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Lançamentos de IA

Nvidia reduz instalação de fábricas de IA de 6 meses para 14 dias

Na GTC Berlin, Nvidia apresentou o DSX POD, arquitetura OpenShell para agentes seguros e nova ofensiva com teles europeias, acelerando fábricas de IA de meses para dias.

Nvidia reduz instalação de fábricas de IA de 6 meses para 14 dias

Tecnologia

Nvidia acelera significativamente o processo de instalação de fábricas de IA, reduzindo o tempo de meses para apenas duas semanas.

Leia também: GM lança plataforma elétrica 40x mais potente com supercomputador

A Nvidia anunciou nesta quarta-feira, na GTC Berlin, um pacote que reposiciona a empresa como fornecedora do modelo operacional completo de fábricas de inteligência artificial. O destaque é o DSX POD, design de referência em contêineres que promete reduzir de seis meses para até 14 dias a implantação de grandes instalações de IA, com foco em operadoras europeias, neoclouds e projetos soberanos.

Nvidia leva conceito de fábrica de IA para o mundo real

No palco em Berlim, o CEO Jensen Huang defendeu que a companhia deixa de vender só chips para vender a “fábrica” como um todo. “Nós fomos os primeiros a observar que, na verdade, a IA é uma indústria de manufatura”, afirmou, ao descrever data centers de última geração como usinas que produzem inteligência em escala.

Huang exemplificou a nova matemática da infraestrutura: uma fábrica de IA de 1 gigawatt custa cerca de US$50 bilhões, mas pode gerar em torno de US$40 bilhões em receita anual. Um atraso de apenas um trimestre, segundo ele, representa US$10 bilhões que deixam de entrar no caixa. “US$10 bilhões em receita perdida fará qualquer um ficar ansioso”, disse.

É essa urgência que a Nvidia tenta atacar com o DSX POD: módulos de fábrica de IA pré-montados, que chegam prontos para acelerar a geração de receita e reduzir o tempo em que o hardware fica parado enquanto equipes puxam cabos e preparam a infraestrutura no local.

Como funciona o DSX POD

O DSX POD é um design de referência que parceiros irão construir em contêineres, formando fábricas de IA baseadas na arquitetura Vera Rubin. Cada pod abriga sete racks Vera Rubin NVL72, com cerca de 20 quilômetros de cabos NVLink e 17 quilômetros de rede já instalados, testados e integrados antes do envio.

Na prática, o cliente recebe um bloco pronto de computação de IA em alta densidade, que só precisa de energia, conectividade e um espaço previamente preparado. Em locais com infraestrutura disponível, a Nvidia promete cortar o ciclo de implantação típico, que hoje chega a seis meses, para até 14 dias.

Esses pods não substituem mega-campus de gigawatts, mas miram um segmento intermediário: operadores que têm terreno e energia, mas não dispõem de tempo ou licenças para grandes obras de construção. É o caso de neoclouds europeias, projetos de IA soberana e operadoras de telecomunicações, que buscam crescer rápido respeitando regulações locais.

A previsão da Nvidia é iniciar as entregas de DSX POD na Europa a partir de 2027, em locais que já estejam preparados para receber a infraestrutura de alta potência.

Eficiência energética e água entram no centro do projeto

Por trás do DSX POD está a plataforma DSX, que concentra o trabalho de engenharia para reduzir consumo de energia e água — dois fatores críticos para aprovar novos data centers em mercados maduros como o europeu.

Um dos pilares é o resfriamento de água morna em circuito fechado, que permite dispensar torres evaporativas em climas adequados. Em instalações de 2 gigawatts, a Nvidia estima que essa abordagem pode economizar até 54 milhões de litros de água por dia, aliviando a pressão sobre recursos hídricos e facilitando a obtenção de licenças ambientais.

Outro componente, o DSX MaxLPS, administra o uso de energia dentro da fábrica de IA, direcionando potência apenas para as cargas que realmente precisam naquele momento. Segundo a Nvidia, essa orquestração permite manter a mesma capacidade de processamento consumindo até 30% menos energia.

Já o DSX Flex foi desenhado para aproximar data centers e operadores de rede elétrica. Em vez de depender de telefonemas e ajustes manuais quando o sistema elétrico está sob stress, o recurso automatiza a interação com o grid, permitindo que as fábricas de IA reduzam, adiem ou redistribuam consumo em tempo real.

Esse comportamento de “carga flexível” é visto pela Nvidia como chave para ampliar a aceitação de grandes instalações de IA por comunidades locais e reguladores, ao transformar data centers em parceiros da rede elétrica, e não apenas grandes consumidores.

Entenda o contexto

Nos últimos anos, a Nvidia dominou o noticiário de tecnologia com suas GPUs, enquanto clientes disputavam alocação e tentavam acompanhar o salto de desempenho a cada nova geração. Agora, Jensen Huang argumenta que o gargalo mudou: o desafio não é mais comprar hardware, mas colocá-lo para trabalhar rápido, com energia disponível, segurança reforçada e uso eficiente de dados corporativos.

Ao empacotar racks, cabos, refrigeração, automação de energia e software de gestão em uma plataforma como a DSX, a empresa tenta transformar o processo de construir infraestrutura de IA em algo mais próximo de uma linha de montagem do que de um canteiro de obras tradicional.

Para o mercado, isso reposiciona a Nvidia: em vez de competir apenas como fornecedora de componentes, ela passa a disputar espaço como arquiteta de toda a cadeia de valor da IA, do hardware ao modelo operacional das chamadas fábricas de inteligência.

