Marçal reúne 300 influenciadores e manda evitar ataques a Lula
Em reunião fechada em São Paulo, Pablo Marçal orienta influenciadores pró-Flávio Bolsonaro a não criticar Lula nem o STF, focar em medo, esperança e prazer e preparar ataques coordenados e superlive com artistas.

Política
Pablo Marçal orienta influenciadores a evitar críticas diretas e focar em estratégias emocionais para fortalecer a campanha.
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Pablo Marçal reuniu cerca de 300 influenciadores pró-Flávio Bolsonaro nesta terça-feira (20), no Plataforma Arena, em São Paulo, e determinou uma guinada na comunicação digital da campanha: nada de ataques diretos ao presidente Lula (PT) nem ao Supremo Tribunal Federal (STF) na reta final antes do segundo turno.
Reunião define uso de medo e promessa de “ataques coordenados”
Responsável pela preparação de Flávio Bolsonaro (PL) para debates e pela estratégia de comunicação da campanha, Marçal comandou o encontro ao lado do senador e candidato à Presidência. Diante de influenciadores e políticos aliados, ele defendeu o uso de gatilhos emocionais — especialmente o medo — para conquistar eleitores indecisos.
“Nós vamos vender algo, vender uma ideia, em alguns, vender uma esperança, em outros, vender a prosperidade que gera prazer, mas tem que vender o medo. Como assim vender o medo? Hoje o PT está usando a tática do medo”, afirmou o empresário e ex-coach.
Marçal disse que a disputa está centrada no “voto emocional” e reconheceu a vantagem da campanha petista nesse terreno. “O PT é melhor que a gente, vende uma ideia pela esperança ou pelo prazer, se não der conta por esses dois, vende pela dor”, declarou.
Ao detalhar o plano para a reta final, o estrategista avisou que a campanha de Flávio prepara uma ofensiva concentrada nos últimos quatro dias antes da votação. “Nós vamos fazer, então, nesses quatro dias, nós vamos fazer ataques coordenados”, disse, ao pedir produção intensa de conteúdo voltado a indecisos.
Entenda o contexto
A poucos dias do segundo turno da eleição presidencial, a campanha de Flávio Bolsonaro tenta reduzir rejeição e avançar sobre eleitores que ainda não definiram o voto. O comando da estratégia avalia que embates diretos com Lula e com o STF alimentam a polarização e podem reforçar o adversário, em vez de atrair quem está em dúvida.
Nesse cenário, o encontro em São Paulo buscou alinhar o discurso de influenciadores e políticos aliados, que hoje são peça central na disputa nas redes sociais. A campanha tenta combinar mobilização digital em grande escala com ações presenciais e participação de celebridades para ampliar alcance.
Marçal manda “ignorar” Lula e STF nas redes
Na reunião, Marçal foi explícito ao determinar que os influenciadores abandonavam ataques diretos a Lula e ao Supremo. “Falar mal do STF é antiestratégico neste momento da campanha presidencial”, afirmou.
Sobre o presidente, foi taxativo: “Nós não vamos tocar negativamente no nome do Lula. E eles vão ficar tipo: o que aconteceu?”. Ele reforçou que a orientação vale para toda a reta final: “Eu não vou mais tocar no nome dele em quatro dias. Nós não tocaremos no nome dele de forma negativa, porque isso vai dar um negócio”.
O estrategista pediu que os presentes deixem de reagir às críticas da campanha petista e passem a “pautar” as redes com conteúdos próprios. “Não pode ficar na defesa, na pauta da esquerda. Nós vamos só plantar daqui para frente, vocês estão entendendo? […] Você não precisa tentar defender nada. A cada segundo vai aparecer a resposta”, disse.
Segundo ele, o foco são os indecisos descontentes com falas de Flávio Bolsonaro, não o eleitorado consolidado de Lula. “Não tem como convencer um petista roxo, mas um indeciso que está chateado com alguma fala do Bolsonaro vai tentar ouvir”, argumentou.
Superlive com artistas e mobilização digital
Como parte da estratégia, Marçal anunciou uma “superlive” marcada para quinta-feira (22), prevista para reunir influenciadores e artistas alinhados a Flávio. “Depois de amanhã vai ter a superlive. Todos vocês, os influenciadores, estão convidados para participar”, afirmou.
Ele também prometeu uma “onda” de apoio de celebridades. Segundo o empresário, nomes como o jogador Neymar e o cantor Gusttavo Lima devem gravar conteúdos em defesa da candidatura do senador. “Neymar vai gravar, Gusttavo Lima vai gravar, vai todo mundo”, disse, ao reforçar que esses materiais serão usados de forma coordenada na reta final.
Durante o encontro, Flávio Bolsonaro gravou vídeos ao lado de vários influenciadores para divulgação nos próximos dias, seguindo a diretriz de concentrar a publicação mais perto da votação.
Alerta jurídico e veto a vídeo falso
Marçal também tratou de conter riscos de novas decisões da Justiça Eleitoral contra a campanha. Ele orientou os influenciadores a não compartilharem um vídeo em que uma mulher aparece usando droga em via pública, imagens que circularam recentemente associadas, de forma falsa, a um ato pró-Lula na Avenida Paulista.
O caso ocorreu em outro país, e o Tribunal Superior Eleitoral determinou a remoção das publicações e fixou multa em caso de descumprimento. Ao citar a decisão, Marçal pediu cautela com conteúdos sensíveis e ressaltou que réplicas do vídeo podem gerar novas punições.
Quem participou do encontro em São Paulo
O evento no Plataforma Arena reuniu influenciadores de grande alcance nas redes e políticos aliados de Flávio. Entre os presentes estavam o empresário Renato Cariani, o ator e ex-BBB Arthur Aguiar e a jornalista Mônica Salgado.
Na ala política, participaram o senador eleito Guilherme Derrite (PL), a deputada estadual eleita Eduarda Campopiano (PL) e os deputados Lucas Bove (PL) e Ana Carolina Oliveira (Podemos), além de outros quadros de direita que atuam na mobilização digital.
Ao longo da fala, Marçal se referiu à disputa eleitoral como uma “guerra” de narrativas e reforçou que a coordenação entre influenciadores, artistas e políticos será decisiva para o desempenho de Flávio Bolsonaro nos últimos dias de campanha.
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