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Lançamentos de IA

Recursive lança Flint, modelo local de IA para programação

Recursive Superintelligence lança Flint, modelo local de codificação baseado em Transformer MoE, até 5x mais rápido que rivais densos e com pesos abertos no Hugging Face sob licença Apache 2.0.

Recursive lança Flint, modelo local de IA para programação

Inteligência Artificial

Flint é um novo modelo local de IA para programação, oferecendo alta velocidade e código aberto para desenvolvedores.

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A Recursive Superintelligence lançou nesta semana o Flint, um modelo de inteligência artificial voltado para programação que roda inteiramente de forma local e promete investigar bases de código, corrigir bugs, implementar funcionalidades e escrever testes com alta velocidade e eficiência.

Modelo MoE de 40 bilhões de parâmetros focado em código

O Flint é um Transformer do tipo decoder-only com arquitetura mixture-of-experts (MoE), somando 40 bilhões de parâmetros no total, dos quais apenas 2,5 bilhões ficam ativos durante a execução, incluindo a cabeça de saída. Segundo a empresa, essa combinação permite manter desempenho de modelos grandes consumindo menos recursos de hardware.

Ao todo, o modelo tem 49 camadas: 2 camadas densas iniciais e 47 camadas MoE. Em cada uma dessas camadas especializadas, há 256 “especialistas” de rede neural. Para cada token processado, um roteador interno escolhe 6 desses especialistas, além de um sétimo especialista compartilhado que permanece sempre ativo, o que aumenta a eficiência sem sacrificar a capacidade de raciocínio.

Voltado para agentes de código, o Flint trabalha apenas com texto, mas é capaz de analisar projetos inteiros, localizar e corrigir erros, propor e implementar novas funções e gerar suítes de testes automatizados. O modelo também oferece suporte a raciocínio passo a passo e chamadas de ferramentas compatíveis com a API da OpenAI, o que facilita a integração em fluxos de trabalho e aplicações já existentes.

Desempenho: até 5 vezes mais rápido que modelos densos

A Recursive destaca a velocidade como principal diferencial. Nos testes divulgados, o Flint ultrapassa 125 tokens por segundo em um MacBook Pro com chip M4 e passa de 150 tokens por segundo em uma GPU NVIDIA RTX Spark de 64 GB, em cenários de contexto curto.

Com isso, o modelo chega a ser até duas vezes mais rápido que outros modelos locais de codificação na mesma faixa de parâmetros e cerca de cinco vezes mais rápido que modelos densos de 25 a 40 bilhões de parâmetros com desempenho semelhante em tarefas de programação. A aceleração é resultado direto da arquitetura MoE, que ativa apenas parte da rede a cada passo de inferência.

A empresa também divulgou comparações de benchmarks de codificação, indicando que o Flint apresenta resultados competitivos em testes populares da área. Em alguns desses índices, no entanto, famílias de modelos concorrentes, como Qwen, seguem com pontuações superiores em cenários específicos, o que indica espaço para ajustes finos e evolução nas próximas versões.

Rodando em MacBook e GPUs, sem depender da nuvem

O Flint foi projetado desde o início para execução local. A Recursive informa suporte a ferramentas populares do ecossistema de modelos em dispositivos pessoais, como llama.cpp, Ollama, Unsloth, LM Studio, vLLM e SGLang. Na prática, isso permite que equipes de desenvolvimento encaixem o modelo em pipelines já consolidados, sem necessidade de migrar tudo para uma nova infraestrutura.

Ao rodar inteiramente em máquinas como um MacBook Pro ou placas NVIDIA dedicadas, o modelo dispensa o uso constante de serviços em nuvem, o que reduz custos recorrentes, melhora a privacidade de código sensível e diminui a latência em tarefas interativas, como assistência em IDEs. A compatibilidade com chamadas de ferramentas no padrão OpenAI também facilita o encaixe em assistentes de programação e agentes que já seguem esse protocolo.

