Flávio Bolsonaro atrai 71,9 mil na Paulista a 7 dias do 2º turno
Flávio Bolsonaro leva 71,9 mil pessoas à Avenida Paulista em comício a uma semana do 2º turno, ataca Lula e STF e promete receber faixa presidencial das mãos do pai preso.

Política
Comício na Paulista reúne milhares e marca a reta final da campanha eleitoral para o segundo turno.
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Flávio Bolsonaro (PL) reuniu neste domingo (18) uma multidão estimada em 71,9 mil pessoas na Avenida Paulista, em São Paulo, em um comício que fechou trechos da via, criticou o STF e serviu de aquecimento político para o debate televisivo contra o presidente Lula (PT) marcado para a noite.
Comício toma oito quarteirões e fecha metrô
O ato se concentrou entre as estações Consolação e Brigadeiro e se espalhou por oito quarteirões da Paulista, com maior aperto na região de um restaurante de fast-food, onde pedestres quase não conseguiam circular. O carro de som com o presidenciável percorreu quatro quarteirões, superlotando pistas e calçadas e transbordando para ruas próximas, o que interrompeu o trânsito de veículos.
A estimativa de público, com margem de erro de 12 pontos percentuais para mais ou para menos, foi feita a partir de imagens aéreas analisadas por um programa de inteligência artificial. Com o avanço da multidão em direção ao parque Trianon e ao Masp, houve bloqueios na altura do parque Mario Covas para conter o fluxo.
A superlotação se refletiu no metrô. A estação Trianon-Masp teve os acessos fechados temporariamente porque a plataforma já estava tomada, e funcionários passaram a segurar o público do lado de fora. Entre o aperto e o calor, alguns manifestantes pediram ajuda para deixar a aglomeração por não se sentirem bem.
Entenda o contexto
O comício foi convocado uma semana depois de um ato da esquerda em apoio a Lula no mesmo trecho da Paulista e ocorre a sete dias do segundo turno da eleição presidencial. A campanha de Flávio tenta usar São Paulo, maior colégio eleitoral do país, como vitrine de força e como contraste à manifestação petista da semana anterior.
Diferentemente de mobilizações anteriores do bolsonarismo na avenida, os carros de som não ficaram parados em frente ao Masp para uma sequência longa de discursos. A equipe de campanha priorizou uma passagem mais rápida, para que o candidato pudesse se preparar para o debate desta noite.
O que Flávio Bolsonaro disse no ato
Flávio chegou à Paulista por volta das 11h15, ao lado da esposa, Fernanda, e subiu em um dos carros de som para um discurso curto, em que avisou que pouparia a voz para o confronto com Lula. Ele prometeu usar a transmissão para atacar o petista.
“Quero vocês na televisão assistindo ao debate contra o Lula, onde eu vou ter a oportunidade de esfregar os crimes que ele cometeu contra nossa nação ao vivo. Vou falar com o coração e vou falar para cada um de vocês e para toda família brasileira. E o Brasil está sem presidente, mas é por pouco tempo”, afirmou o candidato.
Em tom de campanha de reta final, Flávio disse que pretende virar o jogo contra o PT e criou uma cena simbólica envolvendo o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, preso após condenação a 27 anos por tentativa de golpe de Estado.
“Vamos virar essa página triste do Brasil. Faltam sete dias para a gente livrar o Brasil do PT. E vocês verão Jair Messias Bolsonaro colocando a faixa de presidente da República no filho dele”, declarou.
Além dos ataques ao adversário, o presidenciável reforçou a narrativa de que o país estaria sem liderança e pediu engajamento máximo no dia da votação, apresentando o ato como demonstração de força popular de sua candidatura.
Críticas ao STF e alvo em Alexandre de Moraes
A mobilização teve forte teor contra o Supremo Tribunal Federal. Cartazes espalhados pela avenida traziam críticas à Corte e, em especial, ao ministro Alexandre de Moraes, relator do processo que levou Jair Bolsonaro à prisão. Em contraste, apoiadores exibiam mensagens de apoio ao ministro André Mendonça, indicado pelo ex-presidente.
No carro de som, o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), um dos articuladores do evento, usou a retórica para prometer confrontos institucionais em caso de vitória da direita nas urnas. “A próxima legislatura vai cassar Moraes. Também vamos aposentar o PT”, disse, sob aplausos.
As falas reforçam a estratégia de campanha de tensionar a relação com o Judiciário e apresentar decisões recentes do STF como injustas, especialmente a condenação de Jair Bolsonaro, o que pode acirrar ainda mais o embate entre poderes em um eventual novo governo alinhado ao bolsonarismo.
Quem esteve no palanque com Flávio
O carro de som que conduziu Flávio pela Paulista reuniu boa parte da linha de frente do bolsonarismo e aliados da direita. O governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), subiu ao veículo e posou ao lado do presidenciável, numa demonstração de alinhamento no principal estado do país.
Também marcaram presença os senadores eleitos Deltan Dallagnol (Novo-PR), Marcel van Hattem (Novo-RS) e André do Prado (PL-SP). A composição buscou transmitir a ideia de bloco coeso entre Executivo e Legislativo em torno da candidatura de Flávio.
Ao microfone, Nikolas Ferreira atuou como animador político, puxando coros contra o PT e o STF. Segundo aliados, a presença de nomes com forte atuação nas redes sociais é peça central da estratégia de mobilização digital na última semana de campanha.
Público diverso e bordões de campanha
A multidão na Paulista misturava famílias com crianças, idosos, pessoas de meia-idade e cadeirantes. Bandeiras verde-amarelas e camisetas da seleção eram maioria, acompanhadas por caixas de som tocando funk e músicas associadas ao bolsonarismo.
O refrão “Quem ficar parado é petista disfarçado” se tornou o grito mais repetido ao longo do trajeto. A cada convocação pelo carro de som, manifestantes respondiam com pulos, acenos e passos apressados para acompanhar a movimentação do presidenciável.
Em alguns momentos, a densidade do público perto do Masp e do parque Trianon era tanta que o carro de som avançava mais rápido do que os apoiadores conseguiam seguir, deixando pessoas nas laterais para trás. Em trechos de maior compressão, grupos pediam que todos andassem, aos gritos de “anda, anda, anda”.
Impacto político às vésperas do segundo turno
O ato na Paulista se torna um dos principais trunfos de Flávio Bolsonaro na reta final da campanha. A imagem de avenida cheia, com 71,9 mil pessoas no auge segundo as medições por inteligência artificial, é explorada pela equipe como prova da capacidade de mobilização do PL e da força do bolsonarismo em São Paulo.
No campo adversário, a manifestação deve ser usada como alerta sobre o engajamento da direita e pode estimular uma resposta de aliados de Lula, seja em novas mobilizações de rua, seja na estratégia do debate desta noite. A campanha petista tenta conter a narrativa de virada embalada pelos atos de rua do rival.
Ao mirar o STF e Alexandre de Moraes, o entorno de Flávio indica que, se eleito, pretende pressionar por mudanças no Judiciário e na relação entre poderes. A promessa de receber a faixa das mãos do pai preso busca unificar a base mais fiel em torno da ideia de reparar o que a campanha apresenta como injustiça contra Jair Bolsonaro.
Nas próximas horas, a aposta do comando da campanha é que as imagens da avenida lotada circulem com força nas redes sociais e sirvam de combustível para a militância acompanhar o debate, considerado decisivo para consolidar indecisos e manter mobilizada a base que encheu a Paulista neste domingo.
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