Ibovespa avança 1,57% com dólar a R$5,02 na reta final eleitoral
Ibovespa avança 1,57%, aos 208.295 pontos, e dólar cai a R$ 5,0183 em dia de entrada de capital estrangeiro e ajuste de posições com empate técnico entre Flávio Bolsonaro e Lula.

Mercado Financeiro
Mercado reage com alta do Ibovespa e queda do dólar diante do cenário eleitoral equilibrado e fluxo de capital estrangeiro.
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O Ibovespa fechou nesta terça-feira (20) em alta de 1,57%, aos 208.295,98 pontos, e o dólar à vista recuou 0,58%, a R$ 5,0183, em um pregão marcado por entrada de capital estrangeiro e forte ajuste de posições a cinco dias do segundo turno entre Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O movimento favoreceu ações ligadas ao consumo e a bancos, enquanto empresas expostas a commodities perderam fôlego.
Por que o Ibovespa subiu 1,5% com o otimismo eleitoral?
A alta de 1,57% do Ibovespa foi puxada principalmente pela leitura de que, seja qual for o vencedor, haverá algum compromisso com o controle das contas públicas, em um cenário de corrida presidencial aberta e acompanhado de perto pelo mercado.
A primeira pesquisa Real Time Big Data para o segundo turno mostrou Flávio Bolsonaro com 48% das intenções de voto e Lula com 45%, em situação de empate técnico, considerando a margem de erro de 2 pontos percentuais. A combinação de disputa apertada com expectativa de responsabilidade fiscal estimulou o chamado “trade eleitoral” na B3.
“O grande direcionador das expectativas continua sendo a corrida presidencial, com agentes econômicos reagindo de forma bastante atenta às recentes pesquisas de intenção de voto e às perspectivas sobre o controle das contas públicas”, afirmou Rebecca Nossig, estrategista de ações da Nomad.
Gabriel Mollo, analista da Daycoval Corretora, avalia que os próximos levantamentos de intenção de voto tendem a manter a volatilidade elevada. “As próximas pesquisas deverão funcionar como catalisadores para câmbio, bolsa e curva de juros, enquanto a percepção sobre o compromisso fiscal do próximo governo será determinante para a direção dos ativos após a eleição”, disse.
Como a queda do dólar para R$ 5,01 impacta o mercado financeiro brasileiro?
A cotação de R$ 5,0183 para o dólar, com baixa de 0,58% no dia, reforçou o apetite por ativos de risco e ajudou a derrubar os juros futuros, o que beneficia diretamente empresas dependentes do crédito e do consumo doméstico.
Com o real mais forte e a curva de juros sob alívio, investidores migraram para ações cíclicas, como bancos e varejistas. “Com dólar e juros mais baixos, os investidores dão preferência a bancos e a empresas ligadas ao consumo, como as varejistas”, explicou Vitor Kayo, economista sênior da Nomad.
Na prática, um dólar mais barato tende a reduzir custos de importados, aliviar parte da pressão inflacionária e melhorar a confiança do consumidor, cenário que costuma favorecer papéis ligados ao mercado interno. Por outro lado, a valorização do real e a queda das commodities pressionam exportadoras, como mineradoras e empresas de papel e celulose.
Setores de consumo disparam; commodities ficam para trás
Entre as ações mais sensíveis ao ciclo econômico, Magazine Luiza (MGLU3) liderou as altas do dia, com disparada de 14,79%, fechando a R$ 13,58. O papel reagiu tanto ao alívio de juros e câmbio quanto à melhora do humor com o quadro eleitoral.
Outra destaque foi Vamos (VAMO3), que subiu 8,32%, a R$ 6,64, apoiada por um movimento de aposta ligada às eleições e por uma visão mais otimista de uma grande casa de análise sobre a evolução dos resultados da companhia em um cenário de juros mais benigno.
Na carteira das chamadas blue chips, Petrobras (PETR3 e PETR4), que responde por cerca de 13,5% do índice, conseguiu avançar mesmo com o recuo do petróleo no exterior. As ações preferenciais PETR4 subiram 0,36%, enquanto as ordinárias PETR3 ganharam 0,48%, fechando a R$ 64,85, amparadas pelo fluxo de capital estrangeiro para a bolsa brasileira.
Na outra ponta, apenas cinco papéis encerraram no vermelho: Embraer (EMBJ3), Vale (VALE3), Suzano (SUZB3), Bradespar (BRAP4) e Minerva (BEEF3). A Vale chamou atenção ao fechar na mínima do ano, a R$ 65,44, queda de 1,39%, pressionada pela combinação de real mais forte e recuo do minério de ferro no mercado internacional.
Entenda o contexto
A poucos dias do segundo turno, o mercado financeiro brasileiro segue extremamente sensível a cada nova pesquisa eleitoral e às sinalizações de política econômica dos dois candidatos. A entrada de capital estrangeiro indica uma aposta na continuidade da estabilidade macroeconômica e na manutenção de um arcabouço fiscal crível, mas também aumenta a dependência do noticiário político.
Estrategistas avaliam que, até a votação, bolsas, câmbio e juros devem seguir reagindo a qualquer mudança na vantagem entre Flávio Bolsonaro e Lula e a eventuais compromissos públicos com ajuste das contas públicas. Um discurso mais firme com responsabilidade fiscal tende a sustentar a alta de ações cíclicas e o real mais forte; sinais em sentido contrário podem reacender a aversão ao risco, pressionar o dólar e devolver parte dos ganhos recentes do Ibovespa.
Enquanto isso, no exterior, os índices de ações em Nova York terminaram sem direção única, com investidores à espera de balanços corporativos e atentos à queda do petróleo, que ofuscou o bom desempenho de empresas ligadas à inteligência artificial. O pano de fundo global relativamente neutro deixou ainda mais evidente o peso da disputa presidencial brasileira sobre o humor dos negócios na B3.
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