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EA fecha BioWare, cancela novo Mass Effect e corta 400 vagas

EA encerra operações da BioWare, cancela o próximo jogo de Mass Effect e demite cerca de 400 funcionários. Mudança vem após privatização avaliada em US$ 55 bilhões.

EA fecha BioWare, cancela novo Mass Effect e corta 400 vagas

Tech Desk

Empresa encerra estúdio e suspende projeto após reestruturação bilionária no mercado de games.

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A Electronic Arts confirmou o fechamento do estúdio BioWare, encerrou o desenvolvimento do próximo jogo da série Mass Effect e iniciou uma rodada de cerca de 400 demissões, incluindo aproximadamente 50 pessoas diretamente ligadas ao estúdio de RPGs que marcou gerações de jogadores.

O que aconteceu com a BioWare após a decisão da EA?

A BioWare está sendo encerrada como estúdio, seu escritório em Edmonton será fechado e o projeto do novo Mass Effect, que ainda estava em estágio inicial, foi cancelado, enquanto a EA tenta realocar parte da equipe em outros times internos.

O anúncio foi feito em um comunicado de reestruturação enviado a funcionários da EA e em uma mensagem pública da própria BioWare nas redes sociais. No texto, o estúdio resumiu o peso do momento: “Para mais de 30 anos, BioWare foi mais que um estúdio. Foi um lar para contadores de histórias, desenvolvedores e jogadores que deram vida aos nossos mundos… Agora, após mais de três décadas de aventuras compartilhadas, BioWare está fechando e o desenvolvimento inicial do próximo projeto Mass Effect está terminando.”

Cam Weber, presidente e chief studios officer da EA, e David Tinson, presidente e COO, reconheceram a dimensão da decisão. “BioWare é um estúdio lendário que ajudou a definir o gênero de RPG, e não tomamos essa decisão levianamente”, afirmaram no comunicado interno.

Do lado da equipe, o tom é de despedida dolorosa. “Nada fácil escrever essas palavras. Nosso foco agora é em nossa equipe incrivelmente talentosa que colocou seu coração nesses jogos e apoiar uns aos outros nessa transição”, diz outro trecho da mensagem oficial da BioWare.

Quais foram os motivos da EA para fechar a BioWare?

O fechamento da BioWare é parte de uma mudança estratégica mais ampla na EA, acelerada após a privatização da companhia em um negócio avaliado em 55 bilhões de dólares, liderado pelo fundo soberano saudita Public Investment Fund em parceria com Silver Lake e Affinity Partners.

No comunicado aos funcionários, Weber e Tinson descrevem um cenário de indústria em rápida transformação, com competição intensa por tempo e atenção dos jogadores e pressão sobre modelos de negócio tradicionais. “Hoje, somos a maior publicadora em jogos HD ocidentais. Essa é uma posição extraordinária para liderar, mas nossa indústria está mudando rapidamente”, escreveram.

A leitura da EA é que, para sustentar crescimento, será preciso concentrar recursos em menos projetos de grande escala, com maior probabilidade de retorno, além de reforçar franquias já consolidadas em tiro, esportes, ação-aventura e jogos como serviço. Dentro dessa nova prioridade, a BioWare — que vinha de resultados comerciais abaixo do esperado — deixou de ser vista como peça central.

O próprio estúdio admite que os últimos anos foram difíceis. Em sua despedida, a BioWare cita o fracasso comercial e crítico de Mass Effect: Andromeda, a aposta malsucedida em jogos como serviço com Anthem e cortes feitos após Dragon Age: The Veilguard não alcançar as metas de vendas, criando um ciclo de pressão e incerteza que pavimentou o caminho para o desfecho atual.

Como o fechamento da BioWare impacta os funcionários e os futuros lançamentos?

O plano da EA prevê cerca de 400 demissões na companhia, com aproximadamente 50 delas atingindo diretamente a BioWare. A empresa afirma que tentará encaixar parte dos profissionais em outras equipes internas e promete “tratar colegas impactados com cuidado e respeito”, mas não detalhou quantos deverão ser efetivamente reabsorvidos.

