Mercados
S&P 5007.691▲ 0,41%Nasdaq26.431▲ 1,11%Dow Jones51.966– 0,00%Ibovespa205.079▼ 0,17%FTSE 10010.678▼ 0,80%DAX25.095▼ 0,89%Nikkei64.075▼ 1,30%DólarR$ 5,04▼ 0,05%EuroR$ 5,65▼ 0,06%BitcoinR$ 410.016▼ 0,57%Powered by WIREDESK OSS&P 5007.691▲ 0,41%Nasdaq26.431▲ 1,11%Dow Jones51.966– 0,00%Ibovespa205.079▼ 0,17%FTSE 10010.678▼ 0,80%DAX25.095▼ 0,89%Nikkei64.075▼ 1,30%DólarR$ 5,04▼ 0,05%EuroR$ 5,65▼ 0,06%BitcoinR$ 410.016▼ 0,57%Powered by WIREDESK OS
Powered by WIREDESK OS
Economia

Raízen combustíveis acelera reestruturação de R$ 65 bi até 30/10

Raízen acelera recuperação extrajudicial de cerca de R$ 65 bilhões, com assembleia em 30 de outubro para votar capitalização, conversão de dívida em ações, divisão de negócios e troca do conselho.

Raízen combustíveis acelera reestruturação de R$ 65 bi até 30/10

Economia

Assembleia marcada para outubro definirá passos decisivos na recuperação financeira da Raízen combustíveis.

Leia também: Boeing 787-9 da Air Europa desvia rota e pousa em Salvador

A Raízen acelera a recuperação extrajudicial de cerca de R$ 65 bilhões em dívidas não operacionais e entra na fase decisiva do plano de reestruturação, com assembleia geral extraordinária marcada para 30 de outubro para votar capitalização, conversão de dívida em ações, divisão dos negócios de combustíveis e energia e troca do conselho de administração.

Qual é a situação atual da recuperação financeira da Raízen?

A Raízen está em recuperação extrajudicial desde março, tentando reorganizar aproximadamente R$ 65 bilhões em dívidas não ligadas à operação do dia a dia, em meio a uma situação de crédito considerada bastante fragilizada pelas principais agências de rating.

O plano em andamento prevê capitalização da companhia, conversão de parte relevante dos créditos em ações, segregação dos negócios de distribuição de combustíveis (Raízen Combustíveis) e de produção de energia e açúcar (Raízen Energia) e uma profunda reformulação da governança, com substituição do atual conselho de administração.

Analistas do BB Investimentos avaliam que os passos mais recentes reduzem incertezas sobre a execução da reestruturação. “Para os bondholders, o avanço é construtivo, já que viabiliza a conversão de créditos, a nova governança e a separação dos negócios”, escreveram. Ao mesmo tempo, eles alertam que “o valor final de recuperação segue dependente da capitalização, da alocação de dívida entre os grupos e do desempenho dos ativos após a segregação”.

Os credores que aceitarem converter créditos em ações devem se tornar acionistas relevantes, ganhando voz em uma empresa menos alavancada. Já os acionistas atuais enfrentam forte risco de diluição e perda de influência, uma vez que a conversão elevará o capital social sem novo aporte proporcional desses investidores.

No mercado, as ações RAIZ4 reagiram com volatilidade: em pregão recente, subiram 5,41%, a R$ 0,39, mas ainda acumulam queda de 51,25% no ano, reflexo da desconfiança com a saúde financeira do grupo.

O que significa a aprovação da CVM para a conversão de registro da subsidiária da Raízen?

A aprovação da CVM para que a Raízen Energia passe da categoria B para a categoria A de emissor de valores mobiliários abre a porta para ofertas públicas de ações e outros papéis da subsidiária, passo considerado central para viabilizar a capitalização prevista no plano.

Na prática, companhias com registro na categoria A podem acessar de forma mais ampla o mercado de capitais, emitindo ações e outros valores mobiliários para investidores em geral. Já as empresas na categoria B têm restrições e alcançam um público menor. Com a mudança, a Raízen Energia ganha flexibilidade para levantar recursos diretamente com o mercado e servir de veículo para a reorganização societária.

A conversão do registro se insere na estratégia de separar com mais clareza os negócios de combustíveis e de energia. O plano prevê uma redução de capital de até R$ 35 bilhões na holding Raízen, por meio da entrega aos acionistas de valores mobiliários da Raízen Energia. Essa operação é essencial para a segregação dos ativos e para que investidores possam avaliar cada braço do grupo de forma independente.

Entenda o contexto

A deterioração financeira da Raízen foi agravada por um ambiente de juros elevados no país, que encareceu o serviço da dívida, e por ciclos de colheita com produtividade abaixo do esperado, afetando a geração de caixa do negócio de energia e açúcar.

Com a pressão sobre o caixa e a dificuldade de rolar compromissos em condições sustentáveis, a empresa optou pela recuperação extrajudicial, instrumento em que o devedor negocia com os credores um plano de reestruturação fora do Judiciário, levando o acordo ao juiz apenas para homologação. A alternativa é vista como menos longa e litigiosa do que uma recuperação judicial tradicional, em geral associada a perdas maiores para os investidores.

Mesmo com o avanço do plano, as agências de classificação de risco mantêm uma leitura dura sobre a companhia. A Fitch atribui rating C (bra), a Moody’s Local classifica a empresa em CC.br, e a S&P Global mantém nota SD (default seletivo), que indica que a companhia deixou de cumprir ou renegociou parte de suas obrigações financeiras.

No diagnóstico do BB Investimentos, “trata-se da materialização de um cenário adverso, mas cujos avanços parecem ser menos negativos do que os de uma recuperação judicial”. Os analistas reforçam que, embora a reestruturação crie condições para um reequilíbrio financeiro, a qualidade de crédito ainda é considerada extremamente deteriorada.

Como a reestruturação financeira da Raízen pode impactar seus acionistas e investidores?

Para os atuais acionistas, o plano reforça o risco de diluição relevante. A conversão de dívidas em ações e a possível entrada de novos recursos de investidores tendem a aumentar de forma expressiva o número de papéis em circulação, reduzindo a fatia proporcional de quem já está na base societária.

Além disso, a reformulação da governança, com a substituição do conselho de administração, muda o equilíbrio de forças no comando da empresa. O objetivo declarado é alinhar a gestão às exigências do plano e proteger especialmente os novos acionistas credores, que trocarão créditos por participação no capital.

Para os detentores de títulos de dívida, a avaliação é ambivalente. De um lado, a conversão em ações e a divisão dos negócios elevam a chance de recuperação, caso os ativos tenham bom desempenho após a segregação. De outro, não há garantia sobre quanto será efetivamente recuperado. “O valor final de recuperação segue dependente da capitalização, da alocação de dívida entre os grupos e do desempenho dos ativos após a segregação”, reforçam os analistas do BB.

O desfecho da assembleia de 30 de outubro é tratado no mercado como ponto de inflexão. Se o plano for aprovado, a Raízen ganha fôlego para evitar um processo de recuperação judicial mais longo e litigioso. Se for rejeitado, a empresa pode enfrentar um cenário ainda mais adverso, com impactos para credores, acionistas e para a dinâmica dos mercados de combustíveis e de energia em que atua.

Fontes: matéria original 1 · matéria original 2 · matéria original 3