Dorian Lacerda lança Inteligência Conectada para líderes em 2026
Pioneiro da internet comercial, Dorian Lacerda apresentou no Futurecom 2026 o pré-lançamento de 'Inteligência Conectada', livro que discute como líderes devem assumir responsabilidade nas decisões apoiadas por IA.

Inteligência Artificial
Dorian Lacerda revela insights sobre liderança e responsabilidade em decisões baseadas em IA no Futurecom 2026.
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Pioneiro da internet comercial no Brasil, o empresário Dorian Lacerda apresentou no dia 7 de outubro, no Futurecom 2026 em São Paulo, o pré-lançamento do livro “Inteligência Conectada”, em que defende que a inteligência artificial só gera valor estratégico quando integrada ao conhecimento humano e organizacional — e sempre sob responsabilidade explícita da liderança.
Livro leva discussão sobre IA à mesa dos CEOs
A apresentação ocorreu no estande da Abranet, associação que o próprio Lacerda ajudou a fundar nos anos 1990, e reuniu empresários e executivos interessados em entender como incorporar IA às decisões sem terceirizar às máquinas o que continua sendo atribuição humana. “A IA pode calcular probabilidades e ampliar possibilidades. O ser humano continua responsável por decidir quais delas devem se tornar realidade”, afirma o autor.
No livro, Lacerda sustenta que a questão central já não é apenas onde usar inteligência artificial, mas até que ponto permitir que sistemas automatizados influenciem decisões críticas, como supervisionar seus resultados e quem responde quando algo dá errado. O tema ganha força em um cenário em que 39,8% das empresas brasileiras dizem ver no CEO o principal influenciador das decisões ligadas à IA, acima da média global de 23,1%, o que concentra a governança tecnológica na alta direção.
O avanço da tecnologia também aparece na indústria. A proporção de empresas industriais brasileiras com 100 ou mais funcionários que utilizam IA saltou de 16,9% em 2022 para 41,9% em 2024, de acordo com dados oficiais de inovação. Ao mesmo tempo, o Fórum Econômico Mundial projeta que 39% das competências essenciais no trabalho devem mudar até 2030, pressionando empresas a requalificar equipes.
Entenda o conceito de Inteligência Conectada
Para Lacerda, a simples adoção de ferramentas não basta. “Incorporar uma ferramenta de IA não torna, por si só, uma organização inteligente”, escreve. A tese de “Inteligência Conectada” é que o ganho estratégico surge quando diferentes formas de inteligência — humana, organizacional e artificial — passam a atuar como partes de um mesmo sistema de decisão.
Nessa visão, informação, memória organizacional, experiência das pessoas, dados e algoritmos precisam estar ligados a critérios claros de decisão e a mecanismos de execução e aprendizado contínuo. “A nova fronteira não está em tornar cada inteligência mais poderosa isoladamente. Está em fazer com que elas consigam perceber, decidir, agir e aprender como partes de um mesmo sistema”, diz o autor.
O conceito mira especialmente conselhos de administração e lideranças executivas, que passam a lidar com escolhas sobre o que automatizar, que limites impor aos sistemas e como garantir que a organização aprenda com as decisões — bem-sucedidas ou não — apoiadas por IA.
Da internet comercial à governança da IA
A trajetória de Dorian Lacerda funciona como fio condutor do debate. Em meados da década de 1990, ele criou a DGLNet, um dos primeiros provedores comerciais de acesso à internet no país, e participou da fundação da Abranet, em um mercado ainda sem regras claras. Hoje, está à frente da Inspand, grupo de educação corporativa com 31 anos de atuação, e da NEXTCIA, empresa dedicada a aplicar o conceito de Inteligência Conectada em decisões de executivos, conselhos e organizações.
Ao longo dessas três décadas, o empresário transitou por negócios de conectividade, comunicação, educação corporativa e, mais recentemente, inteligência artificial aplicada à liderança e à aprendizagem. A leitura que ele faz é de continuidade: novas ondas tecnológicas mudam ferramentas e possibilidades, mas não substituem liderança, julgamento e responsabilidade.
No ambiente corporativo, isso significa, segundo ele, ir além de patrocinar projetos de IA. Exige definir objetivos, estabelecer critérios de governança, preparar profissionais para usar as novas ferramentas e decidir quanta autonomia será concedida aos sistemas, sem abrir mão do controle humano sobre decisões sensíveis.
Debate no Futurecom aponta próximos passos
A recepção ao pré-lançamento no Futurecom 2026 indica que o tema ganhou espaço na agenda de quem decide. A concentração das decisões de IA nas mãos dos CEOs tende a estimular a revisão de estruturas de governança, com conselhos mais envolvidos em tecnologia e políticas internas mais claras para o uso ético de algoritmos.
Na prática, os desdobramentos esperados incluem investimentos em educação corporativa, revisão de competências e criação de sistemas que unam IA, conhecimento humano e memória organizacional. Sem essa integração, alerta Lacerda, empresas correm o risco de acumular ferramentas sofisticadas sem converter isso em vantagem competitiva nem em decisões melhores.
O livro também trata da necessidade de mecanismos para preservar conhecimento e aprender com as próprias decisões à medida que a IA ganha espaço. Para o autor, a questão já não é apenas conectar máquinas e pessoas, mas decidir como diferentes formas de inteligência vão trabalhar juntas sem que as organizações abram mão do que não pode ser automatizado: responsabilidade, contexto e capacidade de escolha.
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