O que é a OpenShell Reference Architecture da Nvidia?

A OpenShell Reference Architecture é o desenho de execução segura para agentes de IA apresentado pela Nvidia na GTC Berlin, criado para limitar privilégios desses sistemas e monitorá-los de forma contínua.

Na segunda parte da apresentação, Huang afirmou que a próxima etapa da IA deixa de ser apenas o modelo para se tornar o agente: um sistema autônomo que combina modelo, ambiente de execução, sandbox, conhecimento e ferramentas externas. Esses agentes têm acesso a arquivos, recursos de rede e sistemas corporativos — e é aí que entra a preocupação com segurança.

“O agente é um sistema autônomo que tem acesso a arquivos, recursos e redes, bem como ferramentas, e precisamos ter certeza de que os privilégios que concedemos a esse sistema autônomo são mínimos e que nós o monitoramos constantemente”, disse o CEO.

Na arquitetura OpenShell, o “arnês” que controla o agente roda em CPUs Vera, enquanto os modelos de IA são executados em GPUs Vera Rubin. Entre eles, atua uma camada de monitoramento isolada, baseada em BlueField-4 com o sistema Nvidia Sentry, capaz de interromper um agente em milissegundos se alguma ação fugir às políticas definidas.

A proposta é trazer para o mundo dos agentes de IA uma lógica parecida com a da segurança de redes, que migrou o controle de dentro dos servidores para dispositivos especializados no caminho do tráfego. Assim, equipes de segurança podem escrever políticas adaptadas ao setor e ao país em que atuam, algo particularmente sensível no ambiente regulatório europeu.

A arquitetura é aberta e pode rodar em processadores x86 ou Arm, ampliando o alcance além do ecossistema puro Nvidia. Empresas de segurança digital e redes já começam a se alinhar ao modelo, enxergando nos agentes não apenas um problema de alinhamento de modelos de linguagem, mas um desafio de controle operacional e de conformidade.

Ferramentas para agentes e modelos Kumo

Como complemento à OpenShell, a Nvidia expandiu o Agent Toolkit, coleção de componentes para construir e operar agentes corporativos. Entre as novidades está a Agent Knowledge Foundation, pensada para organizar o conhecimento de empresas e disponibilizá-lo de forma segura e eficiente para esses sistemas autônomos.

Huang lembrou que cerca de 70% dos dados do mundo está dentro de empresas, muitas vezes em formatos estruturados, como sistemas de finanças, cadeia de suprimentos e planejamento de recursos. A maior parte da atenção recente em IA, porém, se concentrou em documentos e PDFs, que não capturam o grosso do valor de negócio.

Para atuar sobre esse universo de tabelas e registros, a Nvidia apresentou a família de modelos Kumo, especializada em dados estruturados e cenários de previsão. Em vez de treinar um modelo novo para cada pergunta, a proposta é permitir que as mesmas bases de dados respondam a diferentes “e se?”, ampliando o papel dos agentes de simples chatbots para ferramentas operacionais que tomam decisões com base em múltiplos cenários.

Telecom europeia vira peça central da estratégia

A GTC Berlin também marcou um aprofundamento da parceria da Nvidia com operadoras de telecomunicações europeias, incluindo a Nokia, em torno da ideia de transformar redes móveis e fixas em uma malha distribuída de computação de IA.

Huang projetou um futuro em que “todo telco” com dezenas de milhares de sites — estações rádio-base e pequenos data centers espalhados pelo continente — evolui para uma rede distribuída de IA. Na Europa, operadoras já detêm uma fatia relevante dos data centers existentes e contam com mais de mil instalações que poderiam receber GPUs.

O plano da Nvidia é encaixar os DSX PODs e a arquitetura DSX nesse tecido de infraestrutura já construído, reduzindo barreiras de tempo e licenciamento para adicionar capacidade de IA nas bordas da rede. A parceria com a Nokia, que já demonstrou aplicações de rede móvel apoiadas em IA em ambiente comercial, é uma das vitrines dessa estratégia.

Essa abordagem ganha força em segmentos como o da chamada IA física — robôs e máquinas industriais conectados — que precisam combinar processamento local a bordo com “chamadas” eventuais a servidores próximos, em sites de telecom ou em nuvens regionais. Para as teles, o desafio passa a ser construir capacidade comercial e regulatória para oferecer esses serviços em escala.

Impacto e próximos passos

Ao combinar DSX POD, plataforma DSX, OpenShell, Agent Toolkit e modelos Kumo, a Nvidia envia ao mercado o sinal de que quer liderar não apenas o silício, mas a forma como a IA é fabricada, implantada, monitorada e integrada a negócios reais, especialmente em um ambiente regulatório exigente como o europeu.

Para clientes, a promessa é clara: acelerar de forma agressiva a construção de infraestrutura de IA — de meses para dias em locais preparados —, cortar custos operacionais com energia e água e elevar o patamar de segurança de agentes autônomos que passam a ter acesso direto a dados e sistemas críticos.

Do outro lado, fabricantes tradicionais de hardware e integradores de data center tendem a enfrentar mais pressão para oferecer soluções igualmente completas e rápidas. Com a previsão de implantação dos primeiros DSX PODs a partir de 2027 na Europa, a disputa pela “fábrica de IA” deve se tornar um dos principais campos de batalha da indústria de tecnologia nos próximos anos.

Fonte: matéria original