Qantas lança nova Business Suite com 42 assentos no Boeing 787-9
Qantas lança novas Business Suites com cama e portas deslizantes em 787-9 e A321XLR a partir de 2028, enquanto Qatar Airways estreia Jolco no Japão para financiar sete aeronaves 787-9.

Aviação
Qantas apresenta novas suítes de classe executiva com camas e portas deslizantes em seus Boeing 787-9 e A321XLR a partir de 2028.
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A Qantas anunciou uma nova Business Suite para a Classe Executiva dos seus Boeing 787-9 e dos 16 Airbus A321XLR que começam a chegar a partir de 2028, enquanto a Qatar Airways concluiu no Japão sua primeira operação de financiamento Jolco para três Boeing 787-9, movimento que reforça a corrida das grandes companhias por conforto a bordo e inovação financeira.
Como é a Business Suite com camas reclináveis da Qantas no Boeing 787-9?
A nova Business Suite da Qantas nos Boeing 787-9 terá 42 suítes por aeronave, todas com camas totalmente reclináveis de 80 polegadas (2,03 metros) e portas deslizantes para garantir mais privacidade em voos longos. O pacote inclui tela de entretenimento de 19 polegadas, Wi-Fi rápido e gratuito, além de carregamento sem fio e tomadas USB-C para manter celulares e laptops sempre energizados durante a viagem.
No 787-9, a companhia promete mais espaço para os pés e áreas de armazenamento redesenhadas, depois de realizar testes ergonômicos e ouvir feedback de clientes frequentes. O visual da cabine é inspirado na paisagem australiana, com cores vibrantes que remetem à terra vermelha da região de Pilbara, no oeste do país.
Nos A321XLR, que têm alcance de até 8.700 quilômetros, a Business Suite será disposta em configuração 1-1, em layout de “espinha de peixe” angulada. Isso garante acesso direto ao corredor para todos os passageiros da Classe Executiva e cria um espaço mais adequado para trabalhar, fazer refeições ou dormir em rotas domésticas de longa distância e internacionais de curta e média duração.
Segundo a Qantas, a ideia é que a experiência de Classe Executiva seja consistente entre os jatos de corpo largo, como o Boeing 787-9, e os de corredor único, como o A321XLR, algo que ganha relevância à medida que a empresa passa a usar aviões de médio porte em rotas cada vez mais longas.
Qantas aposta em conforto premium para elevar margem operacional
Ao divulgar a novidade, a CEO do Grupo Qantas, Vanessa Hudson, ligou diretamente o investimento em cabine premium à estratégia de rentabilidade e diferenciação da empresa. “Investir em novas aeronaves é uma das maneiras mais significativas de aprimorarmos a experiência de voo. A Qantas apresentou a Classe Executiva ao mundo em 1979 e, desde então, continuamos a redefinir o seu significado”, afirmou.
Ela destacou que as novas suítes são pensadas justamente para rotas domésticas de longa distância e voos internacionais curtos e médios, onde o passageiro corporativo e o público de alta renda tendem a pagar tarifas mais altas em troca de privacidade e conforto. “Essas novas suítes em nossa frota de aeronaves de corredor único de última geração são mais um passo nessa jornada, transformando a experiência de cabine premium e o nível de conforto para nossos clientes”, disse Hudson.
O projeto de renovação de frota da Qantas inclui ainda a chegada de novos Airbus A350 de longo alcance, dentro do chamado Projeto Sunrise, e a aposentadoria antecipada dos superjumbos A380 a partir de 2028. A empresa negocia com Airbus e Boeing a conversão de cerca de 20 opções de compra em encomendas firmes por volta de 2030, mirando aviões com maior alcance e capacidade, capazes de abrir novas rotas internacionais.
Internamente, a expectativa é que essa transformação da frota ajude a elevar a margem operacional da divisão internacional da Qantas de 10% para 12% a partir do ano fiscal de 2032, ao mesmo tempo em que reduz complexidade operacional e custos de manutenção ao concentrar a malha em modelos mais eficientes.
Hudson reconhece, porém, que o ambiente de custos continua pressionado por combustíveis caros, salários e infraestrutura. “A transformação continua sendo uma prioridade, ajudando a compensar o aumento dos custos para que possamos continuar investindo em nosso negócio para o futuro. Com a previsão de que as pressões de custos persistirão, a transformação nos ajudará a gerenciar esses aumentos e a continuar atendendo nossos clientes e colaboradores, inclusive por meio do uso crescente de tecnologia e IA”, afirmou.