Entenda o contexto

Modelos de codificação têm se tornado peça central no dia a dia de desenvolvedores, automatizando de sugestões de código a diagnósticos de bugs complexos. A maior parte das soluções de ponta, porém, ainda depende de serviços hospedados em data centers, o que levanta preocupações com confidencialidade, custo por uso e dependência de fornecedor.

O Flint surge para atender a essa demanda por alternativas locais mais rápidas, acessíveis e abertas. Com os pesos disponíveis no Hugging Face sob licença Apache 2.0, empresas e comunidades podem adaptar, afinar e integrar o modelo sem as restrições de licenças mais fechadas. Isso tende a ampliar a adoção em startups, times internos de grandes empresas e projetos de código aberto que buscam montar seus próprios assistentes de desenvolvimento.

Eureka Machine automatiza pesquisa e evolução do modelo

Um dos pontos mais enfatizados pela Recursive é o uso do Eureka Machine, um sistema automatizado de pesquisa que apoiou praticamente todo o processo de construção do Flint. De acordo com a empresa, essa ferramenta propõe ideias de melhoria, implementa mudanças, executa testes e decide os próximos passos do desenvolvimento de forma iterativa.

Em comunicado, a equipe apresentou o modelo dizendo: “Introducing Flint, @Recursive_SI ’s first model: a fast local coding model built with our automated research system, the Eureka Machine.” Em outra mensagem, a empresa reforçou o papel da equipe técnica ao afirmar: “All credit goes to the researcher of this project.”

Na prática, o Eureka Machine funciona como um motor de experimentação contínua, ajudando a explorar combinações de arquitetura, hiperparâmetros e técnicas de treinamento. A Recursive apresenta o Flint como a primeira vitrine concreta dessa abordagem de desenvolvimento guiado por IA para criar novas IAs.

Repercussão e impacto no ecossistema de desenvolvimento

A recepção inicial entre especialistas e influenciadores da área de inteligência artificial é positiva, com destaque para a combinação de alto desempenho em codificação e execução totalmente local. A opção por licenciamento Apache 2.0 e hospedagem dos pesos em um repositório aberto reforça a leitura de que a empresa aposta na colaboração com a comunidade técnica.

Para desenvolvedores e equipes de software, o principal ganho imediato é a possibilidade de contar com um modelo robusto de assistência à programação rodando em notebooks potentes ou estações com GPU, sem enviar código para servidores externos. Isso pode ser decisivo para setores com exigências rígidas de compliance e sigilo, como finanças, saúde e indústria.

Ao mesmo tempo, o lançamento pressiona provedores baseados exclusivamente em nuvem a acelerar inovações em desempenho, preço e flexibilidade de uso. Soluções locais como o Flint tendem a conviver com serviços remotos, mas podem capturar uma fatia relevante de projetos que priorizam controle total da infraestrutura.

Papel da Marktechpost e de Asif Razzaq na divulgação

O anúncio do Flint também ganhou visibilidade graças à cobertura de plataformas especializadas em IA. À frente de uma dessas iniciativas está Asif Razzaq, CEO da Marktechpost AI Media Inc., responsável por um portal dedicado a notícias e análises de aprendizado de máquina e deep learning, que acumula mais de 2 milhões de visualizações mensais.

Razzaq se apresenta como um empreendedor e engenheiro comprometido em explorar o potencial da inteligência artificial para o bem social, e destaca que projetos como o Flint ajudam a democratizar o acesso a ferramentas avançadas de programação assistida por IA, tornando a tecnologia mais compreensível e utilizável por um público amplo.

Com o Flint já disponível para download, o próximo passo natural é a expansão da base de usuários, a realização de ajustes com base em feedback da comunidade e o refinamento do desempenho em benchmarks onde concorrentes ainda levam vantagem. A Recursive indica que continua investindo no Eureka Machine, o que abre caminho para novas versões do modelo e para outros sistemas de IA locais voltados a diferentes áreas além da codificação.

Fonte: matéria original