NVIDIA lança RTX Spark e DGX para IA local com 1 petaflop
Na GTC Berlin, NVIDIA apresenta RTX Spark, DGX Spark e DGX Station, aposta em IA totalmente local com foco em segurança, alto desempenho e integração ao ambiente corporativo.

Tecnologia
NVIDIA revela soluções inovadoras para IA local, priorizando segurança e desempenho em ambientes corporativos.
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A NVIDIA aproveita a GTC Berlin para lançar uma família completa de sistemas de inteligência artificial local, do notebook pessoal ao servidor de times corporativos, com os novos RTX Spark, DGX Spark e DGX Station. A estratégia mira quem quer rodar agentes de IA avançados dentro do próprio equipamento, com mais segurança de dados, alto desempenho e menos dependência da nuvem.
RTX Spark leva agentes de IA ao PC com Windows
O RTX Spark, já disponível desde 16 de outubro, é o pilar voltado a usuários individuais e criadores de conteúdo em PCs com Windows. O sistema oferece até 128GB de memória unificada e 1 petaflop de capacidade de IA, o que permite desde agentes pessoais e edição de mídia pesada até jogos em 1440p a 100 quadros por segundo no mesmo equipamento.
As primeiras avaliações internacionais foram bastante favoráveis. Publicações especializadas descrevem o RTX Spark como “a dream machine for serious creators … ”, “designed for the future of AI … ” e “an extremely capable, surprisingly portable and efficient machine … ”. O tom comum é de que se trata de uma plataforma pensada para quem quer explorar ao máximo a IA local.
Um dos destaques de software é o Underdog, aplicativo de agente de IA que roda modelos inteiramente no dispositivo. Com isso, tarefas de assistente pessoal e automação acontecem sem que dados do usuário deixem o PC, reforçando a promessa de privacidade total. O app já pode ser baixado para máquinas RTX Spark.
Para desenvolvedores e entusiastas, muitos laptops RTX Spark chegam com bootloader desbloqueado, o que facilita instalar sistemas e ferramentas personalizados para criar e ajustar agentes locais. No keynote da conferência, o fundador e CEO da NVIDIA, Jensen Huang, demonstrou agentes de IA rodando no RTX Spark treinando o robô Microduck, da Hugging Face, com apoio das ferramentas Isaac Lab, Hermes Agent e do modelo Nemotron 3.5 Bolt 74B.
Os primeiros modelos de RTX Spark chegam ao mercado por meio de fabricantes como ASUS, Dell Technologies, HP, Lenovo, Microsoft e MSI, com Acer prometida para uma próxima leva. A distribuição é global, seguindo a rede tradicional de parceiros da NVIDIA.
DGX Spark mira desenvolvedores Linux e clusters locais
Voltado a desenvolvedores e pequenas equipes técnicas em Linux, o DGX Spark começa a ser distribuído em configurações de 64GB de memória unificada, com entregas iniciadas a partir de 23 de outubro. Esses sistemas rodam modelos avançados como Nemotron 3.5 Bolt 74B 24GB, Qwen 3.8 27B e Gemma 4 26B-A4B diretamente na máquina.
Quando a demanda cresce, é possível conectar até oito unidades DGX Spark em cluster, usando rede NVIDIA ConnectX-7 e o Sync Cluster Assistant. Nessa configuração, o conjunto entrega 1TB de memória unificada, suficiente para suportar modelos de grande escala, como GLM 5.3, com contextos mais longos, vários agentes em paralelo e desenvolvimento distribuído para uma equipe inteira.
A NVIDIA também atualizou o software do DGX Spark neste mês com o Wi-Fi Assistant, que permite trocar de rede mesmo quando o equipamento opera em modo de “appliance”, e com o pacote DGX Spark Skills, que integra ao NVIDIA Sync orientações de fluxo de trabalho, manutenção e resolução de problemas via OpenCode.
O DGX Spark é oferecido por parceiros como Acer, ASUS, Dell Technologies, GIGABYTE, HP, Lenovo, MSI e pela própria NVIDIA, em esquemas que vão de unidades únicas a clusters para uso como backend compartilhado por pequenos times de desenvolvimento.
DGX Station leva IA local a equipes corporativas
Para departamentos inteiros e centros de P&D, o DGX Station completa a linha como solução de IA local em escala corporativa. A máquina oferece 748GB de memória coerente e até 20 petaflops de desempenho, o bastante para rodar modelos como GLM 5.3 e atender mais de 30 usuários simultâneos em velocidades comparáveis às de serviços de nuvem.
A integração com o ecossistema de TI corporativo é um dos focos. O DGX Station passa a se conectar a plataformas como Absolute Security, Splunk by Cisco, Microsoft Intune, além de ferramentas de gestão de configuração como Puppet, Chef e Tanium. Isso facilita a inclusão dos equipamentos nos fluxos tradicionais de segurança, conformidade e administração de endpoints, acelerando aprovações internas e reduzindo riscos de implantação.
A NVIDIA também leva para o DGX Station o suporte do NVIDIA Sync, que simplifica a conexão entre duas máquinas com Linux e permite orquestrar recursos como se fossem parte de uma mesma infraestrutura local de inferência.
Em paralelo, a empresa prepara uma versão do DGX Station com Windows, prevista para chegar aos clientes em dezembro por meio de parceiros como ASUS, Dell Technologies, GIGABYTE, HP, MSI e Supermicro. A proposta é permitir que desenvolvedores usem aplicações profissionais e agentes de IA no ambiente Windows já adotado pelas empresas, em uma única estação com GPUs NVIDIA RTX PRO rodando grandes modelos de linguagem em sistemas NVIDIA GB300.
Entenda o contexto
A nova geração de sistemas da NVIDIA chega em um momento em que empresas e criadores buscam mais controle sobre dados sensíveis e custos de operação em IA. Ao concentrar processamento em estações locais potentes, setores como tecnologia, saúde e finanças conseguem treinar e rodar modelos avançados sem enviar informações para terceiros, o que reduz preocupações de privacidade e dependência da nuvem.
O movimento também redistribui forças no mercado: provedores de serviços em nuvem tendem a enfrentar maior concorrência de soluções locais de alto desempenho, enquanto fabricantes de PCs e workstations parceiras da NVIDIA ganham novas oportunidades de venda com hardware otimizado para IA. Jensen Huang usou a GTC Berlin para reforçar essa visão de “fábricas de IA” que podem começar em uma única máquina, crescer para clusters locais e, só depois, escalar para data centers completos.
As primeiras demonstrações em Berlim incluem desde o treino de robôs com Isaac Lab e agentes Hermes até simulações de “fábricas de tokens” para dezenas de desenvolvedores rodando inteiramente em DGX Station. A expectativa do setor é que, com a expansão global via parceiros e a chegada da versão Windows do DGX Station em dezembro, a adoção de IA local acelere em empresas de diferentes portes, pressionando concorrentes de hardware e plataformas de IA a responder com ofertas similares.
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