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Política

Senado debate quinta o impacto ambiental do tarifaço dos EUA

Comissão de Meio Ambiente do Senado fará na quinta (22), às 10h, audiência sobre o tarifaço dos EUA e seus efeitos em biocombustíveis, minérios estratégicos, desmatamento e cooperação climática.

Senado debate quinta o impacto ambiental do tarifaço dos EUA

Meio Ambiente

Audiência no Senado discute os efeitos do tarifaço dos EUA sobre recursos naturais e políticas climáticas.

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A Comissão de Meio Ambiente (CMA) do Senado marcou para quinta-feira (22), às 10h, uma audiência pública para discutir como a política externa dos Estados Unidos, em especial o chamado “tarifaço” sobre produtos brasileiros, pressiona setores estratégicos da economia e interfere na proteção de recursos naturais, no combate ao desmatamento e na cooperação climática entre os dois países.

Tarifas, clima e recursos naturais em foco

O debate foi proposto pela senadora Leany Lemos (PSB-DF) no REQ 20/2026 – CMA e toma como ponto de partida a investigação comercial aberta pelo governo norte-americano contra o Brasil, no âmbito da Seção 301 do USTR, e a adoção de tarifas adicionais sobre exportações brasileiras. Também entram na pauta a saída dos EUA do Acordo de Paris, a Lei de Reciprocidade Econômica e o andamento das negociações diplomáticas bilaterais.

Os senadores querem detalhar os efeitos dessas medidas sobre cadeias ligadas à transição energética, como os biocombustíveis — com ênfase no etanol — e sobre reservas de minerais críticos e terras raras usadas na produção de chips e equipamentos para data centers. A preocupação é que o encarecimento das vendas externas reduza a competitividade do Brasil, afete investimentos e amplie a dependência de mercados que não exigem padrões ambientais tão rígidos.

A CMA também pretende avaliar como as decisões americanas impactam a agenda de preservação da biodiversidade e de controle do desmatamento, áreas em que o Brasil tenta se firmar como potência ambiental e parceira preferencial em negociações climáticas globais.

Entenda o contexto

No requerimento que embasa a audiência, Leany Lemos aponta que a combinação de tarifas extras, disputas comerciais e mudanças de postura dos EUA em acordos ambientais afeta diretamente a política climática brasileira e o ambiente de negócios. A senadora escreve que “há ainda uma dimensão institucional que não pode ser ignorada. Nas últimas semanas, tornaram-se públicos documentos que registram a interlocução de agentes políticos brasileiros com autoridades estrangeiras sobre a aplicação de medidas comerciais contra o país, sobre o acesso a recursos estratégicos nacionais e sobre a formação antecipada de grupos de transição de governo”.

Esse ponto deve abrir espaço para discutir transparência e limites na atuação de autoridades brasileiras em negociações com governos estrangeiros, especialmente quando envolvem recursos naturais considerados estratégicos, como jazidas de minerais críticos, e instrumentos de pressão comercial.

Quem participa da audiência

Foram convidados para expor visões do governo, da academia e do setor produtivo. Do Executivo, devem participar o ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco; a secretária de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Tatiana Lacerda Prazeres; e o secretário de Clima, Energia e Meio Ambiente do Ministério das Relações Exteriores, Mauricio Carvalho Lyrio.

Entre os especialistas, estarão a economista Lia Valls Pereira, da Fundação Getulio Vargas e professora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, e o geocientista Roberto Ventura Santos, professor do Instituto de Geociências da Universidade de Brasília e especialista em minerais críticos e geoquímica, que deve detalhar os riscos e oportunidades relacionados à exploração e ao uso desses insumos.

Do lado do setor produtivo, foram chamados Constanza Biasutti, diretora de Relações Governamentais, Assuntos Internacionais e Comércio Exterior da Confederação Nacional da Indústria, e Abrão Miguel Árabe Neto, diretor-presidente da Amcham Brasil, que devem relatar o impacto das tarifas sobre a indústria, exportadores de biocombustíveis e empresas ligadas à cadeia de tecnologia e energia.

Participação do público e próximos passos

A audiência será interativa. Qualquer pessoa pode enviar perguntas e comentários pelo telefone da Ouvidoria do Senado (0800 061 2211) ou pelo Portal e-Cidadania, com possibilidade de leitura e resposta ao vivo por senadores e convidados.

O Senado vai emitir declaração de participação, válida como atividade complementar em cursos universitários. A expectativa é que, a partir das falas de governo, especialistas e empresários, a CMA acompanhe mais de perto as negociações diplomáticas com os EUA, discuta medidas legislativas para proteger setores afetados e ajude a alinhar a política comercial brasileira com metas de preservação ambiental e de desenvolvimento de tecnologias limpas.

Fonte: matéria original