willer Tomaz. Segundo a investigação, uma conta bancária em nome do advogado movimentou cerca de R$ 130 milhões entre março e maio de 2025. Para os investigadores, o valor e o curto período indicam a necessidade de aprofundar a apuração sobre a origem e o destino do dinheiro.
Com a remessa do caso ao STF, em razão do foro privilegiado de Flávio Bolsonaro, a apuração se expande: a PF passa a olhar não apenas para o suposto controle de Willer Tomaz sobre a Rede Loto e outras empresas ligadas ao setor de apostas e de pagamentos digitais, mas também para eventuais benefícios ou participação do senador em operações suspeitas.
O novo inquérito se soma a outro já em andamento no Supremo, que investiga um pedido de recursos ao banqueiro Daniel Vorcaro para o filme “Dark Horse”, também sob relatoria de André Mendonça. Na prática, Flávio passa a figurar em duas frentes de investigação na Corte, ambas relacionadas a suspeitas de irregularidades financeiras e possível lavagem de dinheiro.
Entenda o contexto
A investigação atual se ancora em três eixos principais. O primeiro é o papel atribuído pela PF a Willer Tomaz como controlador de fato da Rede Loto, apesar de não aparecer formalmente como sócio. O segundo é a aproximação entre o advogado e figuras políticas, entre elas Flávio Bolsonaro, mapeada a partir de dados extraídos da nuvem do celular do advogado. O terceiro é o fluxo atípico de recursos, com destaque para os R$ 130 milhões movimentados em apenas dois meses.
Para a PF, o cruzamento desses elementos sugere o uso de empresas e estruturas financeiras para dissimular a origem de valores. A apuração mira setores como o de jogos de azar, plataformas de pagamento digital e holdings patrimoniais, considerados vulneráveis a operações de lavagem de dinheiro.
A tramitação no STF, associada ao uso intensivo de tecnologia — como a análise de dados em nuvem e de grandes volumes de transações bancárias —, tende a servir de modelo para futuras investigações que envolvam autoridades com foro privilegiado. Eventuais medidas adicionais, como novas quebras de sigilo, oitivas de envolvidos e, em último caso, apresentação de denúncia, dependerão da avaliação do ministro relator a partir das próximas diligências.
O que dizem Flávio Bolsonaro, Willer Tomaz e as empresas
Procurada, a assessoria da campanha de Flávio Bolsonaro reconhece que o senador é mencionado na apuração, mas alega que ele não foi formalmente incluído como investigado. “Ele ainda não se tornou investigado no caso”, afirma a nota enviada pela equipe do parlamentar.
A defesa de Willer Tomaz reage com dureza às suspeitas levantadas pela PF. Os advogados do criminalista classificam a apuração como uma “pescaria probatória” voltada, segundo eles, a desgastar adversários políticos em ano eleitoral. Para a defesa, trata-se de tentativa de “fabricar falsos escândalos com fins político-eleitorais”.
A Rede Loto e a holding Cathedral, também citadas nos relatórios, negam irregularidades. Em manifestação, sustentam que “a Rede Loto jamais operou como plataforma de apostas, e a Cathedral é tão somente uma holding patrimonial” e afirmam que “não houve circulação de recursos entre as empresas mencionadas; portanto, inexiste qualquer movimentação financeira irregular”.
O processo segue sob sigilo no STF, que agora terá de avaliar os pedidos da PF e decidir sobre novos passos na investigação que envolve o senador Flávio Bolsonaro, o advogado Willer Tomaz e a rede de empresas associadas ao setor de apostas.
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