Entenda o contexto
A aposta da Qantas em uma Business Suite mais sofisticada em aviões como o 787-9 a aproxima do padrão oferecido por rivais globais que já operam o Boeing 787-9 com foco em conforto, como Latam, Lufthansa, Air Europa, TAAG e outras companhias presentes no mercado brasileiro. Em rotas de e para o Brasil, por exemplo, o debate sobre a configuração de assentos do Boeing 787-9 tem ganhado espaço, com passageiros comparando densidade de poltronas, reclinação e largura entre empresas como Latam, Lufthansa e Air Europa.
Ao colocar camas de 2,03 metros, portas deslizantes e conectividade avançada como padrão de sua Classe Executiva no 787-9, a Qantas sobe o nível da disputa no segmento premium em um momento em que o Boeing 787-9 se consolida como um dos aviões de longa distância mais usados em redes intercontinentais.
Quais companhias aéreas operam o Boeing 787-9 no Brasil?
No mercado brasileiro, o Boeing 787-9 é operado por algumas das principais companhias internacionais que conectam o país à Europa, América do Norte e África, entre elas empresas como Latam, Air Europa, TAAG e Lufthansa. A presença do modelo em Guarulhos, Galeão e outros grandes aeroportos tornou-se recorrente em rotas de longo curso nos últimos anos.
Essas empresas exploram diferentes configurações de assentos no Boeing 787-9, variando a oferta de poltronas em Classe Econômica, Premium Economy e Executiva de acordo com o perfil de cada rota. A Latam, por exemplo, utiliza o 787-9 em ligações para destinos europeus e americanos; a Air Europa opera o modelo em voos entre o Brasil e a Espanha; a TAAG conecta o país a Luanda; e a Lufthansa integra o 787-9 gradualmente à sua malha internacional, o que inclui ligações com o mercado brasileiro.
A disputa entre essas companhias passa justamente pela experiência de cabine do 787-9: densidade de assentos, largura, reclinação e desenho da Classe Executiva, fatores que influenciam diretamente a percepção de valor do passageiro e a capacidade das empresas de cobrar tarifas mais altas em rotas de alta demanda corporativa.
Qatar Airways estreia no mercado japonês de Jolco
Enquanto a Qantas foca no produto de bordo, a Qatar Airways avança em uma frente menos visível para o passageiro, mas crucial para a sustentabilidade financeira: o financiamento da frota. A companhia concluiu em 14 de outubro sua primeira operação de Japanese Operating Lease with Call Option (Jolco), estrutura de leasing montada no Japão, envolvendo três Boeing 787-9.
A transação faz parte de um programa mais amplo que prevê três operações para financiar sete aeronaves no total. Nessa primeira etapa, o HSBC atuou como estruturador da dívida e único financiador, enquanto a JP Lease Products & Services Co. Ltd. (JLPS) coordenou e subscreveu a parcela de capital, reunindo investidores japoneses interessados na exposição ao setor aéreo.
O modelo Jolco combina um arrendamento operacional – em que a aeronave permanece formalmente em nome de um lessor ligado aos investidores – com uma opção de compra ao final do contrato, permitindo que a Qatar Airways decida, no fim do período, se adquire os jatos ou renova a estrutura. Na prática, é uma forma de captar recursos de longo prazo, com vantagens fiscais para investidores japoneses, e reduzir o peso de dívidas tradicionais no balanço da companhia.
A entrada da Qatar Airways no mercado japonês de Jolco amplia a base geográfica de financiadores e abre espaço para que novos investidores asiáticos participem do financiamento de sua frota, hoje fortemente apoiada em modelos de leasing e crédito estruturado em centros financeiros como Londres e o Golfo. A empresa sinalizou que pretende usar o Jolco como fonte recorrente de capital para renovação de frota e expansão de rotas nos próximos anos.
A combinação de renovação tecnológica – com cabines como a nova Business Suite da Qantas nos Boeing 787-9 – e de inovação financeira – como o Jolco da Qatar Airways – reforça uma tendência no setor aéreo global: companhias buscam, ao mesmo tempo, elevar a receita com produtos premium e reduzir o custo de capital para financiar aviões caros como o 787-9. O resultado esperado é maior eficiência e serviços mais sofisticados para o passageiro, em um mercado cada vez mais competitivo.
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