Para o mercado de trabalho em games, essa leva de cortes se soma a ondas recentes em outros grandes players e reforça a sensação de instabilidade num setor que cresceu rápido na última década e agora ajusta expectativas. Para muitos desenvolvedores da BioWare, o desafio imediato será disputar vagas em um ambiente mais competitivo, ao mesmo tempo em que carregam em seus currículos alguns dos RPGs mais influentes já produzidos.

Do lado do portfólio, o impacto mais direto é o fim do próximo Mass Effect, um dos RPGs mais aguardados por fãs. O projeto estava em desenvolvimento inicial por uma equipe pequena, que agora será dispersa. Dragon Age: The Veilguard, já lançado mas abaixo das metas, perde o estúdio que o criou justamente no momento em que precisaria de suporte de longo prazo e possíveis expansões mais ambiciosas.

Outras marcas históricas associadas à BioWare — como Star Wars: Knights of the Old Republic, Baldur’s Gate, Neverwinter Nights e Anthem — já estavam dormentes ou sob outros arranjos de direitos, e, na prática, não têm novos projetos em grande escala anunciados sob o guarda-chuva da EA.

A incerteza também cerca adaptações para outras mídias. Questionado sobre a série de TV de Mass Effect em desenvolvimento com a Amazon, o porta-voz da EA Justin Higgs limitou-se a dizer que não há novidades: “Nada a compartilhar sobre isso neste momento.” Sem posicionamento público da Amazon, o futuro da produção fica em aberto.

Entenda o contexto

A decisão de encerrar a BioWare ocorre num ponto de inflexão da EA. Com capital fechado e sob comando de um consórcio que busca retorno robusto em médio prazo, a empresa revisou sua operação, seus estúdios e onde coloca dinheiro e talentos.

No comunicado, Weber e Tinson dizem que a companhia passou “meses” revendo o negócio, confrontando “realidades duras” e escolhendo áreas em que vê “as maiores oportunidades de crescimento”. O resultado é uma concentração de investimentos em alguns pilares: jogos de tiro, ação-aventura, esportes, experiências de estilo de vida e live services.

No segmento de tiro, Respawn e DICE vão colaborar em um “projeto futuro”, descrito nos bastidores como provável novo jogo da série Star Wars: Battlefront, enquanto a EA promete seguir investindo pesado em Apex Legends e em futuros Battlefield.

Em ação-aventura, a empresa reafirma foco em dois grandes lançamentos já em produção: um jogo de Marvel’s Iron Man e o próximo título da série Star Wars Jedi. A orientação é ter menos projetos desse porte tocados ao mesmo tempo, para concentrar marketing, orçamento e equipes.

Nos esportes, a EA aposta no crescimento global da série FC (antigo FIFA) e em novidades como um jogo de futebol americano social de mundo aberto, codinome “Project Gridiron”, além de um novo Fight Night em pré-produção.

Para o público de simulação e estilo de vida, a estratégia passa por priorizar “Project Evergreen”, próximo grande jogo da franquia The Sims, e pausar “Project Lotus”. Já no live service de skate, a empresa decidiu enxugar o estúdio e redesenhar a equipe para cumprir uma rota mais clara, que, na visão da direção, pode tornar o projeto sustentável no longo prazo.

Em meio a essas redefinições, a BioWare — símbolo de RPGs centrados em narrativa, escolhas e personagens marcantes — acabou fora da nova rota principal. A decisão encerra mais de três décadas de história iniciadas com Baldur’s Gate e Neverwinter Nights e consolidadas com Dragon Age e Mass Effect. Na despedida, o estúdio agradeceu aos jogadores: “Esses jogos se tornaram muito mais porque vocês os jogaram, discutiram suas escolhas, se apaixonaram pelos personagens e fizeram desses mundos algo seu. De todos nós na BioWare, obrigado por serem a parte mais significativa da nossa história.”

Fonte: matéria original