Quem é Rubel, cantor alvo de ataque político de Nikolas Ferreira
Cantor da nova MPB, autor de hits como “Quando Bate Aquela Saudade” e “Partilhar”, é acusado por Nikolas Ferreira de acionar a Sony para tirar áudio de vídeo com nordestinos criticando Lula.

Política
Artista da nova MPB enfrenta polêmica após críticas envolvendo conteúdo contra Lula e ação da Sony.
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O cantor e compositor Rubel Brisolla Rodrigues, o Rubel, virou alvo de ataques do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) nesta terça-feira (20), após o parlamentar acusá-lo de acionar a gravadora Sony para retirar a trilha sonora de um vídeo com nordestinos criticando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas redes sociais. O artista, um dos nomes da nova MPB, não se manifestou até o momento.
Quem é Rubel e qual a polêmica envolvendo Nikolas Ferreira?
Rubel é um cantor e compositor brasileiro nascido em Volta Redonda, no interior do Rio de Janeiro, conhecido por misturar indie, folk, R&B, hip-hop e samba em seus trabalhos. Ele ganhou projeção nacional com a faixa “Quando Bate Aquela Saudade” e, desde então, acumulou parcerias com nomes como Emicida, ANAVITÓRIA, Marina Sena, Adriana Calcanhotto e o grupo Bala Desejo. Hoje, soma cerca de 395 mil seguidores no Instagram e mais de 3,5 milhões de ouvintes mensais no Spotify.
A polêmica com Nikolas Ferreira começa quando o deputado publica, no Instagram, um vídeo de campanha em apoio a Flávio Bolsonaro (PL), apresentado como “o mais importante” de sua trajetória política. Nas imagens, moradores do Nordeste aparecem criticando Lula e relatando frustrações com promessas que, segundo eles, não foram cumpridas. O vídeo usava como trilha um trecho de “Grão de Areia”, parceria de Rubel com Xande de Pilares e Mestrinho.
Depois da publicação, o áudio do vídeo cai na plataforma. Nikolas atribui o bloqueio ao cantor e afirma que Rubel teria pedido à Sony a retirada da música, o que, na avaliação do deputado, seria uma tentativa de “calar” os nordestinos que participam do material. O parlamentar diz não se tratar apenas de um embate pessoal, mas de uma suposta ação para impedir a circulação de críticas a Lula vindas da região.
“Senhoras e senhores, confirmado. Quem reportou a produtora para poder derrubar e silenciar os nordestinos foi o Rubel, esse daí mesmo que está fazendo o L. Não foi porque a produtora quis, não foi por nada disso, foi porque esse esquerdista… não é que quer me calar, quer calar o nordestino, porque afinal de contas, qual é o teu medo de deixar o nordestino falar?”, afirmou Nikolas nas redes sociais.
Sem resposta pública do artista até agora, o episódio se espalha pelas redes sociais, mobiliza apoiadores de Flávio Bolsonaro e reacende discussões sobre o uso político de obras artísticas, direitos autorais, limites da apropriação de músicas em campanhas e representatividade de grupos regionais em conteúdos eleitorais.
O que Nikolas Ferreira disse sobre o vídeo com música de Rubel que ficou sem áudio?
Nikolas Ferreira acusa diretamente Rubel de ser o responsável pela derrubada do som do vídeo e usa termos como “covarde” e “patife” para se referir ao artista. Em uma das publicações, o deputado afirma: “A Sony foi acionada pelo o Rubel pra derrubar o som. Ninguém mais pediu, só ele. O covarde achou que ninguém ia descobrir que foi ele que pediu na calada. No fim, um petista calou a voz dos nordestinos. Nada mais simbólico”.
Segundo o parlamentar, o que está em jogo não é apenas a utilização de uma música em conteúdo político, mas a suposta tentativa de impedir que críticas vindas do Nordeste circulem em defesa de sua pauta. “Já não basta teu presidente ter esquecido deles há vinte anos e agora quando alguém vai lá e dá voz a eles, agora você quer silenciá-lo? Que vergonha! Você é um patife, você é um patife sem vergonha, que não está fazendo isso comigo, está fazendo isso com os nordestinos. Que isso sobrecaia nas suas costas, seu sem vergonha, vergonhoso, vergonhoso”, atacou.
Em outro momento, Nikolas reforça o apelo para que o cantor mude de posição: “Se o Rubel tiver o mínimo de decência, ainda dá tempo de pedir pra produtora liberar o áudio. Nunca é tarde pra refazer uma covardia contra a voz de milhões de nordestinos”. Nas publicações, o deputado também associa o artista ao apoio a Lula, dizendo que “um petista calou a voz dos nordestinos”.
O vídeo em questão, descrito por Nikolas como peça central da campanha em apoio a Flávio Bolsonaro, mescla depoimentos de eleitores que se identificam como nordestinos com críticas a políticas e promessas ligadas ao governo Lula. Ao final, os participantes dizem “chega”, em um chamado para uma virada de votos na região, historicamente associada ao eleitorado petista.
Entenda o contexto
Artistas e gravadoras costumam ter controle sobre o uso de suas músicas em campanhas políticas e, muitas vezes, vetam a associação de suas obras a determinados candidatos ou discursos. Esse tipo de disputa vem se tornando mais comum em períodos eleitorais, sobretudo com a força de plataformas como Instagram, em que músicas podem ser adicionadas facilmente a vídeos e reels.
No caso de Rubel, a presença constante de suas composições em trilhas sonoras de séries e novelas ampliou o alcance de seu trabalho, o que reforça o interesse de campanhas em associar suas músicas a conteúdos políticos. Ao mesmo tempo, o histórico de engajamento do cantor em pautas progressistas faz com que seu nome circule em debates políticos nas redes, inclusive entre apoiadores de adversários do governo federal.
Quais são as principais músicas de Rubel?
Entre as músicas mais conhecidas de Rubel estão “Quando Bate Aquela Saudade”, que o projetou nacionalmente e entrou em trilha de série de TV, e “Partilhar”, que ganhou nova versão em parceria com ANAVITÓRIA e chegou à trilha de “Malhação: Vidas Brasileiras”. Ambas se tornaram presença constante em playlists de streaming e apresentações ao vivo.
O primeiro álbum do cantor, “Pearl”, lançado em 2013, nasceu de um período de intercâmbio em Austin, no Texas, quando ele voltou a compor após focar nos estudos de Cinema. Em 2018, o disco “Casas” ampliou sua sonoridade ao trazer colaborações com Rincon Sapiência e Emicida, misturando R&B, hip-hop e samba às bases indie-folk. O álbum rendeu indicação ao Grammy Latino e foi seguido por uma turnê que passou por mais de 60 cidades no Brasil e no exterior.
Em 2023, Rubel lançou “As Palavras, Vol. 1 e 2”, novamente indicado ao Grammy Latino, desta vez na categoria de pop contemporâneo em língua portuguesa. Depois, apresentou o quarto álbum de estúdio, “Beleza. Mas agora a gente faz o que com isso?”, consolidando sua posição como um dos principais nomes de sua geração na nova MPB. A faixa “Grão de Areia”, no centro da polêmica com Nikolas Ferreira, integra esse conjunto de parcerias de destaque, ao lado de Xande de Pilares e Mestrinho.
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